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Biaggi relembra ensaio nu de Galisteu e seu casamento com Justus em livro

Marco Antônio de Biaggi e Adriane Galisteu em 1995 - Divulgação
Marco Antônio de Biaggi e Adriane Galisteu em 1995 Imagem: Divulgação

do UOL, em São Paulo

15/08/2017 13h22

Conhecido cabeleireiro e maquiador das famosas, Marco Antônio de Biaggi tem muita história para contar. E, por isso mesmo, o profissional lança nesta terça, dia 15, seu primeiro livro — a biografia "A Beleza da Vida" (Editora Abril, R$ 36,90, 240 páginas) em que narra ao jornalista João Batista Jr. os momentos mais marcantes de sua carreira e também sua trajetória pessoal de superação ao enfrentar um linfoma em 2015. 

O UOL teve acesso com exclusividade a trechos da obra, em que o hairstylist revela os bastidores de dois episódios públicos da vida de uma de suas amigas mais próximas, a apresentadora Adriane Galisteu. Biaggi esteve ao lado de Adriane quando ela fez o ensaio mais polêmico de sua carreira, seu nu para a revista "Playboy" em 1995. E também acompanhou de perto não só o casamento como a separação, 8 meses depois, da apresentadora e do publicitário Roberto Justus. 

Leia em primeira mão:

O ensaio para a "Playboy"

Nenhuma revista, porém, traria a mesma repercussão do primeiro ensaio nu de Adriane Galisteu. Então com 22 anos e ex-namorada de Ayrton Senna, com quem teve uma relação de 405 dias, a modelo virou a “viúva” mais famosa do país quando o piloto morreu, no trágico acidente na prova de Ímola, na Itália, em 1º de maio de 1994. Meses mais tarde, após uma temporada em Portugal, ela retornou ao Brasil para abraçar a fama. Havia uma enorme demanda de imprensa e de publicidade. Biaggi e Kaká Moraes trabalharam em uma capa com a loira para a Nova, veiculada em julho de 1995. O cabelo, preso com bóbis de velcro, agradou. No fim do trabalho, Galisteu comentou sobre o convite para aparecer na maior publicação masculina do país. Se a negociação vingasse, chamaria os dois para ajudar na produção. Eles não deram muita confiança para a história. Passados três dias, porém, ela estava sentada à bancada do salão Beka para repaginar o visual antes de embarcar para o ensaio, na Ilha de Santorini, na Grécia.

O loiro foi do tom amarelado para o quase branco à la Pamela Anderson. A modelo não aceitou pintar as raízes, que foram suavizadas, mas continuavam escuras. Também não quis cortar a franja. Uma semana depois, todos embarcam, em classe executiva, para a Europa. A equipe fica nove dias fotografando desde o nascer do sol até a noite. Os cliques mostram Galisteu com uma tiara na cabeça, branca ou azul, dependendo da produção da sandália. O objetivo era esconder a raiz e dar à modelo um ar de garota. 

A equipe aproveitava a noite para jantares regados a vinho e conversas descontraídas. Em uma ocasião, Marco Antonio e Kaká decidiram dar uma esticada a uma boate indicada por Dimitri, o tradutor jovem e bonito contratado pela revista. Na pista de dança, Biaggi se engraçou com um grego e o convidou para ir ao hotel. Acontece que o cabeleireiro dividia o mesmo quarto com Kaká. “Ele pediu para eu fazer apenas uma horinha na boate”, conta o maquiador. O trato não foi cumprido. Ao voltar, já quase amanhecendo, Kaká encontrou a porta da suíte trancada. Bateu uma, duas vezes, e nada de o amigo responder. Decidiu buscar abrigo no quarto da produtora Ariani Carneiro, que lhe cedeu metade da cama.

