Beleza

Batom vermelho: conheça a história do make que virou símbolo de libertação

Juliana Simon

Do UOL, em São Paulo

19/01/2016 14h33

Desde a Pré-História, a maquiagem é usada como símbolo de expressão. E se hoje em dia ela serve ainda para embelezar, naquela época auxiliava na constituição da identidade de uma tribo e na sua diferenciação durante as guerras.

Na Antiguidade, pintar os lábios de vermelho era um hábito feminino e masculino. A pigmentação era obtida a partir de elementos tóxicos: insetos esmagados eram misturados a pedras preciosas moídas e escamas de peixe. As gueixas japonesas, por sua vez, usavam pétalas de açafrão para colorir seus lábios.

Pintar-se de vermelho, no entanto, tornou-se sinônimo de pecado durante a Idade Média, quando a igreja proibiu a maquiagem. O tabu foi ainda reforçado séculos depois, entre os anos de 1830 a 1900, quando a rainha Victoria da Inglaterra igualmente decretou o fim do uso de maquiagem entre as aristocratas "de bem".

Mas muitas mulheres daquela época passaram a criar alternativas para não serem vistas como pecadoras ou promíscuas, segundo aponta Stéphanie Bergmann, docente em maquiagem do Senac Santana (SP). O truque, que durou até as primeiras décadas no século 20, era a boca coradinha, bem discreta.

Entre as rebeldes da época, figuras cheias de personalidade que pouco ligavam para o descabido “protocolo de decência” da sociedade conservadora, estava a diva do teatro Sarah Bernhardt, que parecia não se importar com a proibição, usando e abusando dos tons vermelhos bem vivos nos lábios. 

Linha do tempo

Reprodução/Pinterest
As atrizes Clara Bow e Katharine Hepburn Imagem: Reprodução/Pinterest

Anos 20: A atriz Clara Bow, considerada a primeira "it-girl" da história, cria a boquinha de coração com um batom no pigmento vermelho profundo para dar ênfase aos lábios nos filmes em preto e branco. 

Anos 30 e 40: As estrelas do cinema passam a investir no batom vermelho com a função de embelezar e seduzir. "Quem queria parecer uma diva, copiava essas mulheres. Porém, ainda existia um clima de proibição muito forte na sociedade da época", aponta Stéphanie.

Reprodução/Pinterest
As atrizes Marilyn Monroe e Elizabeth Taylor Imagem: Reprodução/Pinterest

Anos 50: O vermelho se estabelece como maquiagem declaradamente sensual, graças à Marilyn Monroe, e igualmente contraventora, por causa de pin-ups como Bettie Page.

Anos 60: Com a libertação sexual e a maior independência feminina, o tabu perde força e a maquiagem denota feminilidade.

Reprodução/Pinterest
As cantoras Debbie Harry e Madonna Imagem: Reprodução/Pinterest

Anos 70 e 80: O vermelho ganha destaque total com maquiagens mais dramáticas, com boca e olhos bem marcantes.

Anos 90: Ainda que já tendo o status de clássico, o vermelho perde um pouco o espaço para o batom marrom, que dominou as maquiagens da década.

Getty Images
Lady Gaga, Emma Stone, Dakota Johnson e Margot Robbie no Oscar 2015 Imagem: Getty Images

Anos 00: Volta com tudo. A cor está não só nos tapetes vermelhos, como nas ruas. Diva, rebelde ou só um destaque nos lábios: o batom vermelho não tem regras.

Símbolo feminista
O batom vermelho faz barulho mais uma vez, como uma espécie de símbolo feminista. Em "Não tira o Batom Vermelho", a YouTuber Jout Jout coloca a crítica ao uso dessa cor como um dos exemplos de comprovação de um relacionamento abusivo. No videoclipe da atriz e cantora Clarice Falcão para o cover de "Survivor", do grupo Destiny’s Child, várias mulheres utilizam o batom vermelho para desenhar verdadeiras pinturas de guerra.


"As feministas usaram o batom vermelho talvez por ser essa a cor da rebeldia e de ter marcado a sensualidade de Marilyn Monroe, ou porque os ditadores de moda andaram ensaiando um look nude. O red está de volta e pode ser que nunca saia de moda", acredita Ana.

Stephanie aborda outra linha de pensamento. "Não acho que é um símbolo atual, pois o uso dessa cor sempre teve uma conotação de força, de 'usar porque eu quero e pronto'”, argumenta. “Além disso, ele surge como mais um elemento dessa libertação feminina frente aos tabus estéticos, sexuais e sociais. Acredito que ele vem com a quebra de outros tabus, como mulheres com cabelos mais curtos e até raspados.”

Questão de personalidade
"A cor tem sido mais pedida, até pelas mulheres que não estavam acostumadas a usá-la. Buscam quando querem se sentir mais autoconfiantes", diz Suely Oliveira, maquiadora do Studio W Higienópolis. Para a profissional, houve o aumento da procura de dois anos para cá e os tons que mais têm feito sucesso no salão são o "Russian Red" (um pouco mais fechado) e o "Ruby Woo" (um vermelho bem aberto), ambos da marca M.A.C.

Para a profissional, usar o batom vermelho não é uma questão estética. O tom em suas diversas nuances pode ser usado por mulheres de todos os tons de pele. O importante é a personalidade: "É colocar e segurar o make", diz Suely. "Atualmente, a famosa que sabe fazer isso com excelência é a cantora Adele", declara a maquiadora.

Guia rápido de harmonização

Stéphanie Bergmann dá dicas para combinar os diferentes tons de pele e de batom vermelho, mas lembra que a mulher tem liberdade para usar o tom que mais lhe agradar: "O guia é só um auxílio, se interessar".

Getty Images/AgNews
Imagem: Getty Images/AgNews
Pele branca rosada, como a de Claire Danes, combina com tons de cereja e fúcsia. Já quem tem a pele branca amarelada, como Paolla Oliveira, a aposta é tons tomate e alaranjados. 

AgNews/Getty Images
Imagem: AgNews/Getty Images
Para as morenas amareladas, como Camila Pitanga, o recomendado é usar tons que combinem com sua personalidade, pois essa cor de pele é muito versátil. Já para as morena rosadas, como Dita Von Teese, o ideal é apostar em vermelhos frios, como o bordô.

Getty Images/Brainpix
Imagem: Getty Images/Brainpix
Peles Oliva, como a de Zoe Saldana combinam com vermelhos primários e cerejas. Já as peles negras, como a de Naomi Campebell, pedem vermelhos fechados, como sangue, bordô e vinho. 

Divulgação/TV Globo
Imagem: Divulgação/TV Globo
Ruivas, como Florence Welch, podem usar tons próximos a cor dos cabelos. As orientais, como Daniele Suzuki, podem investir em tons frios e "meio tom"

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