Boa forma

Atualizada em 14.02.2013 10h41

Ronaldo vai manter a forma? Entenda por que permanecer magro é mais difícil que emagrecer

Montagem UOL/J.Humberto, AgNews e Wallace Barbosa, AgNews
Em foto tirada no dia 17 de janeiro, Ronaldo exibe barriguinha e faz muita gente pensar que o resultado do Medida Certa foi efêmero; uma semana depois, porém, outra imagem mostra que ele está em forma imagem: Montagem UOL/J.Humberto, AgNews e Wallace Barbosa, AgNews

Rosana Faria de Freitas

Do UOL, em São Paulo

A pergunta que não quer calar: Ronaldo vai manter a forma adquirida com o programa Medida Certa, da Rede Globo, em dezembro do ano passado? Fotos publicadas no dia 17 de janeiro, em que o ex-jogador aparece numa varanda, tomando cerveja, fizeram muita gente achar que a barriguinha saliente teria voltado. Mas cliques tirados no dia 25, na praia, mostram resultados positivos: o ex-jogador aparece sem barriga e com músculos definidos. E sua presença no Carnaval do Rio também indica que está tudo bem.

No começo do desafio, exibido no Fantástico, Ronaldo estava com 118 kg. No final, alcançou 101 kg e apenas 15% de gordura. Na última sexta-feira (8), o preparador físico Marcio Atalla declarou, em uma festa de Carnaval, que o ex-jogador perdeu mais três quilos após o encerramento do programa. Procurado pelo UOL, Atalla também garantiu que o Fenômeno não ganhou um grama: “Ronaldo se mantém bem, praticando atividades físicas regularmente e se alimentando com equilíbrio”.

A expectativa do público que acompanha o ex-jogador se justifica: afinal, quem briga com a balança sabe que a grande dificuldade não é emagrecer, e sim permanecer magro. Segundo estudo feito em setembro de 2011 pela Universidade de Colorado, nos Estados Unidos, menos de 20% dos americanos que fizeram tentativas para perder peso são capazes de atingir e manter uma redução de 10% ao longo de um ano.

Outra pesquisa, realizada pelo departamento de psicologia de algumas universidades do país – entre elas as de Connecticut, Tennessee e Carolina do Norte – em novembro de 2008, mostrou que indivíduos que se lançaram em dietas muito restritivas (de até 800 calorias diárias) alcançaram grande emagrecimento inicial, mas não conseguiram estabilizar o que conquistaram, engordando rapidamente em comparação com quem aderiu a um regime mais brando e individualizado.

Efeito-sanfona

De acordo com Wilmar Accursio, endocrinologista e nutrólogo que preside a Sociedade Brasileira para o Estudo do Envelhecimento, grande parte das estratégias são eficazes, sim, porém tem efeito transitório. “Elas funcionam por um período de três a seis meses. Mais de um terço do peso perdido tende a regressar dentro do primeiro ano, e o restante praticamente volta no prazo de três a cinco anos.”

Para Atalla, o problema ocorre quando as pessoas emagrecem sem praticar atividade física. “O que mais impacta o efeito-sanfona é a falta de movimento regular, que ajuda a prevenir não apenas a obesidade como vários males de saúde”, explica.

O neurologista e psiquiatra Sidney Chioro vê a questão por outro prisma: perder peso, ele diz, compreende duas etapas: emagrecer e permanecer magro. “Como são dois processos diferentes, o sujeito só faz o primeiro. Depois de um tempo, recupera o que eliminou e ganha estrias, celulite e flacidez, além do desânimo e descrédito de que pode ser um magro estável.”

Impulso de comer

Além da atividade física propagada por Atalla, Chioro defende que é necessário, mais do que tudo, controlar o impulso de comer. “Isso sim engorda, e não comida. Vá a uma churrascaria e observe que metade dos presentes são elegantes. Falo com conhecimento de causa: há 40 anos eu estava acima do peso, e desde então afinei e conservo a forma. Por isso, insisto: são três as causas da obesidade, o tal impulso e mais retenção intestinal e resistência ao emagrecimento.”

O assunto não é só polêmico, mas sujeito a diferentes análises e conclusões. De acordo com o endocrinologista Antonio Carlos do Nascimento, as dietas restritivas estão fadadas ao fracasso a longo prazo. “Existe um vigor instintivo do metabolismo em promover o aumento das reservas calóricas. O processo é ditado geneticamente, e provavelmente se relaciona com a evolução da espécie. Assim, se você corta o aporte de calorias, seu corpo não aceitará passivamente tal perda e as células gordurosas insistentemente continuarão a liberar substâncias que incitam a ingestão alimentar", descreve.

Nascimento relata que é até possível ‘acalmar’ tal mecanismo por um tempo, mas qualquer fator adicional – como ansiedade ou angústia – será o estopim para ceder aos apelos do organismo por mais calorias.

Estilo de vida

Hábitos como comer fora com frequência agravam ao quadro, segundo especialistas. Para vender mais, comerciantes incrementam o sabor com táticas nem sempre saudáveis, como a associação de açúcares, sal e gordura. “A fórmula é imbatível para despertar a paladar. Entretanto, traz muitas calorias e não faz bem. Em casa, a falta de tempo leva as pessoas a recorrer a industrializados e congelados que obedecem a mesma regra para se tornarem atraentes ao consumidor”, salienta o endocrinologista Felipe Henning Gaia Duarte.

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