Alimentação

Certos alimentos e atitudes combatem o mau humor durante a dieta

Carla Prates

Do UOL, em São Paulo

Iniciar ou, pior ainda, reiniciar uma dieta após várias tentativas para emagrecer significa ter de passar por uma fase muito complicada. Neste período, é comum o mau humor e a irritabilidade aparecerem, prejudicando tanto o processo de emagrecimento como o nosso dia a dia.

A boa notícia é que há dois aliados nesta árdua batalha contra as alterações de humor: a nutrição preventiva e o autoconhecimento.

Segundo a nutricionista, farmacêutica e bioquímica Lucyanna Kalluf, alguns alimentos têm nutrientes que regulam os neurotransmissores, substâncias químicas responsáveis pela comunicação entre as células, aumentando sensações como prazer, bem-estar, ânimo, além de reduzir o estresse e a ansiedade.

Isso quer dizer que certos alimentos, ricos em vitamina B6, triptofano, magnésio e cálcio, trazem equilíbrio para neurotransmissores importantes que atenuam o mau humor e a irritabilidade, como dopamina, noradrenalina, serotonina e endorfina.

Portanto, a alimentação preventiva melhora a atividade cerebral, uma vez que pode estimular a produção desses neurotransmissores. E, se perder peso significa ficar irritado e de mal com a vida, além das calorias, outro ponto de atenção deve ser a inclusão desse tipo de alimento em sua dieta.

Vale lembrar também que uma alimentação equilibrada é o passo fundamental, seja para emagrecer ou manter o humor em dia. Segundo Kalluf, é preciso prover as necessidades nutricionais básicas diárias, incluindo melhor adequação de vitaminas e minerais, aumentando a ingestão de verduras e frutas. “O ideal por dia é comer cinco porções de frutas e dois pratos de hortaliças, com muitas folhas verde-escuras”.

Emoções podem atrapalhar processo

Outro “amigo do bom humor em dietas” é o autoconhecimento. O psicólogo e psicoterapeuta especialista em programas de emagrecimento Marco Antonio De Tommaso explica que a comida funciona como um redutor de tensão a curto prazo. Quando se diminui a qualidade ou a quantidade de comida, esse artifício cai por terra e daí as emoções por trás da comida vêm à tona, trazendo irritação, nervosismo, mau humor. “E isso acontece muitas vezes sem que as pessoas percebam, sem que tenham consciência de que algumas emoções podem ser ‘acalentadas’ pela comida”. 

O psicólogo esclarece que a origem desse comportamento pode estar na primeira infância. “Ao se expressar pelo choro, o bebê é acalentado pelo peito da mãe, sendo este o primeiro modelo que o ensina a consolar a tensão por meio do alimento”, explica.

Diante desta perspectiva, a obesidade pode ser traduzida como a forma inadequada de expressarmos nossas emoções. É neste ponto que o psicoterapeuta orienta: “se uma pessoa consegue identificar quais emoções estão por trás da comida tem mais chance de emagrecer e permanecer magra”, evitando inclusive alterações de humor em decorrência desse processo.

Para isso, o mais recomendável é procurar a ajuda de um psicoterapeuta. Mas, de antemão, vale ficar atento a alguns pensamentos, comportamentos e emoções que podem gerar pressão, ansiedade e irritabilidade. 

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