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Manchas de pele: saiba como combater esses sinais indesejados

ISABELA LEAL

Colaboração para o UOL

Na lista de queixas de pele que mais atormentam as mulheres, as manchas aparecem em segundo lugar, perdendo apenas para a acne. E não é para menos. Trata-se de um problema estético muito visível e, o pior, difícil de ser tratado.

 

São muitos os aspectos que a pigmentação descontrolada da pele pode ter: uns são marrons, outros bem claros, pode também ser pintas brancas espalhadas ou um monte de pontinhos bem escuros concentrados em uma determinada região do rosto ou colo. Difícil é não perceber. Seja como for, mesmo as mais clarinhas, são muito visíveis. E justamente por isso as manchas se tornaram um dos principais problemas estéticos que, inclusive, piora com o passar do tempo – tanto é que na faixa etária entre 40 e 65 anos, elas pulam da segunda para a primeira posição e se tornam campeãs das reclamações nos consultórios dermatológicos, de acordo com a Sociedade Brasileira de Dermatologia.

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    Sardas, melasmas, melanoses solares, ceratoses ou nevos: saiba identificar os tipos de manchas de pele

Muitas são de nascença, outras adquiridas, mas o fato é que uma vez instaladas precisam ser acompanhadas pelo resto da vida. A boa notícia é que a maioria não representa ameaça à saúde, porém qualquer alteração de cor, tamanho e textura requer análise de um dermatologista, pois significa que algo está errado. A má notícia é que a solução pode ser demorada e dificilmente 100% eficaz. Já que ao menor contato com o sol, voltam a aparecer.

 

Os fatores que provocam essa disfunção são basicamente alterações hormonais, idade, predisposição genética e exposição solar excessiva. Todas essas situações atuam na raiz do problema: a melanina, pigmento que dá cor à pele. Quando a produção dessa substância fica descontrolada o resultado é a formação desses sinais com coloração diferente da cor natural predominante que visualmente incomodam bastante.

 

O grande vilão

O sol é um dos maiores estímulos para a formação das manchas, ele dispara o mecanismo natural da melanina que desgovernada produz os sinais indesejados. Por isso ao final do verão é tão comum que apareçam manchas que não existiam antes da temporada de calor. Sendo assim é aconselhável fazer os tratamentos no inverno, pois a radiação mais amena favorece o sucesso dos procedimentos. Daí a importância do filtro solar que protege a pele e tem ainda a ação de prevenir o problema. “Mesmo no inverno e longe da praia deve-se utilizar protetor solar com fator mínimo 30, um meio fácil e seguro de garantir bons resultados”, recomenda a dermatologista Karla Assed, do Rio de Janeiro. “Sem prevenção e proteção com filtro solar, nem o tratamento mais moderno terá efeito”, alerta Eliandre Palermo, vice-presidente da Sociedade Brasileira de Cirurgia Dermatológica.

 

Desvendando o problema
 

Existem diversos tipos de manchas e para ter um diagnóstico preciso, só mesmo com a análise de um dermatologista. Mas, o roteiro abaixo pode lhe ajudar a distinguir as mais comuns:


Sardas:
são manchinhas em regiões do corpo que pegam sol. Mais superficiais, respondem muito bem aos tratamentos clínicos, mas retornam com nova exposição solar.
Melanoses solares ou manchas senis: sinais sem relevo, de coloração mais clara (quase branca), que são observados à medida que o tempo passa, com a idade. Podem até clarear levemente com os tratamentos clínicos, mas geralmente necessitam de procedimentos a laser ou cauterizações.

Ceratoses: manchas que já se tornaram palpáveis (com relevo e textura) e podem ser benignas ou lesões pré-malignas.

Melasmas: manchinhas castanhas que geralmente surgem na face e não apresentam relevo. Respondem bem aos peelings químicos.

Nevos: são as conhecidas pintas. Sua coloração varia de marrom escuro até castanho bem claro. Devem ser observados mais criteriosamente quando mudam de tamanho e cor (ficando mais escuras) e apresentam bordas irregulares.

