Alimentação

Com fama de emagrecedor, óleo de coco é mais calórico que manteiga

Do UOL

Em São Paulo

Se você é o tipo de pessoa que fica de olho em qualquer novidade para emagrecer, certamente já incluiu o óleo de coco no seu cardápio. Desde que algumas reportagens anunciaram que o alimento ajuda a afinar, as lojas de produtos naturais não pararam de repor os estoques. Mas especialistas ouvidos pelo UOL Dieta e Boa Forma são menos otimistas e alertam que, como qualquer outro óleo, o de coco é cheio de calorias.

“Com 110 calorias por colher de sopa, o óleo de coco é mais calórico que a manteiga, que tem 74 calorias”, comenta a endocrinonlogista Ellen Simone Paiva, uma das autoras do blog Comer Sem Culpa. Ou seja, quem segue a recomendação de consumir duas ou três colheres de sopa por dia do óleo acaba consumindo 220 ou 330 calorias. Para se ter uma ideia, o hambúrguer simples do Mc Donalds tem 250 calorias.

A endocrinologista ainda ressalta que o óleo de coco é rico em gordura saturada. “Sabemos que, em animais, o óleo de coco aumenta o LDL (colesterol ruim) e os depósitos de gordura no fígado”, diz. “Não há dúvida de que, a longo prazo, ele é totalmente inadequado em uma dieta”, conclui.

Para a médica, os benefícios atribuídos ao produto no que se refere ao emagrecimento não passam de efeito placebo. Ou seja, a pessoa se propõe a usar o óleo de coco, mas passa a comer menos e a se exercitar mais, atitudes que levam naturalmente à perda de peso, independente do consumo do suposto emagrecedor.

"Emagrecedores naturais"

Ela também é cética em relação a outros “emagrecedores naturais” como a quitosana, o extrato de feijão branco e bebidas ricas em cafeína, como chá verde e café verde. A médica acredita que medidas simplistas para perder peso e com conotação milagrosa só atrapalham o tratamento da obesidade, uma vez que desencorajam as pessoas a buscarem as mudanças realmente necessárias para vencer a balança.

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A nutricionista Mariana Del Bosco, da Abeso (Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade), também adota uma posição conservadora em relação aos produtos naturais que prometem perda de peso. Na opinião dela, se as drogas pesquisadas e aprovadas com esse fim, que possuem uma série de efeitos colaterais, não são capazes de conter a obesidade, o que dizer de fitoterápicos sem evidência científica?

Para ela, ainda que a gordura presente no óleo de coco tenha propriedades interessantes, é preciso levar em conta o bom senso. “Será que não é melhor temperar a salada com um bom azeite do que engolir duas colheres de óleo de coco no café da manhã?”.

Efeito tênue

Já para o endocrinologista especializado em nutrologia Mohamad Barakat, muitos desses produtos naturais vendidos com apelo para emagrecer têm sua utilidade. Para ele, o óleo de coco, por exemplo, é um ótimo alimento. “Ele é termogênico, acelera o esvaziamento intestinal e é bom para atletas por ser rico em triglicerídeos de cadeia média”, diz. Ele diz que o óleo de cártamo, outra gordura que ficou famosa entre frequentadores de academia, também possui efeitos parecidos.

O médico diz que, associados a uma educação alimentar, suplementos como esses óleos, o café e o chá verdes, entre outros produtos, funcionam a longo prazo. “É tênue o efeito, mas é real”, considera. Ele enfatiza que o resultado não pode ser comparado a remédios que cortam a fome, como os derivados de anfetamina. E alerta que não adianta tomar todos esses suplementos juntos se não houver mudança de comportamento - se a pessoa não comer menos e se exercitar mais, não vai ter resultado algum.

Se você decidir experimentar um desses produtos naturais para emagrecer, lembre-se de consultar um profissional de saúde. Fique atento às pesquisas divulgadas sobre os suplementos (a maioria é feita com um número pequeno de pessoas e, portanto, tem resultados questionáveis). E também verifique se o produto tem registro na Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária).

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