Vida saudável

Estudo traça vantagens e desvantagens de cada estilo de corrida

Gretchen Reynolds

Do The New York Times

Com a temporada de treinamento para maratonas atingindo seu auge, é chegado o momento de voltar a conversar sobre a melhor forma de correr. A maneira como o pé dos maratonistas deve tocar o chão é motivo de um debate acalorado entre atletas e treinadores, apesar das poucas evidências que confirmam qual é o melhor método para ser utilizado durante a corrida.

Entretanto, um novo estudo pode ajudar a acabar com as disputas, sugerindo que cada estilo de corrida tem suas vantagens e desvantagens, e que a melhor forma de correr depende quase certamente do tipo de corredor que você já é.

Para o estudo publicado em junho pela revista Medicine & Science in Sports & Exercise, pesquisadores do Centro de Pesquisa em Medicina Esportiva de Tampere, na Finlândia, utilizaram tecnologias de captura de movimento para determinar de que forma 286 jovens adultos que integravam equipes esportivas da região corriam. Nenhum deles participava de competições de corrida em longa distância e todos usaram tênis de corrida normais durante os testes.

Os exames mostraram que apenas 19 mulheres e quatro homens pisavam antes com a parte da frente do pé quando corriam.
Esses números limitados estão de acordo com relatórios anteriores que, em quase todos os casos, exibiam uma maioria esmagadora de corredores – sejam homens ou mulheres, rápidos ou lentos – que pisam antes com o calcanhar.

Em um estudo revelador publicado em maio pela revista The International Journal of Sports Physiology and Performance, quase 2.000 atletas que participaram de uma edição recente da maratona Milwaukee Lakefront Marathon foram filmados na metade do percurso e tiveram a passada analisada. Cerca de 94% das pessoas demonstraram pisar antes com os calcanhares, incluindo vários dos corredores mais rápidos.

Da mesma forma, quando pesquisadores de New Hampshire estudaram corredores do batalhão do meio durante uma maratona local, eles descobriram que quase 90% deles pisava antes com o calcanhar, de acordo com filmagens realizadas após 10 quilômetros de corrida. Curiosamente, dos % restantes, a maior parte tinha passado a pisar com o calcanhar, quando foram filmados novamente perto do fim da corrida e já estavam cansados.

Apesar disso, alguns técnicos de corrida e outros especialistas questionam o hábito de pisar antes com o calcanhar, destacando que quando os corredores não usam tênis, teoricamente a forma mais natural de corrida entre os humanos, muitos – embora não todos – adotem o estilo de corrida que usa primeiro a parte da frente do pé. Segundo entusiastas, isso sugere que pisar com a parte da frente do pé é a forma inerentemente correta para os seres humanos correrem.

Entretanto, se esse for o caso, pisar com a parte da frente do pé deveria diminuir as chances de lesões causadas por corridas e essa era a possibilidade que os pesquisadores finlandeses desejavam explorar.

Por isso, eles uniram as 19 corredoras que pisam antes com a parte da frente do pé com um número igual de mulheres que pisam antes com o calcanhar, com idades, altura, peso, e ritmo de corrida similares. (Havia poucos homens que pisavam antes com a parte da frente do pé para incluí-los).

As mulheres receberam sensores de captura de movimento e foram novamente filmadas enquanto corriam. Elas também foram submetidas a testes de força nas pernas e nos quadris.

Ao unir os dados resultantes a fórmulas validadas em outros experimentos, os pesquisadores determinaram quanta força as mulheres criavam a cada passada e – o que é mais interessante – onde essa força era mais intensa.

Em geral, os joelhos, calcanhares e tendões de Aquiles são os locais onde ocorre a maior parte das lesões ligadas a corridas, de acordo com descobertas de estudos anteriores. Durante o experimento, muitas mulheres torciam o joelho, especialmente quando pisavam primeiro com o calcanhar. Essa forma de correr resultou em cerca de 16% mais força passando pelas juntas dos joelhos, se comparada com os resultados das mulheres que pisavam primeiro com a parte da frente do pé. As forças elevadas eram especialmente evidentes nas patelas de quem pisa antes com o calcanhar e com a porção média ou interior dos joelhos, em que as juntas são especialmente vulneráveis ao impacto excessivo.

Todavia, as pernas das corredoras que pisam primeiro com a parte dianteira do pé não eram imunes à força. Elas simplesmente a absorviam de forma diferente, com quase 20% mais força passando por calcanhares e tendões de Aquiles, se comparadas às mulheres que pisam primeiro com o calcanhar.

Em essência, esses resultados mostram que não é possível fugir do impacto cumulativo das corridas, não importa como pise, afirmou Juha-Pekka Kulmala, doutorando atualmente na Universidade de Jyvaskyl e líder do estudo.

Pise com o calcanhar e você irá forçar os joelhos, levando possivelmente a condições como a síndrome da dor patelofemoral. Pise com a parte da frente do pé e irá forçar o calcanhar e o tendão de Aquiles, aumentando a possibilidade de lesões como tendinopatia de Aquiles, facite plantar e fraturas de estresse do pé.

Em outras palavras, não existe uma forma indolor e invariavelmente correta de correr.

Contudo, os resultados também indicam que alterar estrategicamente a passada pode ser aconselhável para alguns corredores.

"Pessoas que sofrem de problemas no joelho podem se beneficiar da passada com impacto frontal", afirmou Kulmala. "Por outro lado, pessoas que se queixam de dores no tendão de Aquiles podem se beneficiar da passada com impacto posterior".

Entretanto, mudar a passada não é uma tarefa fácil, conforme podem confirmar os incontáveis corredores que tentam fazê-lo.
"Acredito que corredores experientes são capazes de modificar o padrão da passada com relativa facilidade”, afirmou Kulmala. "No entanto, atletas inexperientes terão mais dificuldade".

Entre em contato com um treinador de sua região para se aconselhar e peça para um amigo ou cônjuge filmá-lo enquanto corre, para que possa documentar como seu pé entra em contato com o chão. Kulmala alerta para que todas as mudanças sejam feitas com calma.

Além disso, se você tem poucas experiências com lesões e se sente confortável com seu tipo de passada, nem pense em mudá-la. Segundo Kulmala, a melhor forma de correr é aquela que permite que você se mova de forma regular.

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