O ensaio teve cenários como um barco de madeira e dois hotéis, um deles com apenas cinco suítes. Recanto exclusivo e luxuoso, o espetacular Tsitouras ficava debruçado sobre o Mediterrâneo e era o favorito do estilista Gianni Versace. A equipe de Playboy não contou à direção do hotel sobre a realização do ensaio nu. Seus integrantes inventaram que faziam parte do staff de uma publicação de moda. Enquanto Galisteu executava a cena antológica de raspar os pelos pubianos, o cabeleireiro ficava à porta do quarto para ver se aparecia alguém no corredor. Um funcionário aproximou-se sorrateiramente para tentar tirar uma casquinha, mas deu azar: conseguiu apenas observá-la de roupão retocando a maquiagem. O pobre grego deixou de conferir o que 961 791 homens viram ao comprar uma das edições mais famosas da história da publicação.

 

O casamento com Justus

O casamento da apresentadora Adriane Galisteu com o publicitário Roberto Justus, antes de o empresário tornar-se apresentador de TV, foi exatamente o oposto. Não no sentido de serem felizes para sempre, mas no quesito cobertura de mídia. Aquela se tornaria a cerimônia mais badalada de 1998, com 192 jornalistas credenciados. Desse total, 100 compareceram. A proporção entre repórteres e convidados era a do padrão noite de Oscar: um para dez. Todos foram testemunhas do que o cabeleireiro sabia desde o início. Ela é extrovertida e despachada, o oposto de Justus, metódico e vaidoso. O romance não iria vingar.

Biaggi inspirou-se no corte da vez da atriz Gwyneth Paltrow. Repicou o cabelo, para que ganhasse volume e movimento. Quase não foi preciso mexer no comprimento e no tom platinado. Era Galisteu no auge da beleza, aos 25 anos. Justus tinha 43. Eles casaram-se ao som de Fame na versão brasileira de Sandra de Sá (a música ganhou por aqui o título Soul de Verão e versos como “Vem, vem pro meu lado forever, vem pra bem dentro de mim”). Adriane usou um vestido branco e justo, de alcinhas, assinado por Valentino. Chique, moderna e simples. Os toques de styling ficaram por conta de uma tiara de ouro branco da designer de joias Marina Sheetikoff, das gotas de perfume Angel, de Thierry Mugler, e da pele tão dourada quanto a do estilista que desenhou o vestido. Horas antes da troca de alianças, a apresentadora se submeteu a uma sessão extra de bronzeamento artificial para reforçar o look garota dourada.

Embora tenha se mudado com Justus para uma cobertura no bairro Cidade Jardim, em nenhum momento a neocasada se desfez de seu apartamento de solteira na badalada Rua Haddock Lobo, nos Jardins, ocupado hoje por Emma. Quando lhe perguntavam por que mantinha o imóvel, Adriane alegava que o local seria usado como uma espécie de escritório para os seus compromissos profissionais. Foi na cozinha dessa propriedade, adquirida com o cachê das vendas de sua Playboy histórica, que ela desabafou a Biaggi e Kaká Moraes as amarguras da vida conjugal. Entre uma tragada e outra de seu Marlboro vermelho, informou aos amigos a decisão de pôr um ponto final no matrimônio, que acabara de completar sete meses. Sem se lamentar, o cabeleireiro lembrou que Sasha, filha de Xuxa e Luciano Szafir, completaria 1 ano. Na morte de Senna, a apresentadora infantil e ex-namorada do piloto posou de viúva oficial no funeral, ao lado de parentes, o que causou um tremendo mal-estar. Sasha nasceu em 28 de julho. Se a decisão de se divorciar fosse mesmo irreversível, o amigo e conselheiro, usando um argumento pragmático, sugeriu a ela que esperasse mais algumas semanas:

- Ficou casada até agora, aguente mais um tempinho para a história repercutir na mídia. Neste momento, as revistas só vão falar do aniversário da filha da Xuxa. Sua separação vale uma capa da revista Caras.

A esposa infeliz, também pensando de forma pragmática, empurrou o relacionamento com a barriga por pouco tempo. A festa de Sasha foi o principal destaque na edição de 30 de julho de Caras e a separação de Adriane e Justus, em 27 de agosto. A união teve oito meses de duração, entre dezembro e agosto, e rendeu três capas da publicação de celebridades: o casamento, a mudança dos dois para o apartamento de 1 milhão de dólares no bairro Cidade Jardim onde o empresário depois viveu com Ticiane Pinheiro e o divórcio.