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06/11/2007 - 20h00

Astros do rock (ainda) inspiram os cabelos masculinos

JULIANA LOPES
Colaboração para o UOL

Ulisses Barbosa/UOL

Cabelos do rock: navalha, capa de oncinha e atendimento domiciliar encantam os rapazes

Cabelos do rock: navalha, capa de oncinha e atendimento domiciliar encantam os rapazes

Coloque um popstar de cabelo verde cantando e/ou tocando um sucesso musical em frente a uma platéia e a resposta vem rápido: muitos cabelos verdes passearão pelas ruas, shoppings, escolas. Outras bandas terão cabelo verde para lembrar daquela. E assim segue a eterna equação de "música + moda" que, pensada ou não, sempre deu e continua dando muito certo.

A história da moda no rock e o rock na moda é antiga - vide a saga de Elvis Presley e seu topete que, não raro, pode aparecer em alguma esquina. Os estilos vêm e vão: cabeludos metaleiros, moicanos punks, topetes com gel dos rockabilly. Mas uma marca desta nossa época, principalmente nas bandas popularmente chamadas de "alternativas" (que seria um oposto do rock clássico, mas que hoje já é tão presente que virou regra, e não exceção), é o famigerado "cabelo-inglês-esfiapado", o cabelo presente em dez de dez bandas de "brit pop". Este "cabelo-inglês-esfiapado" pode vir de várias misturas. Podemos pegar o corte de cabelo dos Beatles nos anos 1960 e passar uma navalha - esta aí o cabelo do Noel Gallagher, do Oasis. Ou podemos pegar o cabelo do Ron Wood, dos Rolling Stones, nos anos 1970, e está aí o cabelo (veja álbum de fotos com passo a passo), do baterista do Forgotten Boys, banda paulista de rock "alternativo".

"Cabelo não é roupa, mas é linguagem de moda", diz o professor de história da moda da Faap, Santa Marcelina e Anhembi-Morumbi, João Braga. E por que estes cabelos dos anos 70 ainda inspiram os jovens de hoje? "Porque lembram transgressão. É uma marca da contracultura desta época. Talvez os jovens de hoje nem sejam tão transgressores, porque hoje em dia não há uma ideologia forte nesta geração. Mas tentam imitar os ídolos para serem tão contraventores quanto eles. Eles captaram a estética no universo da moda, já que esta atitude é contemporânea", filosofa. Resumindo: se queremos ser "modernos" como alguém, o cabelo deste alguém é um ótimo código para nos inspirar. "A partir da década de 60, os grupos que eram chamados na década de 80 de 'tribos', sempre estão ligados a um grupo musical. É a música que cria personagens com os quais os jovens se identificam", explica o professor. Veja álbum de fotos dos astros do rock mais copiados.

Homens no salão

Ao contrário das mulheres, que chegam ao salão de cabeleireiros com uma foto de alguém que querem copiar ou avisam "quero cortar igual ao da fulana", os homens são mais tímidos ou não entendem tanto de celebridades. "Ninguém chega aqui dizendo que quer o cabelo igual ao de fulano", diz Ciça Schlithler, do salão Lux, na Vila Madalena, em São Paulo. Uma das facetas de Ciça é ser uma "cabeleireira do rock", especialidade não tão divulgada, mas muito procurada por quem quer ficar com um cabelo nada "careta", "cafona" ou "certinho". Ciça começou a ficar conhecida como "a moça que sabe cortar um cabelo do rock" depois que começou a cortar os cabelos do namorado e de toda a banda dele, a Mortos em 69. Embora quase nenhum dos rapazes saiba dizer muito de quem é o cabelo de seus sonhos, a Ciça entende o recado quando alguém diz que quer o cabelo "bem rock and roll" ou então "bem bagunçado". "Na hora eu já lembro do vocalista do Arctic Monkeys, do cabelo do Julian Casablancas, dos Strokes (no começo da carreira) e também dos da banda Rolling Stones na década de 70. Este cabelo é uma referência inglesa", diz ela. "O que é bastante pedido aqui é aquele cabelo mais comprido, mas bem desfiadinho. A referência são as bandas da Inglaterra mesmo", confirma o cabeleireiro Bruno Cardoso, do Mundorama, salão moderninho da Galeria Ouro Fino, na rua Augusta, em São Paulo.

