Beleza

Água termal não é frescura; veja os benefícios do uso durante o inverno

Simone Ota

Do UOL, em São Paulo

A água termal deve ter lugar cativo no nécessaire, independentemente da estação do ano. E isso não tem nada a ver com o fato de que nove entre dez celebridades têm o produto na bolsa, no carro e na porta da geladeira. Na verdade, são os dermatologistas quem mais incentivam o uso do cosmético no dia a dia. “Esse produto auxilia na reconstituição da barreira de proteção da pele. Além disso, hidrata, combate os radicais livres e a inflamação, alivia a dor e a vermelhidão provocadas por queimadura e, se estiver gelada, ainda fecha os poros, o que ajuda na fixação da maquiagem e na redução da oleosidade”, lista a dermatologista Daniela Lemes, diretora médica da Slim Clinique, no Rio de Janeiro.

E os benefícios não param por aí. Segundo a dermatologista Ana Carolina Amaral, do ambulatório de cosmiatria do Instituto de Dermatologia Professor Rubem David Azulay, da Santa Casa de Misericórdia do Rio de Janeiro, a água termal também pode ser usada para equilibrar a pele após o uso de sabonete e esfoliante, acelerar a recuperação depois de um procedimento estético, como peeling e laser para tratar estrias, ou, simplesmente, para refrescar e devolver a umidade roubada pelo ar-condicionado e pelo vento.

Normalmente, as águas termais são captadas a uma profundidade aonde a poluição não chega e envazadas sem contato manual. Por causa dessa pureza é que elas podem ser borrifadas no rosto toda vez que a pessoa sentir necessidade e usadas, inclusive, por crianças, idosos e pessoas com a pele sensível. “O único cuidado que se deve tomar é o de esperar que as gotinhas sejam absorvidas pela pele antes de aplicar o creme noturno ou o hidratante, o que acontece em poucos minutos. Além disso, é importante reaplicar o protetor solar depois”, avisa Daniela.

Não é tudo igual
Todas essas vantagens estão associadas à quantidade e à concentração de sais minerais (alguns mais, outros menos), como selênio, zinco, cálcio, magnésio e ferro, que são captados pela água durante sua passagem por diferentes tipos de terrenos. No caso da água termal de Avène, comercializada pelo grupo Pierre Fabre, a gerente de treinamento Bernadete Meireles conta que o processo de ‘enriquecimento’ do líquido leva cerca de 50 anos. “É o tempo que a água da chuva demora para ser absorvida pela Montanha Negra, percorrer as camadas subterrâneas e retornar à superfície na Fonte de Sainte Odile, no sul da França”, afirma. A nascente, descoberta em 1736 depois que o cavalo do Marquês de Rocozels curou-se de uma coceira após tomar alguns banhos, ainda abastece a Estação Termal de Avène, um centro de hidroterapia exclusivo para quem tem pele sensível ou algum problema dermatológico.

Outro cavalo que entrou para a história foi o do cavaleiro francês Bertrand du Guesclin. “Diz a lenda que, no fim do século 14, o animal mergulhou na nascente La Roche-Posay, que fica a 300 km de Paris, e acabou se livrando de uma inflamação cutânea. Mas certo mesmo é que, em 1617, Pierre Milon, médico do rei francês Luís XIII, realizou as primeiras análises da água e, em 1913, a Academia Francesa de Medicina reconheceu oficialmente a cidade como produtora de termais. Lá, são atendidas mais de dez mil pessoas por ano, inclusive com patologias severas, como psoríase, rosácea e queimadura”, afirma Mariana Guimarães, gerente de comunicação científica da La Roche-Posay.

A fonte São Lucas, localizada em Vichy, cidade que fica a quatro horas da capital francesa, é outra que ficou famosa. De acordo com Fernanda Balbi, gerente de comunicação científica da marca de cosméticos Vichy, as propriedades terapêuticas dessa água eram conhecidas desde o Império Romano, mas foi somente em 1931 ela foi incorporada aos tratamentos de pele. “A ideia surgiu depois que o empresário Georges Guérin feriu a pele e recebeu tratamento do Dr. Haller que, na época, era diretor da Estação Termal de Vichy”, conta Fernanda, que destaca como principal característica dessa água a presença de 15 sais minerais diferentes.

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