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01/12/2006 - 14h29

Blair pede a líderes religiosos que parem de reprovar uso de preservativos

LONDRES, 1º dez (AFP) - O primeiro-ministro britânico Tony Blair pediu nesta sexta-feira aos líderes religiosos que "enfrentem a realidade" e parem de reprovar o uso dos preservativos no combate à Aids.

Em entrevista à emissora musical MTV, Tony Blair, um anglicano praticante que às vezes assiste à missa acompanhado de sua esposa católica, Cherie, se mostrou extremamente crítico quanto à posição do Vaticano sobre a contracepção.

"Eu acho que se todas as igrejas e organizações religiosas enfrentassem a realidade, seria melhor", afirmou, falando por ocasião do Dia Mundial de Luta contra a Aids.

"O perigo é que se houver uma interdição geral da hierarquia religiosa (...

), as pessoas serão desencorajadas a (recorrer ao preservativo) em circunstâncias em que precisam proteger suas vidas", explicou.

O risco é particularmente sensível para as pessoas que trabalham no "comércio sexual", ressaltou.

Blair falou depois que o Vaticano, que se opõe a qualquer forma de contracepção com exceção da abstinência sexual (total ou temporária) e reprova o uso do preservativo mesmo para profilaxia, deu sinais de que poderia abrandar suavemente sua posição.

O Papa Bento XVI encomendou um projeto de documento sobre o uso dos preservativos. Alguns prelados defendem admitir o uso em circunstâncias bem particulares e muito limitadas, como por exemplo quando algum dos cônjuges legitimamente casados tiver se contaminado com o vírus HIV durante uma transfusão sangüínea.

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