Moda

Masculino e feminino se opõem e se complementam em Stella McCartney e YSL

Montagem
As rendas fetichistas de Ungaro, a moda sem apelo sensual da Chloé e os recursos masculinos de Stella McCartney e YSL imagem: Montagem

CAROLINA VASONE

Enviada especial a Paris

Não se trata mais da mistura de elementos do guarda-roupa feminino e masculino. No desfile de Stella McCartney (que abriu o dia), a coleção pareceu mostrar opções quase antagônicas em termos de orientação de gênero fashion: seja totalmente feminina, sexy em transparências e curvas ou adote as dimensões masculinas em blazers com ombros largos e proporções avantajadas.

Responsável pelo primeiro desfile desta última segunda (7), Stella McCartney foi a mais radical entre o "tudo ou nada". Surpreendentemente lasciva, usou o tule transparente com poás (bolinhas) em recortes que literalmente despiam as modelos conforme iam revelando a pele por baixo do tecido finíssimo em vestidos justíssimos. Cintura alta marcada, quadris arredondados, toda esta volúpia evidenciada até em corpos magérrimos de modelos se contrapôs a looks totalmente masculinos, quadrados, graças aos paletós com perfume de smoking em comprimentos variados. No lugar de quebrarem a sensualidade dos looks mais femininos, estas peças apareceram sozinhas ou protagonistas, mais impondo-se como outra alternativa do que como um complemento.


Os ombros, tanto em YSL quanto em Stella McCartney, serviram para sustentar esta aposta da mulher masculina. Na YSL, Stefano Pilati, estilista da grife, aumentou os ombros em jaquetões curtos, com acabamento arredondado para baixo. No momento em que ambos queriam evidenciar a feminilidade da roupa, os ombros apareciam nus em decotes variados ou ganhavam peles felpudas, como no casaco branco peludo no look com calça pantalona e camisa transparente leitosa também em branco ou nas mangas da jaqueta clara.

Pilati evidenciou o já conhecido equilíbrio entre o masculino e o feminino da marca, em interpretações do clássico smoking Saint Laurent em versões mais casuais de partes de cima, como no look inteiro branco e no paletó de lã cinza, além de várias versões das camisas transparentes.

Se houve uma marca que não oscilou entre opostos de sensualidade sexual e masculinidade geométrica foi a Chloé. Comportada, sua mulher parece não fazer questão deste apelo sexy em suas roupas. Assim, a coleção da grife é "cool", até jovem, mas sem "sexy appeal": as camisas são bem-cortadas, embabadas, fechadas até o pescoço. As calças são amplas, pantalonas, sem marcar a cintura exageradamente. As saias são abaixo do joelho, na altura casta da canela. A cobra, símbolo da tentação, aparece estilizada nas estampas.

Giles Deacon apostou na faceta fetichista das rendas e couros e abusou das transparências em vestidos inteiros nus, curtos e pretos em sua segunda coleção para a Emanuel Ungaro. O couro apareceu em corselets e em detalhes de recortes ao longo do corpo.

Desfilaram hoje ainda Giambattista Valli (vestidos de festa famosos), Vanessa Bruno (queridinha das francesas descoladas), Léonard, Valentin Yudashkin e Commun.

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