 

Pense bem, antes de ir até a farmácia

 

O ideal é que cada caso seja analisado por um dermatologista. Mas de maneira geral, a primeira alternativa utilizada pelos médicos são os cremes clareadores tópicos. “Essa medida é eficiente. Os produtos despigmentantes agem inibindo alguma etapa da formação de melanina. Mas devem ser prescritos por um médico, pois têm efeito adverso e necessitam de uma indicação adequada ao caso, além de haver necessidade de controlar o tempo de uso”, explica a dermatologista Raquel Tancsik, coordenadora do Ambulatório de Cosmiatria da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). Esse alerta é importante porque muitos dos ativos para esse fim são vendidos em farmácia e qualquer um pode comprar, sem receita. Porém, de nada adianta se automedicar. Quando a substância for mal utilizada vai provocar efeito rebote. “Além dos efeitos colaterais, esses produtos contêm medicamentos associados, que podem causar irritações e até piorar os sinais, como no caso do melasma, quando não é tratado concomitante com filtro solar”, justifica a dermatologista Eliandre Palermo.

 

Outra opção para tratar as manchas são os despigmentantes orais, que agem de dentro para fora. “Esse método leva a uma melhora das manchas, tanto de forma preventiva como clareadora”, explica Eliandre. “Algumas substâncias aumentam a proteção da pele para a exposição ao raio UV e, com isso, diminuem as chances de manchas. Outras diminuem a produção de melanina e sua distribuição irregular desequilibrada nas células cutâneas”, ressalta Karla Assed, do Rio de Janeiro.

 

Tecnologia a serviço da beleza


Apesar de existirem novidades eficazes no setor, alguns médicos continuam utilizando procedimentos tradicionais, que não deixaram de ser eficientes. “Os peelings químicos, por exemplo, são usados há muito tempo e apresentam excelentes resultados”, explica Karla Assed, do Rio de Janeiro, que a seguir explica com detalhes o mecanismo de ação dos tratamentos mais eficientes para combater o problema e o que há de mais novo na área.

 

Peelings químicos
São feitos com ácidos retinóico, salicílico ou glicólico que agem promovendo descamação superficial da pele. A aplicação é feita com um pincel ou gase, podendo ocorrer uma leve ardência. Oferece bons resultados para as manchas provocadas por inflamação (como a acne) e melasma. Após a sessão a região pode ficar com vermelhidão leve, por até um dia, mas é possível retornar ao trabalho normalmente, desde que usando filtro solar com fator de proteção 30, no mínimo. Após dois dias da aplicação dos ácidos a pele começa a descamar, processo que pode durar de 2 a 4 dias. É durante 15 dias após o tratamento fica proibido o contato direto com o sol.

 

Fraxel
Indicado para tratar principalmente melasmas e sardas é um dos aparelhos de laser mais modernos. A luz é atraída pela melanina e destrói o excesso de pigmento. Pode causar um pouco de dor e queimadura no local. A nova versão do aparelho, o Fraxel Dual, que deve chegar ao Brasil até o final do ano, tem uma ponteira que emite laser de Thulium, com três mecanismos diferentes: combater manchas, envelhecimento e vasinhos. Mas a vantagem para tratar as manchas é ter o poder de atingir melhor os pigmentos da pele, proporcionando um clareamento mais eficaz. Após o procedimento a região apresenta vermelhidão e inchaço. O paciente pode trabalhar no dia seguinte e deve evitar sol por 15 dias. O uso de FPS 30 ou mais, é lei.

 

Harmony XL
Trata manchas solares e senis. É uma plataforma com várias ponteiras que ao emitir luz intensa pulsada, age destruindo o pigmento da região. O XL é a versão moderna do Harmony, que já existe no mercado. A diferença entre o tradicional e essa novidade é a refrigeração de safira, que aumenta a proteção da pele e evita queimaduras locais. Após o procedimento o paciente pode ficar com vermelhidão leve, que dura poucos minutos. É possível retornar ao trabalho em seguida e deve-se evitar sol por 15 dias. É obrigatório o uso de filtro solar 30.

 

Trinity
Também se trata de uma tecnologia nova. Composta por três ponteiras de radiofreqüência diferentes – uma que associa luz intensa pulsada, a segunda que conta com infravermelho e a terceira que é combinada ao laser de diodo – que se potencializam para atenuar os sinais. O procedimento pode causar leve vermelhidão e inchaço na região tratada, mas dura poucos minutos. É possível trabalhar após a sessão de aplicação e fica proibido sol por 15 dias, portanto, o uso de FPS 30 é obrigatório durante e após esse período, diariamente.

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