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Calvície feminina: conheça os primeiros sinais e os tratamentos disponíveis

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A calvície é progressiva, começa normalmente na adolescência ou no começo da fase adulta e se manifesta com uma rarefação no topo da cabeça, sem fios visíveis caindo Imagem: iStock

Isabela Leal

Do UOL, em São Paulo

22/01/2015 13h12

Velha conhecida dos homens, a calvície também ameaça a vaidade feminina. De acordo com a Sociedade Brasileira do Cabelo, 50% das mulheres têm alguma queixa relacionada à queda de cabelos. E a calvície propriamente dita, que é uma rarefação aguda dos fios, atinge 5% da população feminina. “Sempre tive pouco cabelo mas, na fase adulta, percebi que o couro cabeludo estava mais visível, com uma transparência que me incomodava tanto que comecei a usar penteados para disfarçar”, conta Kátia Leite Santos, 27 anos, comissária de bordo.

O primeiro passo para tratar o problema é distinguir queda excessiva de calvície. “A queda comum se evidencia com a perda de mais de 120 fios por dia. Isto pode ser perceptível quando a pessoa encontra mais de seis fios no travesseiro ou começa a ver fios sobre o computador ou na comida, por exemplo”, explica o médico Valcinir Bedin, Presidente da Sociedade Brasileira do Cabelo. E continua: “Já a calvície é progressiva, começa normalmente na adolescência ou no começo da fase adulta [por volta dos 20 anos] e se manifesta com uma rarefação no topo da cabeça, sem fios visíveis caindo”, afirma o dermatologista, especializado em cabelos.

A etapa seguinte é obter um diagnóstico correto, que só pode ser feito por um especialista e mediante uma série de exames de sangue e, em alguns casos, com biópsia do couro cabeludo. “Um exame clínico não é suficiente para se chegar a um diagnóstico correto”, diz Bedin.

Causas da calvície
O que causa o problema pode ter diversas origens, como explica o cirurgião Thiago Bianco Leal, especializado em transplante folicular e membro do Colégio Brasileiro de Cirurgiões. “Fatores como genética, alterações hormonais, inflamações no couro cabeludo e dietas com baixa proteína têm relação direta com a calvície”, afirma o médico.

O segredo para um tratamento de sucesso é não perder tempo. “Existem métodos de cura eficazes e, quanto antes forem feitos, maior a possibilidade de êxito. A maioria das mulheres responde bem a tratamentos orais, um bom médico pode resolver 90% dos casos, sem transplante”, afirma Valcinir Bedin. Seja qual for o tratamento, os resultados começam a aparecer a partir de um mês depois.

“Meu caso era de alopecia androgenética. Optei por tratar com micropigmentação, que resolveria meu problema rápido. A diferença de cor entre meu cabelo e o couro cabeludo foi diminuindo e trazendo uma sensação de contentamento. Notei diferença já na primeira aplicação e, a cada sessão, aumentava meu nível de felicidade, assim como minha autoestima, que consegui recuperar”, declara a comissária Kátia Leite.

Abaixo, veja os tratamentos e alternativas disponíveis, de acordo com a causa que levou à calvície:

Via oral
- Suplementos nutricionais especiais para o cabelo: não adianta tomar um polivitamínico, o complexo tem de ser específico para os cabelos. As fórmulas, normalmente, contêm sais minerais e cofatores que entram na composição do cabelo, como vitamina B, ferro, zinco e até queratina; e,
- Bloqueadores enzimáticos: as enzimas são catalisadoras --ou seja, aceleram reações químicas orgânicas. No caso dos tratamentos para calvície, elas impedem a transformação de hormônios em outros processos metabólicos que fazem os cabelos cair.

Injetável
Bloqueadores enzimáticos e vitaminas, além de peptídeos, conhecidos como fatores de crescimento, são aplicados no couro cabeludo para evitar a queda dos fios e estimular o nascimento de outros novos.

Eletrônicos
- Desincruste: feito com um aparelho que emite uma pequena corrente elétrica, ele é aplicado com uma gaze e serve para limpar o couro cabeludo;
- Laser: assim como o aparelho de LED, o laser serve para estimular o crescimento dos fios, pois tem ação anti-inflamatória; e,
- Micropigmentação capilar: definitiva, camufla a calvície escurecendo o couro cabeludo por meio da aplicação de pigmentos específicos que produzem a ilusão de maior densidade capilar. O resultado fica bastante natural.

Transplante
Dificilmente, essa será a primeira indicação de tratamento. “A não ser quando já tentamos outros métodos sem resultados. Nunca é um tratamento inicial, com exceção dos casos de cicatrizes, como pós-queimaduras ou radioterapia”, declara Bedin.

Thiago Bianco Leal destaca outras situações que podem ser resolvidas com transplante. “Quando há uma transparência evidente, deixando o couro cabeludo à mostra, principalmente na frente que é visível, casos de testa grande, entradas muito pronunciadas e fios muito ralos são algumas delas”, declara o médico.

O transplante consiste em remover fios de cabelo de uma área doadora do paciente --geralmente acima da nuca-- e transplantá-los para a região calva, inserindo fio por fio e mantendo preservadas as raízes, claro. “A técnica redistribui o cabelo, de forma geneticamente programada, sobre a área calva, garantindo máxima sobrevida dos enxertos capilares e mínimo trauma na região tratada, conferindo textura e volume aos fios transplantados de forma natural, pois é o próprio cabelo da paciente”, explica Dr. Thiago. 

Os fios transplantados vão crescer para sempre com a mesma naturalidade que existia antes da queda. “O procedimento requer anestesia local e pode durar entre sete e nove horas, com baixo risco de complicações”, afirma Thiago Leal. “A técnica é minimamente invasiva e geralmente não deixa cicatriz permitindo que o paciente tenha o corte de cabelo que quiser e volte às atividades habituais em poucos dias”, finaliza.

Perucas e apliques
O uso de perucas ou apliques também pode ser uma boa escolha. De cada dez mulheres, uma lança mão desse recurso, de acordo com a cabeleireira Nilta Murcelli, que há 50 anos trabalha com perucas, apliques e alongamentos, em São Paulo. Ela explica que, para os casos de perda em um determinado lugar, o mais indicado são os apliques. “Eles são confeccionados para corrigir esse tipo de falha. Assim, a mulher pode levar uma vida normal, com a quantidade de cabelo que deseja, tanto para alongar quanto para dar volume. Com isso, é possível reduzir a ansiedade e levantar a autoestima durante o tratamento”, diz a peruqueira.

“E se a calvície for difusa, em todo o couro cabeludo, é possível usar uma peruca discreta com risca de silicone que imita o couro do cabelo ou as perucas em que os cabelos são implantados. Os dois tipos são muito naturais”, explica Nilta.

O uso desses acessórios, no entanto, divide a opinião dos médicos. Thiago Bianco Leal diz que as próteses capilares prejudicam o nascimento dos novos fios transplantados, por isso não indica o uso no pós-transplante. “Outro motivo é que, por deixar a região abafada, pode propiciar o aparecimento de inflamações no couro cabeludo e dermatites seborreicas que colaboram para a piora do quadro. As próteses trazem benefícios nos casos extremos, quando o paciente não possui mais área doadora, como os que passam por quimioterapia ou queimadura”, diz.

Por segurança, Nilta sugere os apliques que podem ser retirados, e não são fixos como os aplicados com cola ou entrelaçamento. “Existem várias opções que podem ser colocadas com tic-tac, que a cliente põe e retira quando desejar”, diz ela. Está aí uma alternativa para arejar a região tratada e evitar tração contínua.

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