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Dermatologistas questionam eficácia de nova safra de desodorantes

ISABELA LEAL

Colaboração para o UOL

Não é à toa que as prateleiras dos supermercados brasileiros são fartas de desodorantes com as mais diferentes propostas. Segundo o Euromonitor, instituto internacional que audita o mercado de higiene pessoal em mais de 120 países, o Brasil é o maior consumidor de desodorantes do mundo.

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    Foi-se o tempo em que o principal atrativo de um desodorante era proteger contra odores: hoje promessas vão de diminuir pelos a clarear axilas

Com o avanço tecnológico que a indústria do setor sofreu nos últimos anos, o básico ficou para trás: agora proteger contra a transpiração e o mau odor não são mais os principais atrativos destes produtos. As novas fórmulas aparecem sofisticadas, com promessas de garantir diferentes benefícios aos consumidores, como, por exemplo, prevenir o escurecimento da axila e auxiliar na redução dos pelos da região. Além disso, a maioria dos fabricantes já promete proteção antitranspirante por até 24h. E não é só. Tem até uma marca que assegura mudar a fragrância ao longo do dia, a fim de renovar a sensação de frescor.

 

Diante deste repertório de benefícios, é natural que o consumidor questione se os produtos realmente cumprem o que anunciam.

 

Os dermatologistas dizem que a eficácia dessas promessas vai depender dos ativos utilizados na fórmula e da capacidade de agirem por meio de um veículo tópico. “Acho improvável que um produto tópico como o desodorante seja capaz de reduzir os pelos de uma região”, acredita a dermatologista Renata Ferreira Magalhães, da Faculdade de Ciências Médicas da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). Chefe do ambulatório de dermatologia do Instituto Professor Azulay, da Santa Casa de Misericórdia do Rio de Janeiro, e membro da Sociedade Brasileira de Dermatologia, Maria Fernanda Gavazzoni tem a mesma opinião. “Não há comprovações científicas de se alcançar esse efeito por meio de um cosmético”, afirma. Ela acredita, porém, que haja resultados no caso de alguns produtos. Mas que ninguém crie grandes expectativas. “Não podemos esquecer que estamos falando de um cosmético, e não de um tratamento dermatológico. Este tipo de produto tem uma ação leve, discreta.”

 

Se muitos dermatologistas duvidam ou relativizam os poderes da nova safra de desodorantes, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) garante que se o produto é aprovado, ou seja, tem registro na Anvisa, significa que ele cumpre o que propõe no rótulo. “Os desodorantes fazem parte do Grupo 2, categoria de produtos que para serem lançados em venda livre para o consumidor devem comprovar junto à Anvisa todos os atributos propostos na embalagem, por meio de testes, tecnologia empregada e resultados concretos”, diz a farmacêutica Érica França, especialista em cosméticos da Anvisa. “No caso dos desodorantes, ficam assegurados todos os benefícios prometidos e também a proteção da pele contra alterações cutâneas que representem algum risco à saúde. No entanto, o órgão sanitário fiscalizador não tem como garantir níveis de segurança contra alergias e irritações. Essas reações dependem do organismo de cada um, de como a pele se condiciona diante dos agentes da fórmula”, complementa.

 

De um lado fabricantes e Anvisa, do outro especialistas em dermatologia. Diante deste impasse, o UOL Estilo destacou os principais componentes apontados pelos fabricantes como responsáveis pelos benefícios prometidos e consultou especialistas em dermatologia para que analisem as possibilidades de cada promessa cosmética sob o ponto de vista científico. Leia as conclusões sobre a redução de pelos, o clareamento das axilas, a proteção 24 horas, a mudança de fragrância ao longo do dia e a proteção para peles sensíveis.

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