01/12/2006 - 10h06
Programas contra Aids não atingem grupos de maior risco, diz ONU

GENEBRA (Reuters) - A Organização Mundial da Saúde disse na sexta-feira que a maior parte dos programas mundiais de prevenção e tratamento da Aids não consegue alcançar os grupos sob maior risco de contágio, como usuários de drogas injetáveis, homossexuais e prostitutas.
Em mensagem no Dia Mundial da Aids, que neste ano tem como tema a Responsabilização, o diretor-geral da OMS, Anders Nordstrom, disse que combater a epidemia continua sendo um dos maiores desafios sanitários mundiais.
Só 1,6 milhão de pessoas recebem terapias adequadas, o que significa apenas 24 por cento do total de pessoas que precisariam desses recursos, segundo o último relatório conjunto da OMS e da Unaids (programa da ONU para o combate à doença).
"Temos um longo caminho a percorrer no fornecimento de remédios aos que necessitam", disse Nordstrom.
"A vigilância contra o HIV [vírus que causa a Aids] continua fraca em quase todas as regiões, particularmente entre grupos marginalizados", disse. "Os que correm maior risco -- homens que fazem sexo com homens, trabalhadores sexuais e usuários de drogas injetáveis -- não estão sendo atingidos de forma confiável pelas estratégias de prevenção e tratamento do HIV", afirmou.
De acordo com ele, as pessoas com esses comportamentos de risco muitas vezes não sabem se proteger ou não têm acesso a preservativos, agulhas e seringas.
"Mesmo em países onde a epidemia tem um altíssimo impacto, como Suazilândia e África do Sul, uma grande proporção da população não acredita estar sob risco", acrescentou.
Há quase 40 milhões de adultos e crianças contaminados pelo HIV no mundo, e a doença cresce em todas as regiões do mundo, especialmente no leste da Ásia e na região formada por Europa Orienta/Ásia Central, de acordo com o último relatório das agências da ONU.
Louise Arbour, alta comissária da ONU para Direitos Humanos, lembrou os governos sobre seu dever de ampliar o acesso de todos os doentes aos medicamentos anti-retrovirais, sem discriminação.
"Isso significa responsabilizar os governos por obrigações de efeito imediato, por exemplo, onde o processo de ampliação do acesso [aos medicamentos] discrimine contra certos grupos, como as crianças, os envolvidos na venda de serviços sexuais ou os usuários de drogas injetáveis", disse Arbour em nota.
O secretário-geral da ONU, Kofi Annan, disse que a Aids se tornou o maior desafio de toda uma geração, mas que o mundo passou tempo demais negando a epidemia, que surgiu há 25 anos.
"A responsabilização -- tema deste Dia Mundial da Aids -- exige de cada presidente e primeiro-ministro, de cada parlamentar e político, que decida e declare que 'comigo a Aids pára"', afirmou.
(Reportagem de Stephanie Nebehay)
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