Beleza

Ao fazer um tratamento estético injetável, todo cuidado é pouco

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Manchas, hematomas, infecções e embolia pulmonar estão entre os perigos causados pelos tratamentos estéticos injetáveis Imagem: iStock

Carol Salles

Do UOL, em São Paulo

30/06/2015 07h00

Seja para nivelar os furinhos da celulite, aumentar o tamanho do bumbum ou acabar com as estrias, muitas mulheres se submetem a tratamentos injetáveis em nome da beleza. Tais procedimentos podem até aparecer banais, mas estão longe de serem livres de riscos.

Manchas causadas pelas agulhas, infecções e embolia pulmonar estão entre os perigos. Para se precaver, é fundamental estar bem informada, escolher muito a dedo o profissional que vai realizar o procedimento --que pode ser um dermatologista ou cirurgião plástico-- e checar as credenciais do especialista para evitar os falsos médicos.

Um bom começo é pesquisar nas entidades que representam as classes: Sociedades Brasileiras de Cirurgia Plástica (www.cirurgiaplastica.org.br) e de Dermatologia (www.sbd.org.br). “Além disso, a utilização de produtos qualificados em ambientes bem equipados contribui para a minimização dos riscos”, diz o cirurgião plástico Eduardo Sucupira, do Rio de Janeiro, titular da Comissão Científica do Capítulo de Procedimentos Estéticos Minimamente Invasivos da SBCP.

O profissional também deve pedir uma série de exames prévios a fim de verificar o estado de saúde do paciente. Outro alerta fica por conta do local onde se vai realizar a intervenção. “Não se submeta a tratamentos em locais suspeitos, como quartos de hotel alugados para esse fim, clínicas de estética sem telefone fixo, nome na fachada ou em casas particulares”, reforça Sucupira. Conheça agora alguns dos tratamentos injetáveis mais comuns e os riscos que podem trazer à saúde.

Ácido Poli-l-láctico
É um preenchedor que estimula a produção de colágeno pelo próprio organismo, proporcionando um efeito lifting progressivo. Sob o nome comercial de “Sculptra”, é usado para reduzir a flacidez corporal e restabelecer a espessura da pele. Também melhora a aparência da celulite. “Nesse caso, é aplicado de forma a preencher os furinhos que conferem o aspecto de 'casca de laranja' à pele”, explica a dermatologista Maria Bussade, de São Paulo. Pode ser usado nos braços, na região interna das coxas, abdômen e glúteos. No rosto, além de melhorar a flacidez, também ajuda a corrigir a perda de volume, comum no processo de envelhecimento. O efeito da substância é de cerca de dois anos. A aplicação de forma incorreta pode trazer complicações, como hematomas e nódulos.

Lipo enzimática
Também conhecida por intradermoterapia ou mesoterapia, consiste na injeção de substâncias capazes de quebrar as células de gordura. “Pode ser usada em qualquer parte do corpo que tenha gordura localizada, como abdômen, flancos, culotes, interno de joelhos e braços”, diz a dermatologista Helena Costa, do Rio de Janeiro. No início dos anos 2000, houve a febre do Lipostabil, um medicamento cujo princípio ativo [a fosfatidilcolina] queimava a gordura ao ser injetada. Sua venda e uso, no entanto, foram proibidos pela Anvisa. Na época, a substância foi usada indiscriminadamente por profissionais sem capacitação em procedimentos que não garantiam segurança e higiene dos pacientes. Quando a mesoterapia é malfeita pode trazer complicações como roxidão da pele, necrose, infecção, manchas, reações alérgicas e até choque anafilático.

Carboxiterapia
São injeções de gás carbônico que prometem melhorar flacidez, estrias e cicatrizes, além de rugas faciais. O tratamento é controverso. Segundo a Sociedade Brasileira de Dermatologia, trata-se de um procedimento ainda experimental. De acordo com a entidade, são necessários mais estudos controlados, comprovando seu real mecanismo de ação e benefícios para fins estéticos. Outro fator negativo do tratamento apontado pelos experts consultados é em relação ao valor do aparelho. Por ser mais barato que o laser, por exemplo, seu uso acabou sendo banalizado. Por isso, cuidado redobrado na hora de se submeter a esse tratamento, já que o Conselho Federal de Medicina não recomenda a realização de carboxiterapia por profissionais não médicos, como enfermeiros, fisioterapeutas e terapeutas ocupacionais.

Ácido hialurônico
É um potente hidratante e, em versão mais concentrada, funciona também como preenchedor. Serve para manter a pele lisa, elástica e hidratada. Sua indicação mais comum é no rosto para melhorar a aparência de rugas finas e a perda de volume, mas no corpo ele também pode ser aplicado. “Nesse caso, é usado no dorso da mão, no colo e no pescoço”, diz a dermatologista Daniela Schmidt Pimentel, do Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo. O efeito do produto dura cerca de seis meses. Amplamente estudado, é considerado seguro pelos médicos, porém se mal aplicado, pode deixar a pele roxa ou inchada.

Bioplastia
Conhecida com “plástica sem cortes”, é considerada um procedimento de alto risco. Consiste na injeção de polimetilmetacrilato (PMMA) em varias partes do corpo, como bumbum, coxas, panturrilhas, maçãs do rosto e lábios. O objetivo é dar volume. O PMMA é composto por micropartículas de acrílico em uma solução aquosa. “Após a aplicação, o líquido é absorvido e as micropartículas de acrílico ficam, proporcionando o preenchimento”, explica o cirurgião plástico Eduardo Sucupira. Como não são reabsorvidas pelo organismo, o efeito é permanente. A prática, no entanto, pode causar uma série de complicações, que vão desde manchas até necrose, embolia pulmonar, inflamação e expulsão do material através da pele. “Essas complicações podem aparecer anos após a injeção, desencadeadas por um processo de trauma ou uma infecção de outra origem. O grande problema é que o tratamento dessas reações é bem limitado e de difícil resolução”, resume o também cirurgião plástico Thomas Benson, de São Paulo.

Hidrogel de poliamida
Trata-se de um preenchedor formado por poliamida e soro fisiológico. Pode ser usado em pequenas quantidades para nivelar a pele com depressões causadas pela celulite ou cicatrizes. O hidrogel não pode ser usado em grandes volumes para aumentar a massa de áreas do corpo como bumbum e coxas. Há grandes riscos de rejeição da substância pelo organismo, causando deformidades, inflamações ou infecções. No final do ano passado, o Brasil acompanhou o caso da modelo Andressa Urach. Ela ficou internada com uma infecção gravíssima causada, segundo a própria apresentadora, por injeções de PMMA e hidrogel, usadas para aumentar o tamanho das coxas e do bumbum.

 

 

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