Vida saudável

"Zumba é meu tarja preta", brinca instrutora que teve depressão pós-parto

Thamires Andrade/UOL
Valéria Lopiccolo usou a Zumba para tratar uma depressão pós-parto imagem: Thamires Andrade/UOL

Thamires Andrade*

Do UOL, em Orlando (EUA)

Oito meses depois do nascimento de seu filho, Ezequiel, a brasileira Valéria Lopiccolo, 40, foi diagnosticada com depressão pós-parto. “Estava a ponto de tentar suicídio, obesa e com bulimia”, relembra. Quando o médico afirmou que ela precisaria tomar um medicamento tarja preta e precisaria parar de amamentar seu filho, ela resolveu tentar a Zumba, modalidade que une coreografias com movimentos de atividades físicas. “Foi minha última tentava e foi ali que renasci, a aula que eu fiz me salvou. Hoje a Zumba é a minha tarja preta”, brinca a instrutora, que vive há 12 anos em Lake Mary, cidade próxima de Orlando, nos Estados Unidos.

Com as aulas, Valéria eliminou de 20 a 25 quilos em três meses e passou a se sentir mais feliz por retomar o contato com a dança e com suas origens. “No fim da primeira aula que fiz, a professora colocou uma música da Daniela Mercury e me emocionei, dançava, chorava e ria, tudo ao mesmo tempo. Sempre estive envolvida com dança, ia para escolas de samba e depois que me mudei para cá tinha perdido isso, pois na cidade que moro só tem americano”, conta a instrutora, que é de Bento Ribeiro, no Rio de Janeiro.

A brasileira engravidou novamente, de sua filha Zara, e continuou dançando Zumba até os sete meses de gravidez. “Só que quando ela nasceu, pegou uma gripe, e por ser recém-nascida, quase morreu. Precisei tirar o leite do peito por mais de seis meses para que ela pudesse sobreviver e não tomasse fórmulas. Quando ela voltou pra casa, ainda consegui que ela mamasse no peito”, afirma.

No entanto, o período foi difícil para Valéria que parou de se exercitar durante um ano e engordou 21 quilos. “Depois que ela melhorou voltei para a Zumba, só que minha professora ia parar de dar aula, então procurei no site para saber onde poderia encontrar outra turma e foi aí que vi a Convenção Mundial de Zumba e me tornei instrutora para poder participar da 'festa'”, afirma.

Ainda acima do peso, Valéria começou a dar aula e conseguiu emagrecer novamente. “Foi a segunda vez que a Zumba me salvou. Estava obesa, comia dois lanches do Mc Donald’s, duas barras de chocolate, tomava 1,5 litro de Coca-Cola por dia, não encontrava nada que servisse em mim. Uma vez fui num shopping comprar um vestido e quando fui abotoar, ele rasgou atrás”, revela.

Para a instrutora, a Zumba a atraiu pelo fato de os instrutores não passarem orientações em voz alta durante a aula. “A Zumba não tem língua, qualquer um, de qualquer nacionalidade, pode acompanhar a aula. Logo que cheguei aos EUA fui para uma aula de step e não conseguia entender os comandos em inglês e desisti. Se tivesse sido com a Zumba, isso não teria acontecido, pois a dança não ‘fala’, mas faz mexer”, define.

Valéria parou de dar aulas de Zumba Kids, modalidade voltada para crianças, depois de receber o diagnóstico do filho, que tem autismo. “Dava nove aulas por semana, mas precisei parar para ajudar meu filho, mas dessa vez não suspendi meus exercícios, continuei fazendo Zumba todo dia, só não dava aula”, explica.

A instrutora voltará a dar aulas e começará a ensinar a modalidade para um grupo de crianças com autismo. Valéria também pretende escrever um livro para conscientizar as mulheres sobre depressão pós-parto. “Tem várias mães com este tipo de doença que matam os filhos, cometem suicídio e não porque são assassinas, mas porque estão doentes. Muita gente pensa que é frescura, que é doença de rico, só que a depressão existe, é algo sério e deve ser tratada”, conta Valéria, que considera a aula de dança sua terapia.

Fugindo das tentações

Valéria passou a ter uma alimentação mais limpa, o que também contribuiu para o emagrecimento e para afastar a depressão. “Cortei certos alimentos do cardápio, como refrigerante, frituras, adoçantes, comidas com corantes, manteiga, maionese e alimentos diet e light”, explica a instrutora.

No café da manhã, Valéria passou a comer uma torrada integral, pois não consegue ficar sem pão logo cedo. “Mais tarde tomo um shake de proteína orgânica, coloco espinafre, couve e frutas congeladas”, ensina.

No almoço, o cardápio é composto por uma proteína grelhada (carne, frango ou peixe), legumes, salada e batata-doce. O jantar costuma ser um cardápio semelhante. “Tomo cuidado com frutas muito doces também, como a uva e a melancia”, alerta.

Atualmente, Valéria prefere fugir das tentações para evitar se descontrolar e comer demais. “A bulimia não tem cura, ela é controlada, portanto é como um vício, tento ficar o mais longe possível do açúcar para não comer mais do que devo”, afirma.

No entanto, ela libera uma refeição livre na semana. “Normalmente é quando levo meus filhos para o shopping e aí nós tomamos um sorvete”, conta.

*A repórter viajou a convite da Zumba

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