Os móveis e peças criados por profissionais originários da fria região nórdica dificilmente passam despercebidos em um ambiente. Suécia, Noruega, Finlândia, Dinamarca e Islândia são países com tradição em lançar no mercado objetos para casa que primam pelo design simples, mas ao mesmo tempo, sofisticado. "O produto escandinavo consegue combinar a funcionalidade com a fusão de formas humanas e naturais. Embora seja industrial, ele tem uma qualidade percebida típica do produto artesanal", afirma Leonardo Mangiavacchi, diretor da escola de design do Instituto Europeo di Design (IED), em São Paulo.
Nomes como Alvar Aalto, Tapio Wirkkala, Eero Saarinen, Arne Jacobsen e Hans Wegner garantiram um lugar de destaque na história do design. Um exemplo é a poltrona Egg, de Jacobsen, criada em 1957, que mantém a sua ousadia e modernidade até os dias de hoje.
Estrutura aparente e valorização dos materiaisO design nórdico passou a ter projeção na década de 1950. "De alguma forma, a guerra acabou promovendo a indústria. Com o final da Segunda Guerra Mundial, as fábricas precisavam reorientar a sua produção, e cada país foi procurando seus caminhos", conta Leonardo Mangiavacchi, do IED. Segundo ele, o design da região teve como preocupação tirar proveito do sistema produtivo desde o início. Ao invés de recorrer ao rebuscamento típico do artesanato, os profissionais nórdicos preferiram explorar o que a máquina conseguia fazer bem. "Eles conseguiram enxugar a forma, sem perder a leveza, a fluidez e a sinuosidade", diz.
O trabalho dos designers nórdicos sempre valorizou as características dos materiais naturais, como os veios das madeiras, e a estrutura dos objetos, deixando-a aparente. A opção por formas simples, além de ser uma afirmação estética, tinha como propósito facilitar o trabalho da máquina. Os detalhes da estrutura passaram a ganhar atenção. "Se há um parafuso, ao invés de tentar escondê-lo, ele será desenhado com mais cuidado. Como as peças têm poucos elementos, cada um é bastante valorizado", afirma o diretor do IED.
Altos e baixos do estilo funcionalAté os anos 1970 as características típicas do design escandinavo desfrutaram de muito sucesso. Já na década de 80, o funcionalismo e a "frieza" começaram a entrar em decadência. "Houve um contraponto (por parte de outras correntes de design), voltaram a usar cores e a valorizar a emoção que andava muito esquecida", explica Leonardo Mangiavacchi. Neste momento, o design nórdico perdeu um pouco do seu prestígio, ganhando força novamente a partir dos anos 90.
Atualmente, o design dos profissionais nórdicos ganha novo interesse graças ao seu pioneirismo na utilização de madeiras de reflorestamento e sua preocupação com a sustentabilidade dos projetos. "No século 19, o móvel era sempre pesado. A riqueza estava associada à quantidade de 'matéria'. Hoje estamos caminhando para uma 'imaterialidade'. Tudo deve ser leve, senão é visto como um trambolho", diz o diretor do IED.