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Atualizada em 15.07.2016 16h33

Conheça as origens do pilates, prática que beneficia o corpo e a mente

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Método criado no século 20, o pilates envolve força muscular, autocontrole, consciência na respiração e filosofia de movimento imagem: iStock

Danielle Rotholi Balensifer

Método que exige autocontrole e precisão foi criado por um alemão na primeira metade do século 20. Com a ajuda da mulher, ele desenvolveu a técnica que conquistou adeptos mundo afora.

Hoje mundialmente conhecido, o pilates envolve força muscular, autocontrole, consciência na respiração e filosofia de movimento. A complexa compilação de exercícios foi criada por Joseph Hubert Pilates, com o auxílio da esposa.

Nascido no ano de 1883 no estado alemão da Renânia do Norte-Vestfália, Pilates teve uma infância marcada por problemas físicos e respiratórios, como asma, febre reumática e raquitismo. Já na juventude, ele se interessou pelo treinamento e fortalecimento do corpo, inteirando-se sobre ginástica, esqui, fisiculturismo, ioga e meditação.

Durante a Primeira Guerra Mundial, Joseph Pilates passou um período detido e usou a reclusão para estudar a fundo o movimento dos animais e a prática da ioga e desenvolver sua própria metodologia. Detentos participavam dos sistemáticos exercícios, e há supostos registros de que eles sobreviveram ilesos à forte epidemia de gripe da época, além de demonstrarem ótima saúde apesar de confinados.

De acordo com a Associação Brasileira de Pilates, nesse período Joseph "usou as camas hospitalares e outros artefatos [cintos, lastros e molas] para fortalecer enfermos, desenvolvendo os primeiros protótipos dos aparelhos hoje conhecidos".

Após a guerra, Pilates voltou para Alemanha, onde trabalhou como preparador físico, especialmente com policiais de Hamburgo e bailarinos. Por volta de 1925, ele emigrou para os Estados Unidos, e, na viagem, conheceu a enfermeira Clara Zeuner, sua futura mulher e parceira no desenvolvimento do método que se tornaria mundialmente famoso.

Em Nova York, Joseph Pilates abriu um centro de treinamento no mesmo prédio do New York City Ballet. A dedicação de Clara foi fundamental para organização de seu método, além de incrementá-lo para reabilitação corporal. Famosos dançarinos e coreógrafos da época tornaram-se adeptos, como Martha Graham e George Balanchine. A essa altura já estava integrada à "filosofia Pilates" a importância da dança e do movimento para o equilíbrio do corpo e da mente.

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Os exercícios trazem melhorias na circulação, no condicionamento físico e na resistência respiratória e muscular imagem: iStock

Joseph Pilates escreveu suas teorias e métodos em livros como "Sua Saúde e Retorno à Vida pela Contrologia", nome pelo qual o inventor chamava a técnica. Ele também foi inventor de mais de 20 aparelhos especialmente desenvolvidos para a prática, que utilizam o peso do próprio corpo e exigem propulsão do usuário.

Depois do marido, aos 84 anos, Clara continuou a dirigir o estúdio do casal por dez anos, até morrer em 1977. A prática continuou através de seus pupilos, treinados ao longo de 50 anos.

Fortalecimento e consciência corporal
Como uma filosofia do movimento, os mais de 300 exercícios criados pelo casal Pilates promovem alinhamento mental e físico, consciência corporal e fortalecimento e alongamento dos músculos.

O treino tem como principais benefícios melhorias na circulação sanguínea, no condicionamento físico e na resistência respiratória e muscular. Os movimentos são feitos lentamente, exigindo atenção do praticante.

A contrologia passou a ser conhecida pelo sobrenome de seu desenvolvedor graças à popularização de publicações na década de 1980 que compilaram seus ensinamentos. Friedman e Eisen, por exemplo, sintetizaram seis princípios no livro "The Pilates Method of Physical and Mental Conditioning": respiração consciente, concentração, controle, fluidez, precisão e centralização da força.

Deve-se reforçar que a difusão dos ensinamentos de Pilates adaptou-se às preferências de seus discípulos, gerando diferentes vertentes. Detalhes como aparelhos usados e nomenclatura dos princípios podem se diferenciar dependendo do difusor do método.

Popularização no Brasil
De acordo com a Aliança Brasileira de Pilates (Abrapi), a primeira pessoa a difundir a técnica no país foi a baiana Alice Becker Denovaro, abrindo um estúdio em Salvador no ano de 1991. Graduada em Dança pela Universidade Federal da Bahia e mestre em Coreografia pelo California Institute of The Arts, Alice trouxe consigo dos Estados Unidos o primeiro aparato de pilates.

Cada metrópole brasileira teve seu próprio pioneiro, como a dançarina Ruth Rachou, em São Paulo, que trouxe o método para seu espaço de dança em 1993. Quatro anos depois, Elaine de Markondes começou os trabalhos em Curitiba, após participar de diversos cursos e workshops.

O crescimento da prática de pilates foi tamanho no país que Denovaro notou a necessidade de unificar os profissionais de pilates na Abrapi, sendo a primeira presidente da organização.

Criada nos moldes da associação americana Pilates Method Alliance, a Abrapi estabeleceu um parâmetro de qualidade para prática do pilates, produzindo um guia próprio listando os 300 exercícios catalogados pelos discípulos diretos de Joseph Pilates, assim como sua nomenclatura.

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