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26/06/2009 - 19h13

Cabeleireiros comentam a importância do corte "Farrah Fawcett"

DANIELA SALÚ
Da Redação
A atriz Farrah Fawcett, que morreu nesta quinta-feira (25), aos 62 anos, vítima de um câncer retal, teve um dos cabelos mais copiados nas décadas de 70 e 80, graças ao seu personagem no seriado "As Panteras". O corte em camadas, com as pontas viradas para fora, entrou para a história dos salões de todo o mundo. UOL Estilo falou com alguns profissionais de beleza sobre a revolução que esse corte provocou nas cabeças da época, com influência até os dias de hoje:
  • AP

    A atriz Farrah Fawcett nos anos 70 com o cabelo que virou um marco na época


"Acho que houve uma junção de fatores. O corte pigmaleão 70 virou um sinônimo de mulher poderosa, sexy e bonita, e tem muito a ver com a Farraw e seu personagem. Ela era bonita e poderosa, e na época, as mulheres tinham um quê de exagero, eram totalmente sexies. Se fosse feito em uma mulher comum, talvez não tivesse virado a febre que virou, ficando marcado com o próprio nome da atriz. De uma maneira repaginada, ainda tem muita gente que usa esse tipo de escova, mas não tão volumosa. O corte pode ser usado em cabelos lisos ou crespos, mas tem por obrigatoriedade uma finalização com escova e spray fixador."
Beto Carramanhos, cabeleireiro do Rio de Janeiro

"Esse corte foi um marco em relação à época. Eles queriam lançar um perfil de mulher moderna, descolada, que conseguia resolver qualquer parada, e como tal, ela tinha de ter um cabelo proporcional ao personagem. É um cabelo pedido até hoje, mas com pontas mais desfiadas, não tão modeladas. É uma versão atual, novamente marcando época, para a mulher moderna, que não tem muito tempo para se arrumar. Ele sempre vai ditar moda."
Bruno Barros, cabeleireiro do salão Crystal Hair Leblon, no Rio de Janeiro

"Na época foi um corte muito expressivo que apareceu no término da época hippie, quando os cabelos eram muito pesados. Ele trouxe mais sensualidade, delicadeza e leveza, e justamente por isso virou uma referência. A atitude do personagem, de uma mulher mais forte, marcou muito. Esse corte ganhou muitas releituras e hoje é mais suave, com camadas mais longas, que pode ser feito em qualquer tipo de cabelo, e cada um vai ter um aspecto diferente. É muito versátil."
Eron Araújo, cabeleireiro do Studio W Iguatemi, em São Paulo
  • EFE

    A atriz Farrah Fawcett (à dir) com as colegas do seriado "As Panteras"


"Sem dúvida esse cabelo foi inovador, até hoje tem clientes que chegam e pedem o cabelo das 'panteras'. Claro que ele não precisa ser tão exagerado. As mulheres da alta sociedade gostam de um cabelo com volume e pontas trabalhadas, e com uma boa escova, pode ficar bem em qualquer tipo de fio."
Guilherme Cassolari, cabeleireiro do Cassolari's, em São Paulo

"Esse corte deixou um monte de cabeleireiro rico. Ela trouxe a mulher de volta para o salão, porque não se fazia esse penteado em casa. Muito cabeleireiro saiu do buraco por causa da Farrah Fawcett. Ela foi um ícone do nosso trabalho, como a Lady Di. Todo mundo queria aquele cabelo esvoaçante. Muitos profissionais continuaram fazendo esse corte, mesmo depois que saiu de moda. No começo dos anos 90 já era considerado brega, daí começaram a vir os cabelos mais lisos. Hoje não vejo ninguém mais pedir, saiu totalmente de moda."
Ivan String, cabeleireiro do Studio W Iguatemi e criador do projeto Tesourinha, em São Paulo

"Aquele tipo de cabelo pode ser chamado de 'wind blow', pois é realmente como se fosse soprado pelo vento. Tem leveza e movimento, para mulheres seguras e livres. Hoje percebemos que vamos sentir para sempre o perfume de Farrah nas cabeças das mulheres. É uma perda histórica, um ícone de estilo feminino."
Marcos Proença, cabeleireiro do salão Pelu, em São Paulo

"O seriado 'As Panteras' mostrou uma coisa de poder e força, e por isso acho que esse corte ficou tão marcado. Das três, a Farrah ganhou força por ser a única loira. Era um corte de referência para a mulher mais 'pantera', que acabou sendo reinventado de várias outras formas, virando 1001 cortes diferentes, que variam conforme a estrutura do cabelo."
Max Weber, cabeleireiro de São Paulo

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