Boa forma

Conheça as dietas que secaram as silhuetas de famosas

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Gisele Bündchen, Kate Middleton e Juliana Paes imagem: Getty Images/Foto Rio News/Montagem/UOL

Por Luciana Alvarez

Do UOL, em São Paulo

Agora não tem mais desculpa: passou o Carnaval e o ano oficialmente começou. Chegou a hora de começar a pôr em prática as resoluções de ano novo e uma das mais comuns é perder alguns quilinhos incômodos. Mas encontrar uma dieta para chamar de sua não é a tarefa mais fácil do mundo. A saída óbvia é copiar o que as celebridades fizeram, mas será que o que dá certo para elas também vai funcionar no seu dia a dia? E o mais importante: as dietas da moda não podem comprometer a sua saúde?

Quem deseja emagrecer precisa comer menos quantidade, fazer opções por alimentos saudáveis, e praticar regularmente exercícios físicos, recomenda a endocrinologista Glaucia Carneiro, do ambulatório de obesidade da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp). “Esse processo exige determinação e disciplina. Para muita gente, parece mais fácil fazer uma dieta que tenha regras claras, mesmo que malucas. Só assim conseguem aderir a uma estratégia de emagrecimento, muitas vezes pondo sua saúde em risco”, afirma a médica.

“Mais importante que resultados rápidos, são resultados duradouros”, ressalta a nutricionista clínica Roberta  Soriano, que costuma trabalhar com uma equipe de diversos profissionais – educadores físicos e psicólogos para dar motivação – a fim de fazer os pacientes atingirem seus objetivos de perda de peso. “Nosso trabalho de coaching não dura menos que seis meses”, afirma.

Conheça cinco dietas que estão fazendo a cabeça de vários famosos e aprenda sobre os benefícios e riscos de cada método. 

Dieta sem glúten

Quem segue: Juliana Paes, Luciana Gimenez, Gisele Bündchen, Gwyneth Paltrow e Lady Gaga

O glúten é uma proteína vegetal presente no trigo, aveia, centeio e cevada, assim como em todos os alimentos que usam esses cereais como matéria-prima: pães, massas, bolos, biscoitos, cerveja, entre outros. Também é bastante usado em produtos processados, adicionado pela indústria alimentícia para dar “liga” e deixar uma textura macia. Portanto, é comum encontrar glúten em achocolatados, queijos, salames, salsichas, maionese, mostarda, catchup e temperos prontos.

Até poucos anos atrás, só excluía totalmente o glúten da dieta quem sofria da doença celíaca, uma intolerância ao glúten que danifica o intestino do indivíduo. Porém, atualmente, alguns médicos e nutricionistas defendem que mesmo pessoas saudáveis podem se beneficiar com uma dieta sem glúten. Supostamente, quando a proteína chega ao intestino, ela se transforma em uma “cola” que permanece no organismo por tempo demais, irritando a mucosa, atrapalhando a digestão e promovendo a retenção de líquidos. O glúten também diminuiria a produção dos hormônios serotonina, responsável pelo bom-humor, e leptina, que dá a sensação de saciedade.

Claro que, ao cortar biscoitos, pães e massas, qualquer pessoa tende mesmo a emagrecer. Porém, os benefícios para a saúde de forma geral de uma alimentação sem glúten são polêmicos. “Nenhuma dessas afirmações é baseada em evidências científicas. Algumas pessoas relatam que se sentem melhor ao cortar o glúten. Porém, elas devem procurar um nutricionista para serem orientadas sobre como encontrar outras fontes de carboidratos”, afirma a endocrinologista Gláucia Carneiro.

Os produtos com glúten podem ser substituídos por arroz (também a farinha de arroz),  milho (farinha de milho, fubá, amido de milho), batata (fécula de batata) e mandioca (farinha de mandioca, polvilho, tapioca).  

Dukan

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Ela é estruturada em quatro fases (duas para perder peso, duas de manutenção), e alguns dos alimentos podem ser consumidos à vontade. Portanto, não se passa fome. O exercício físico é obrigatório em todas as etapas.

Na primeira fase, chamada de “ataque”, a ideia é surpreender o organismo e acelerar o metabolismo. Durante um curto período (de 2 a 7 dias) pode-se ingerir apenas proteínas magras: cortes de carne pouco gordurosos, aves, peixes, ovos, leite desnatado e seus derivados, sem limite de quantidade. A única exceção é para o farelo de aveia (1,5 colher de sopa por dia) , usado para dar a sensação de saciedade. Deve-se caminhar diariamente por 20 minutos.