Largados, pero no mucho
Apesar dos rapazes dizerem que querem um cabelo "bem bagunçado", estes cortes estão longe de ser uma "bagunça". "Tem gente que chega ao cúmulo de dizer 'por favor, erra um pouco'. Se eu errar, na verdade, vai ficar feio e não todo espetadão e com estilo, como eles querem", explica Ciça, que também corta o cabelo do produtor musical Carlos Eduardo Miranda. O pedido para errar vem, geralmente, de alguém (geralmente homem) que já está cansado de procurar quem entenda seu desejo estético. "Já fui cortar em muitos lugares e saí frustrado de quase todos eles", confessa Flávio Cavichioli, baterista da banda Forgotten Boys, que não sabia bem explicar o que queria ou então, segundo o próprio, não havia encontrado os "cabeleireiros do rock" .

Embora gastem tempo arrumando as madeixas, homens roqueiros não admitem toda essa vaidade. "Para nós, a música está em primeiro lugar. O show tem que dar certo, o som tem que estar bom. Não ficamos pensando em ficarmos lindos, apenas em não ficarmos horríveis", relativiza Chuck Hipolitho, vocalista dos Forgotten Boys e marido da atriz global Débora Falabella.

Para não ficarem "horríveis", não basta que o cabeleireiro entenda de rock e moda, mas que saiba cortar bem. "O look é bagunçado, mas na verdade é bem trabalhoso. Cortamos mecha por mecha, às vezes com navalha, às vezes com tesoura. Não pode ficar tudo do mesmo comprimento, sem as pontas, senão perde a graça", diz Ciça, do Lux. "Se eu começar a navalhar de qualquer jeito, podem ficar buracos, a pessoa pode ficar sem cabelo ou simplesmente o cabelo não arrepiar, ficar lambido", completa a cabeleireira Ariane, a Nani, que, seguindo outra tendência de cabeleireiros modernos, costuma ir na casa das pessoas para cortar as madeixas.

Corte delivery

Nani, assim como outros cabeleireiros alternativos, optam por cortar os cabelos nas casas das pessoas. Para os meninos que ficam um pouco tímidos de aparecer no salão, é o esquema ideal. Ela leva sua maleta com todos os apetrechos, que incluem uma navalha superafiada, uma capa (de oncinha!), tesouras, secador profissional, chapinha, spray e pomada. Formada em moda pela Faculdade Santa Marcelina, começou cortando e pintando o próprio cabelo na adolescência. Os amigos gostaram e pediram para ela também cortar. Presença constante na cena rocker de São Paulo - ela também discoteca em clubs como o Inferno e o Outs, na Augusta -, acabou cortando cabelos de vários amigos e do vocalista da banda Fresno, Lucas, o que lhe rendeu uma aparição no especial Família MTV. Indicada por Chuck, que adora cortar cabelo com "amigas que sabem", Nani foi até a casa de Flávio para cortar o dele. Molhou, cortou, secou e passou chapinha. Antes de começar, mostrou, no computador do baterista, uma foto do Ron Wood, dos Rolling Stones. "É assim que ele gosta", afirmou Eleonora, mulher de Flávio que, depois de um sorrisinho tímido, entregou seus cabelos para a amiga tatuada. O resultado você vê aqui.


Serviço:
Salão Lux: 0/XX/11 3031-5511
Mundorama: 0/XX/11 3063-9834
Nani, hair delivery: 0/XX/11 9740-0013
Hospedagem: UOL Host