UOL Estilo

17/08/2006 - 16h40

Camisinha vira acessório de moda na conferência de Toronto

TORONTO (Reuters) - As camisinhas viraram acessório fashion durante a Conferência Internacional sobre Aids em Toronto, e estão sendo usadas assim por homens ultraconservadores, por adolescentes tímidos e por velhinhas africanas.

"Há uma grande necessidade de tirar o estigma que pesa sobre os preservativos em todo o mundo, especialmente na África", disse Franck DeRose, diretor-executivo do The Condom Project, que visa a deixar as pessoas confortáveis perto de camisinhas, principalmente os moradores de países onde o dispositivo de látex é considerado um assunto tabu.

Para isso, o projeto tem um programa que permite às pessoas criar um broche personalizado feito de camisinha. Tudo começa numa mesa para artesanato, com preservativos convencionais, pedaços de papel colorido, balas e outros enfeites, além de fita adesiva.

Maria Parish, 58, moradora de Toronto, estava fazendo o dela com uma camisinha azul e com papel azul e amarelo. "Quero alguma coisa que simbolize a bandeira da Ucrânia", disse ela. "Sou descendente de ucranianos e a Aids é um problema global."

DeRose disse que a criação dos broches atrai pessoas que normalmente não usariam o preservativo, nem se atreveriam a tocar nele ou a pronunciar seu nome.

"Isso abre a porta", disse DeRose. Para ele, é uma iniciativa muito bem-sucedida.

Quase 400 mil camisinhas já foram transformadas em broches em todo o mundo, incluindo a Índia, a Tailândia, Senegal e Burkina Faso, contou ele.

Só esta semana, cerca de 30 mil preservativos foram enfeitados e transformados em acessório de moda durante a conferência, afirmou.

Pessoas de todas as origens usam os broches, trocam-nos e até conversam sobre sexo seguro enquanto os enfeitam. "Não acho que seja saudável nem adequado mudar uma cultura. Mas podemos mudar um comportamento de risco dentro de uma comunidade", disse ele.

DeRose, um artista de Washington, D.C., teve a idéia há três anos, quando conversava sobre possibilidades de convencer mais gente a usar camisinha para combater a epidemia de HIV/Aids. Desde então, o programa se espalhou por todo o mundo.

"Tenho idosos fazendo broches em Togo e na Etiópia. Tenho grupos de homens heterossexuais fazendo broches em Washington", disse DeRose, 42.

A brasileira Adriana Bertini também estava usando preservativos como arte na conferência. Ela vestiu manequins de plástico com figurinos especiais feitos de camisinhas, como um vestido de preservativos cor de laranja ou uma minissaia rosa.

"A idéia é ver o figurino e pensar na Aids", disse Bertini, que faz roupas de camisinha há dez anos.

(por Natalie Armstrong)

UOL Celular

Acompanhe as notícias do UOL no seu celular: wap.uol.com.br
Hospedagem: UOL Host