Vida saudável

Celular durante o exercício pode causar acidentes e prejudicar o ritmo

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Combinação de smartphone e exercícios físicos pode provocar acidentes na academia imagem: iStock

Ana Elisa Faria

Do UOL, em São Paulo

Não é raro entrar no vestiário da academia e encontrar alguém se fotografando ao espelho. Também é bastante comum ver pessoas malhando e, de instantes em instantes, parando o exercício para checar o celular, fazer vídeos ou responder mensagens de texto.

"Esse tipo de comportamento ficou incontrolável. Já atendi vários pacientes que caíram da esteira e se machucaram porque estavam correndo ou andando e, ao mesmo tempo, mexendo no telefone”, diz o ortopedista Ricardo Galotti, presidente da Sociedade Paulista de Medicina Esportiva. Casos de lesões, fraturas e escoriações são os mais recorrentes, segundo o médico.

“Também existem outros tipos de acidente. Certa vez, um colega meu cuidou de uma pessoa que deixou o peso do aparelho de musculação cair no pé porque estava distraída com o celular”, conta Galotti. Para ele, além das quebras --de ossos, principalmente--, a combinação smartphone e exercícios físicos é prejudicial à saúde, pois “atrapalha o desempenho do praticante”, sobretudo porque o intervalo regulado entre uma série e outra é fundamental para o músculo. Esse tempo, de acordo com especialistas, normalmente varia entre 30 e 90 segundos. 
 
Galotti, no entanto, afirma que o celular não pode ser visto apenas como vilão. “Enxergo também seu lado o bom. Se for usado adequadamente, ele oferece vários aplicativos que podem ajudar, como os de controle de batimentos cardíacos, os de rotas e afins”.
 
As academias ouvidas pelo UOL, Bio Ritmo, Competition e Smart Fit, não proíbem o uso de celular durante as aulas ou a malhação, mas todas disseram recomendar para os alunos não levarem o aparelho para o treino ou, caso levem, que respeitem o tempo de descanso indicado.
 
Além de prejudicar o resultado dos treinos e poder causar acidentes, o uso desenfreado do celular também semeia a discórdia entre os frequentadores.
 
“Já tivemos queixas de alunos que, ao perceberem que estavam perto de alguém filmando ou fazendo selfies, ficaram incomodados com a possibilidade de ter sua imagem divulgada”, revela Ivo Moraes, coordenador de musculação da Competition.
 
Para evitar que situações semelhantes a essa aconteçam na Bio Ritmo, a gerente de musculação Larissa Kussano conta que espelhos das academias da rede têm adesivos com a frase “selfie é legal, mas não no vestiário”.
 
“Achamos bacana as pessoas compartilharem e inspirarem umas às outras, mas é importante que isso não interfira no fluxo. Dá para usar o Snapchat rapidinho porque seus vídeos têm dez segundos. Agora, ficar fazendo uma sequência de filmagens ou de fotos, pode ser prejudicial”, afirma.
 
Damaris Dias, professora da Smart Fit, fala que na rádio interna da academia circulam mensagens para que o celular seja usado com bom senso. “Muita gente reclama que algumas pessoas terminam o exercício e, sem olhar para os lados, ficam sentadas no aparelho mexendo no smartphone, atitude que quebra o ritmo do ambiente”, diz.
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