Vida saudável

Zumba me ajudou esquecer o que acontecia, diz instrutora que venceu câncer

Thamires Andrade/UOL
Carla Braga, instrutora de Zumba que venceu o câncer imagem: Thamires Andrade/UOL

Thamires Andrade*

Do UOL, em Orlando (EUA)

Há quatro anos a brasileira Carla Braga, 45, resolveu se matricular numa aula de Zumba para conhecer novas pessoas e fazer algum exercício físico depois de ter se mudado para Daytona Beach, nos Estados Unidos. "Ouvi as músicas e me senti no Brasil. Não parei mais de praticar a modalidade", afirma a brasileira que nasceu em Niterói, no Rio de Janeiro. Foi a dança que a “puxou para frente”, como define, depois de receber o diagnóstico de câncer de mama no início de janeiro deste ano.

Carla, que é instrutora da modalidade desde o ano passado, reduziu o número de aulas, mas não parou de dançar durante o tratamento. “Reduzi de seis aulas por semana para três. Fiz 16 semanas de quimioterapia e deixei de ir em apenas uma por não me sentir bem. Nunca me lamentei por ficar quatro horas lá no hospital, na minha mente estava indo para um hotel, ficava em paz comigo mesma e traçava meus planos para as futuras aulas de dança”, conta a brasileira, que relembra que durante o tratamento bebia muita água, e toda vez que levantava, arrastava o suporte com os medicamentos dançando.

Ela usava um iPad para assistir as últimas coreografias de Zumba publicadas no Youtube, além de selecionar novas músicas para ensinar quando retornasse ao trabalho. “A Zumba tirava da minha cabeça o que estava acontecendo, foi muito importante para mim continuar trabalhando”, avalia.

Durante a quimioterapia, Carla afirma que sua atitude positiva contribuiu para o tratamento da doença. “O remédio vai fazer o que tem que fazer, mas a pessoa é responsável pelo que vier. É preciso acreditar que vai se curar, pois se não acreditar, não tem jeito. A hora que a infusão com o remédio entrava, eu olhava e ria… pensava: câncer, 'tô' te matando”, relembra com alegria.

A instrutora de Zumba afirma que ao receber o diagnóstico passou por dias intensos em que se sentia revoltada por ter a doença. “Fiquei com raiva, pois sempre fui saudável e me alimentei bem, mas depois descobri que esse sentimento apareceu, pois eu tinha medo de morrer. Logo coloquei na minha cabeça que não iria morrer disso”, afirma emocionada.

A família de Carla também foi muito importante no processo. “Minha mãe ficou muito triste, mas logo avisei para todos que não queria que ninguém sentisse pena de mim ou ficasse triste, já que o diagnóstico não era uma sentença de morte, só era algo que iria precisar lutar para tirar do meu corpo e da minha vida”, conta.

Foram os familiares de Carla que rasparam sua cabeça. “Foi um momento divertido, na verdade, porque meus irmãos rasparam minha cabeça, deixaram um moicano por um tempo”, conta. Apesar de ter ganhado muitos lenços de seus alunos de Zumba, a instrutora optou por não usar o acessório. “Para mim, o lenço me deixava como uma paciente com câncer e, apesar de eu ser, nunca me senti dessa maneira”, afirma.

A brasileira passou pela quimioterapia antes da retirada do tumor, há quase dois meses, que estava localizado na mama direita, e ficou curada da doença. Além disso, também passou por uma dupla mastectomia. “Optei por não fazer radioterapia, e como não tenho pele ou gordura extra, precisei colocar dois 'expanders', que são dois balões com água e soro que irão expandir minha pele para que os médicos possam colocar um implante de silicone no local”, explica.

No fim do ano ela irá se submeter a essa última cirurgia e já pretende voltar a dar aulas para crianças, sua paixão, no início do ano que vem. Enquanto isso, aproveita para ensinar a neta, Giovana. “A primeira música que ela gostou foi 'Show das Poderosas' da Anitta. Ela faz direitinho o movimento quando a cantora falando ‘pre-pa-ra’ e ‘ba-ban-do’", conta.

Apesar do difícil diagnóstico, Carla avalia que a doença serviu como mais uma maneira de inspirar as pessoas próximas. “Sei qual é minha missão agora. O câncer me ajuda a inspirar muito mais pessoas do que eu fazia antes”, acredita a instrutora, que se tornou ainda mais envolvida em várias campanhas de conscientização sobre a doença.

*A repórter viajou a convite da Zumba

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