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01/07/2009 - 21h12

Design nórdico cria peças simples e sofisticadas; saiba mais

DANIELA SALÚ
Da Redação
Os móveis e peças criados por profissionais originários da fria região nórdica dificilmente passam despercebidos em um ambiente. Suécia, Noruega, Finlândia, Dinamarca e Islândia são países com tradição em lançar no mercado objetos para casa que primam pelo design simples, mas ao mesmo tempo, sofisticado. "O produto escandinavo consegue combinar a funcionalidade com a fusão de formas humanas e naturais. Embora seja industrial, ele tem uma qualidade percebida típica do produto artesanal", afirma Leonardo Mangiavacchi, diretor da escola de design do Instituto Europeo di Design (IED), em São Paulo.
  • Folha Imagem

    A Poltrona Paimio, do finlandês Alvar Aalto, criada em 1932


Nomes como Alvar Aalto, Tapio Wirkkala, Eero Saarinen, Arne Jacobsen e Hans Wegner garantiram um lugar de destaque na história do design. Um exemplo é a poltrona Egg, de Jacobsen, criada em 1957, que mantém a sua ousadia e modernidade até os dias de hoje.

Estrutura aparente e valorização dos materiais
O design nórdico passou a ter projeção na década de 1950. "De alguma forma, a guerra acabou promovendo a indústria. Com o final da Segunda Guerra Mundial, as fábricas precisavam reorientar a sua produção, e cada país foi procurando seus caminhos", conta Leonardo Mangiavacchi, do IED. Segundo ele, o design da região teve como preocupação tirar proveito do sistema produtivo desde o início. Ao invés de recorrer ao rebuscamento típico do artesanato, os profissionais nórdicos preferiram explorar o que a máquina conseguia fazer bem. "Eles conseguiram enxugar a forma, sem perder a leveza, a fluidez e a sinuosidade", diz.
  • Folha Imagem

    A poltrona Egg, de Arne Jacobsen, criada em
    1958, é um modelo de sucesso até hoje


O trabalho dos designers nórdicos sempre valorizou as características dos materiais naturais, como os veios das madeiras, e a estrutura dos objetos, deixando-a aparente. A opção por formas simples, além de ser uma afirmação estética, tinha como propósito facilitar o trabalho da máquina. Os detalhes da estrutura passaram a ganhar atenção. "Se há um parafuso, ao invés de tentar escondê-lo, ele será desenhado com mais cuidado. Como as peças têm poucos elementos, cada um é bastante valorizado", afirma o diretor do IED.

Altos e baixos do estilo funcional
Até os anos 1970 as características típicas do design escandinavo desfrutaram de muito sucesso. Já na década de 80, o funcionalismo e a "frieza" começaram a entrar em decadência. "Houve um contraponto (por parte de outras correntes de design), voltaram a usar cores e a valorizar a emoção que andava muito esquecida", explica Leonardo Mangiavacchi. Neste momento, o design nórdico perdeu um pouco do seu prestígio, ganhando força novamente a partir dos anos 90.

Atualmente, o design dos profissionais nórdicos ganha novo interesse graças ao seu pioneirismo na utilização de madeiras de reflorestamento e sua preocupação com a sustentabilidade dos projetos. "No século 19, o móvel era sempre pesado. A riqueza estava associada à quantidade de 'matéria'. Hoje estamos caminhando para uma 'imaterialidade'. Tudo deve ser leve, senão é visto como um trambolho", diz o diretor do IED.

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