Alimentação

Dieta da meta real

Isabela Leal e Ana Paula Rafanini

Para o UOL Ciência e Saúde

O que propõe
O meta real é um método de aprendizado alimentar que discute questões de comportamento que envolvem comida, fome e o ato de comer em palestras semanais, tendo sempre como foco o emagrecimento. “O ponto central é ensinar a distinguir a fome física, que é provocada por uma necessidade orgânica real pelo alimento, da psicológica, aquela que faz a gente assaltar a geladeira porque está infeliz”, resume Roseli Masi, coordenadora geral do Meta Real, de São Paulo.

Esse programa alimentar é um guia (literalmente, com sugestões de consumo), no qual a pessoa escolhe os alimentos que deseja, compondo uma refeição balanceada e equilibrada. Em cada aula se discutem informações sobre alimentação, comportamento e atitude, apontando maneiras de mudar seus conceitos sobre alimentação e sobre si mesmo.

Como é feita
Na primeira reunião cada pessoa recebe um disco com os principais grupos alimentares (construtores, energéticos e reguladores), subdividido em seis cores para facilitar as escolhas de forma adequada. Não existe nenhum alimento proibido, há 42 opções de cada grupo de alimentos. “É permitido pizza, sorvete, tapioca, camarão. E ainda é possível pegar mais de um alimento de um grupo alimentar, desde que se respeite a quantidade das porções, também mencionadas no disco”, exemplifica Masi.

“Esse programa é uma ferramenta equilibrada para a perda de peso, pois trabalha a educação nutricional sem excluir grupos de alimentos importantes”, destaca a nutricionista Cynthia Antonaccio, de São Paulo. “Outra vantagem é contextualizar a vida social, problema real quando se faz uma dieta. E claro, o fato de estabelecer limites para a quantidade de alimentos também é uma técnica que funciona”, complementa a especialista.

Paralelamente, cada um aprende a reconhecer os sinais do corpo, como a fome física e a saciedade, sinal de satisfação que se manifesta 20 minutos após o início da ingestão. A recomendação é fazer três refeições por dia (café da manhã, almoço e jantar), mastigando de 15 a 25 vezes cada porção ou até virar papinha, durante 20 minutos, tempo necessário para se atingir a saciedade.

O intervalo digestivo entre as refeições, balanceadas e completas, deve ser de 5 a 6 horas e há também a opção de uma quarta refeição. "Nesse caso, a pessoa escolhe apenas um item de um dos grupos alimentares, e deve esperar um intervalo digestivo de 2 horas e meia ou 3 horas. Essa refeição é opcional e vai depender da rotina da pessoa, para que não fique muitas horas sem comer”, esclarece a coordenadora.

Por dia, as mulheres consomem em média 1.200 calorias; os homens, 1600,  e as crianças, 1700. Isso durante o primeiro mês. Após esse período, será feita uma avaliação junto ao orientador e se a pessoa estiver reeducada, o que significa saber reconhecer o sinal da fome física, mastigar bem e respeitar a saciedade, poderá ter a liberdade de comer o que quiser, mantendo o balanceamento das refeições e a disciplina de como comer, ou seja, não fica mais dependente de uma dieta.

Promessa
A média de emagrecimento é de 4 a 6 kg por mês.

Contraindicação
Para seguir o método, não se pode ter nenhuma doença ou alteração orgânica. “Caso contrário, a pessoa pode se prejudicar por um consumo muito reduzido de calorias. Quem tem distúrbios alimentares também deve evitar o método, já que nesses casos, qualquer dieta, até a mais equilibrada, é contraindicada, já que induz à restrição, e conseqüentemente à compulsão”, alerta a nutricionista Cynthia Antonaccio. Aqueles que tiverem algum problema devem levar o programa alimentar ao seu médico ou nutricionista, para que ele faça as adaptações necessárias.

Eu fiz
“Frequentei as reuniões durante um ano e foi realmente útil para me reeducar à mesa. Nesse período emagreci 13 kg.

Duas coisas foram essenciais, a primeira foi parar de comer bobagens fora de hora, ficar beliscando, já que só se pode comer nas refeições. Outra coisa é que antes eu comia rápido e sem mastigar, agora aprendi e passei a prestar mais atenção no que estou comendo e acabo reduzindo as porções, já que me sinto satisfeita mais rapidamente também.

O mais difícil foi me adaptar e deixar de comer fora de hora. Por exemplo, tinha mania de comer doce no meio da tarde, mas aprendi que é melhor como sobremesa, na hora da refeição. O segredo desse programa é incorporar as normas e ter consciência de que é preciso algumas mudanças de hábito. Há dez meses mantenho o meu peso seguindo as premissas do programa por minha conta.”
Dalva Garcia, 49 anos, técnica de laboratório de São Paulo

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