Vida saudável

Pessoas em reeducação alimentar contam como enfrentam esse desafio

Ana Elisa Faria

Do UOL, em São Paulo

Mudar, do dia para a noite, a forma como nos alimentamos não é uma tarefa fácil. Além de muita paciência e foco, é preciso contar com o apoio de familiares e amigos para engolir a seco as tentações cotidianas.

Segundo especialistas, a reeducação alimentar é, fundamentalmente, um processo gradual de conhecimento e mudança comportamental em que a pessoa introduz à sua rotina nutricional hábitos saudáveis.

Ao contrário das dietas restritivas, a reeducação não proíbe a ingestão de determinados alimentos (sejam eles chocolates, salgados e bebidas alcoólicas), mas, sim, prega que o seu consumo seja equilibrado.

Grupos, como o Vigilantes do Peso, e comunidades na internet, a exemplo do Quero Emagrecer com R.A., podem ajudar quem está passando por esse período de emagrecimento com encontros motivacionais e trocas de receitas.

Leia, abaixo, depoimentos de pessoas que estão em reeducação e inspire-se neles.
 

Raquel Brum, 32, engenheira

Arquivo pessoal
imagem: Arquivo pessoal
"Comecei uma reeducação há algum tempo, mas no meio do processo engravidei e parei. Há dez meses voltei à dieta e, desde então, emagreci sete quilos. Entretanto, ainda quero perder mais cinco [atualmente, Raquel pesa 69 kg]. Nesse tempo, já dei algumas escorregadas e engordei um pouco, principalmente nas minhas férias, período em que não me controlei e comi doces, além de ter ingerido bebidas alcoólicas. É duro levantar quando se derrapa, mas é necessário. Na verdade, o pontapé inicial é o mais difícil. No começo, queremos perder peso muito rápido, mas não adianta, a coisa acontece gradualmente. Outra dificuldade é que, no momento, não estou conseguindo conciliar atividade física à minha rotina. E isso é ruim, pois é mais fácil de emagrecer quando a prática de exercícios está aliada à reeducação alimentar. É bom também participar de grupos para você ver que existe mais gente passando pelos mesmos obstáculos".
 

Bruna Christino Monte, 25, professora

Arquivo pessoal
imagem: Arquivo pessoal
“A paciência é o que rege o processo da reeducação alimentar. Há um ano e meio, acompanhada de profissionais que me ajudam, como o endocrinologista e o nutricionista, comecei esse percurso. De lá para cá, emagreci 47 quilos. De 131, passei para os 84, e ainda desejo perder mais cinco. Logo no início dessa jornada, troquei o ônibus pela bicicleta e adotei o equilíbrio. Antigamente, eu comia em fast-foods três vezes por semana. A única coisa que não consegui tirar do cardápio foi a cerveja aos fins de semana, minha maior tentação. Diminuí a quantidade, mas não retirei completamente. Já deixei de sair para não comer o que não devia e já levei minha marmita a festas. Por isso, a compreensão dos amigos é muito importante. Participar de grupos com pessoas que estão na mesma situação ajuda bastante também, pois existe uma interação interessante. Até criei um perfil [o @fiquemagrabru, no Instagram] onde posto, desde o primeiro dia, fotos da minha evolução e das minhas refeições. É legal, tem gente que me parabeniza e gente que já me procurou para dizer que está fazendo reeducação por minha causa”.
 

Rodrigo Crizio Garcez Meireles Coelho, 29, coordenador de logística

Arquivo pessoal
imagem: Arquivo pessoal
"Estou em reeducação há dez meses e, nesse período, emagreci 48 quilos, mas quero perder mais 15. Quando iniciei, pesava 146. No começo era mais difícil por conta da falta de mobilidade causada pelo excesso de peso. Como sempre gostei de futebol, uni o útil ao agradável: jogo bola e corro. Aumentei a frequência das atividades físicas conforme fui emagrecendo. Antes da reeducação, passei por nutricionistas, tomei remédios e cheguei a emagrecer, porém, recuperei o peso. Agora, até as escapadas são conscientes. Se sei que em determinada refeição comerei pizza, administro a alimentação do dia para poder comer a pizza sem culpa. Como de tudo, só controlo a quantidade. Para atingir o objetivo, é necessário ter foco, uma vez que tentações existem. Além disso, um ganho de peso no meio do caminho não pode ser desmotivador --às vezes, mesmo seguindo a dieta corretamente, o próprio organismo te faz engordar ou não emagrecer, então, não dá para se abater. Quando eu chegar na minha meta, pretendo ajudar outras pessoas que desejam emagrecer".
 

Andréia Gonzalez Gomes Antonioli, 45, advogada

Arquivo pessoal
imagem: Arquivo pessoal
"Fiz uma reeducação em 2013, mas, apesar de ter atingido minha meta na época, não segui com a manutenção e abusei, fui displicente. Há três meses, comecei de novo e já perdi nove quilos --quero emagrecer mais seis. No momento, estou com 71. Dessa vez, porém, pretendo adotar para a vida os hábitos saudáveis. Para mim, o mais importante nessa fase é o planejamento. Você tem que querer, traçar uma meta e organizar os lanchinhos e as refeições. Dá para comer um pouco de tudo. É um jogo no qual você vai balanceando a alimentação para não passar vontade. No aniversário do meu filho, por exemplo, dei uma garfadinha no bolo, e tudo bem. O apoio da família e dos amigos também é fundamental, pois é chato ouvir coisas como ‘come só um pedacinho, boba’. Não quero que me instiguem e nem que fiquem me oferecendo tentações”.
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