02/05/2006 - 18h20
Estudo do Unicef alerta para subnutrição infantil na África

JOHANESBURGO (Reuters) - Há mais crianças subnutridas no leste e sul da África atualmente do que em 1990, o que representa uma situação alarmante na região já castigada por guerras, Aids e secas, afirmou o Unicef nesta terça-feira.
Em uma parte do relatório mundial sobre a nutrição infantil, o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) disse que apenas um país da região, Botsuana, teve progressos satisfatórios para alcançar a meta da Organização das Nações Unidas (ONU) de diminuir pela metade o número de crianças que estão abaixo do peso até 2015.
"Muitas crianças nessa região estão presas a um ciclo de pobreza", disse o assessor do Unicef Bertie Mendis, durante o lançamento do estudo sobre a região africana, em Johanesburgo.
Dos países da região conhecida como Chifre da África, no noroeste do continente, assolados por guerras, à potência regional que é a África do Sul, muitas crianças não estão recebendo alimentação adequada, situação progressivamente pior em 9 dos 17 países analisados, informou o Unicef.
O documento atribuiu a crise em grande parte à epidemia subsaariana de Aids, que potencializa os efeitos das secas sazonais no corte da produção de alimentos e limita a capacidade dos pais de cuidarem de seus filhos. Países da África subsaariana respondem por 26 milhões dos 40 milhões de infectados por HIV, vírus causador da Aids, no mundo. Em alguns países, como Botsuana e Suazilândia, mais de um terço dos adultos está supostamente contaminado pelo vírus.
"O forte impacto do HIV/Aids na região inevitavelmente afeta sua posição alimentar", afirmou o relatório. Ainda segundo o estudo, pesquisas recentes mostrando níveis crescentes de subnutrição infantil em regiões relativamente prósperas e urbanizadas "sugerem novas suscetibilidades em regiões anteriormente consideradas em melhor condição".
BRASIL: DEVE ATINGIR META DA ONU
O relatório do Unicef também analisou os países latino-americanos, que, segundo o fundo, estão no caminho para atingir a meta em 2015.
O Brasil, segundo o documento, apresenta uma taxa relativamente baixa de crianças abaixo do peso -- cerca de 6 por cento. Assim como a maioria de seus vizinhos, o país deverá atingir a meta de reduzir esse índice em 50 por cento até 2015. Entretanto, o país é colocado como um dos campeões das desigualdades na região -- que, de maneira geral, é apontada como um lugar de disparidades. De acordo com o relatório, crianças que habitam casas pobres têm cerca de 3,8 vezes mais risco de apresentar subnutrição do que aquelas que moram em residências mais ricas.
O relatório informou ainda que mais da metade das crianças da Etiópia está abaixo do peso, enquanto no Burundi e em Madagáscar a porcentagem é de cerca de 40 por cento das crianças abaixo dos 5 anos.
O Unicef disse ainda que, apesar de Botsuana ter uma das mais altas taxas de infectados pelo HIV no mundo, o país conseguiu reduzir a porcentagem de crianças subnutridas de 17 por cento em 1996 para 13 por cento, em 2000.
O Unicef afirmou que medidas básicas, como encorajar a amamentação exclusiva e desde cedo fornecer suplementos de vitamina A, poderiam trazer grandes benefícios.
"As intervenções são simples, possíveis e baratas", disse Saba Mebrathu, assessor nutricional do Unicef. "Tudo que se precisa é vontade política."
(Por Andrew Quinn)
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