Na etapa seguinte, “cruzeiro”, acrescenta-se legumes e verduras à vontade, mas apenas dia sim, dia não (a batata, porém, continua vetada). A quantidade de farelo de aveia sobe para duas colheres e a caminhada, para 30 minutos. A perda de peso é mais moderada, porém, constante. Deve-se permanecer nela até atingir o peso ideal.

Alcançado o peso ideial, a pessoa entra na fase da “consolidação”. São 10 dias por quilo perdido (exemplo: para quem emagreceu 10 quilos, a fase dura 100 dias).  Carboidratos e lipídios são introduzidos de maneira moderada: é permitida uma porção de pão integral, uma de frutas e uma de queijo por dia, bem como duas porções semanais de cereais. O farelo de aveia passa para 2,5 colheres e  a caminhada deve ser de 25 minutos diários.

Acabado o processo, é a hora da “estabilização”, etapa em que a pessoa pode voltar a sua dieta padrão contanto que siga três regras pelo resto da vida: comer apenas proteínas em um dia fixo por semana; comer diariamente 3 colheres de farelo de aveia; caminhar diariamente por no mínimo 20 minutos.

Embora ninguém conteste que a dieta promova uma perda de peso rápida e significativa, ela nem sempre é considerada saudável. “Tirar o carboidrato pode até ajudar um diabético a controlar a doença, mas por um curto prazo. Só nesse caso. O carboidrato é que nos dá energia, sem ele a pessoa pode ficar deprimida. Além disso, a proteína (consumida em abundância na dieta) rouba o líquido do corpo e o indivíduo corre o risco de ficar desidratado”, afirma a endocrinologista da Unifesp Gláucia Carneiro.


Ravenna

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O psicoterapeuta argentino Maximo Ravenna, especialista em transtornos alimentares, criou um método que leva seu nome, e é oferecido apenas em clínicas oficiais. No Brasil, existem unidades em São Paulo, Brasília e Salvador. Ele tem como ponto de partida a adoção de uma dieta hipocalórica (com poucas calorias), para cortar o “excesso” alimentar. Os valores dependem de cada paciente, mas são consumidas em média 800 calorias por dia. Todos os grupos alimentares são contemplados, embora as comidas preparadas com farinha e açúcares refinados sejam vetadas – são permitidos apenas os integrais.

Para a Organização Mundial da Saúde, dietas com menos de 1 mil calorias não são saudáveis, pois não fornecem a quantidade mínima de nutrientes para o bom funcionamento do organismo. Portanto, os praticantes precisam consumir suplementos alimentares. “Além disso, a pessoa vai sentir fome”, alerta a nutricionista Roberta Soriano.

Além do auxílio nutricional, o método inclui o acompanhamento de um profissional de educação física e ajuda psicológica. O paciente participa de grupos terapêuticos, nos quais é possível falar sobre seu vínculo alimentar, dificuldades e conquistas, “reconhecendo a obesidade como um problema que não é só seu”. Não existe um tempo padrão de duração do programa; ele varia de acordo com as necessidade individuais.

Dieta paleolítica

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A premissa dessa dieta é simples: coma apenas o que você poderia caçar, matar ou colher. A dieta foi desenvolvida sobre os princípios da chamada medicina darwiniana, e seu nome faz referência ao período Paleolítico, quando o homem começou a desenvolver a agricultura.

Quem adere ao método deve comer principalmente carne, peixe, vegetais, frutos e excluir do cardápio cereais, legumes, leite e seus derivados, sal e açúcar refinado. As oleaginosas, como nozes, castanhas e amêndoas, também são permitidas. Todas as comidas industrializadas e processadas têm de ser cortadas.

Como os hábitos dos homens das cavernas incluíam períodos de jejum – eles comiam tudo o que podiam quando podiam, e ficavam sem comer quando não conseguiam alimentos – os defensores da dieta paleolítica também pregam que se faça jejuns de 24 horas esporadicamente.

Outro ponto fundamental é a realiação de exercícios físicos. Em vez de longas rotinas repetitivas, os autores pregam treinamentos de alta intensidade com intervalos. Por exemplo, fazer uma corrida rápida por 30 segundos seguida por uma caminhada de um minuto – e então volta-se a correr. Seria uma forma de “imitar” os exercícios praticados naturalmente pelo homem pré-histórico para caçar.

Apesar de os defensores da dieta alegarem que ela seria o mais natural – e portanto o mais saudável – para o organismo dos humanos, muitos profissionais da saúde discordam. A falta de alimentos com carboidratos é o principal ponto de controvérsia. “A gente utiliza os carboidratos para fazer a glicose, para o transporte entre os neurônios”, afirma a nutricionista Roberta Soriano. Além de afetar o funcionamento cerebral, a dieta pode deixar a pessoa sem energia, desencadear problemas de estômago e elevar os índices de colesterol e triglicérides.
 

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