Boa forma

Atualizada em 17.02.2014 16h00

Análise encontra irregularidades em suplementos de proteína para atletas

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Ao todo, 20 whey protein foram testados, mas apenas seis trouxeram valores corretos de proteína e carboidrato em seus rótulos imagem: Thinkstock/Getty Images

Do UOL, em São Paulo

Conhecido no universo de quem malha, o whey protein é um suplemento proteico que faz parte da alimentação de muitos atletas. No entanto, de acordo com uma avaliação da Proteste - Associação de Consumidores, que testou 20 suplementos desse tipo, apenas seis produtos trouxeram os valores corretos de proteína e carboidrato em seus rótulos. Cinco deles têm menos proteínas, treze mais carboidrato e um menos carboidrato do que os indicados nas embalagens.

As maiores variações foram encontradas no Four Whey Protein, fabricado pela Suplemente - Alimentação Avançada, que contém 844% a mais de carboidrato e 34% a menos de proteína. O Triple Matrix Whey NO, da Body Action, tem 320% a mais de carboidrato e 43% a menos de proteína, enquanto o Extreme Whey Protein, da Solaris Sports Nutrition, tem 288% a mais de carboidrato e 30% a menos de proteína.

A legislação permite uma variação de 20% para mais ou para menos nas quantidades dos nutrientes declarados no rótulo. Ainda assim, os 14 produtos reprovados estão fora dos parâmetros legais.

Em nota, a Body Action afirmou que tem um rígido padrão de controle de qualidade e parceria com grande laboratório de análise certificado pela Anvisa. A empresa também destaca que todas as análises e amostras coletadas de cada lote ficam disponíveis no site e podem ser consultadas facilmente pelos consumidores. “Inclusive, temos um laudo feito por outro laboratório, certificado pela Anvisa, referente ao mesmo lote do produto analisado pelo Proteste, onde os resultados não condizem com o que foi apresentado”, finaliza.

Já, a Solaris Sports Nutrition manifestou, em nota, sua discordância com o teste da associação, visto que “todos os produtos fabricados são submetidos a rigorosos testes de qualidade. Até o mês de setembro de 2013, os produtos fabricados pela SOLARIS eram submetidos a análises internas, cujos resultados sempre apontaram a CONFORMIDADE das quantidades de carboidratos e proteínas, sendo que eventuais variações estavam dentro dos limites permitidos pela ANVISA na RDC 360/2003”. Desde setembro de 2013, a empresa passou a realizar testes de qualidade por meio de laboratórios externos, “afim de afastar qualquer dúvida em relação à qualidade dos produtos por si fabricados”.

Procuradas, as outras empresas ainda não se manifestaram sobre o resultado da análise realizada pela Proteste.

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O suplemento 100% Whey Gold Standard, da Optimun Nutrition, se saiu bem na análise laboratorial, mas não traz em seu rótulo a frase: “Este produto não substitui uma alimentação equilibrada e seu consumo deve ser orientado por nutricionista ou médico”, o que contrataria a determinação da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária).

Em nota, a Glanbia, distribuidora autorizada da Optimun Nutrition no país, afirmou que já "enviou imediatamente ordem para a gráfica corrigir as etiquetas, recuperando as informações originais obrigatórias".

A ausência da frase também foi encontrada nas embalagens das marcas Elite/Whey Protein Isolate, da Dymatize Nutrition, Four Whey Protein, da Suplemente - Alimentação Avançada, Isofort/Whey Protein Isolate, da Vitafor e 100% Whey Xtreme, da X-Pharma.

As cinco marcas bem avaliadas em todos os itens foram: Top Whey 3W, da Max Titanium, 100% Pure Whey, da Probiótica, Isofusion, da Gaspari Nutrition, Whey Protein Isolate, da Now Sports, e 100% Whey Fuel, da Twinlab.

Foram analisados os rótulos dos suplementos para checar se constavam as informações obrigatórias por lei em alimentos para atletas. E no laboratório, os teores de proteína e carboidrato, comparados com os valores indicados nas embalagens dos produtos.

Embora não traga riscos à saúde, as alterações na composição nutricional podem fazer com que o atleta não alcance o resultado esperado, principalmente se sua dieta estiver calculada em função dos valores nutricionais fornecidos no rótulo.

Por isso, a Proteste enviou os resultados do teste à Anvisa e às Vigilâncias Sanitárias do Rio de Janeiro e São Paulo, pedindo a retirada dos produtos irregulares do mercado. E também enviou ofício aos Procons das duas cidades, pedindo a abertura de procedimento administrativo para adequação das rotulagens.

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