Beleza

Primeira Miss Brasil negra diz que atual está mais exposta por causa da web

Reprodução/Facebook
Miss Brasil de 1986, Deise Nunes foi a primeira negra eleita na história do concurso no país Imagem: Reprodução/Facebook

Patrícia Colombo

Do UOL, em São Paulo

28/01/2017 04h03

Raissa Santana, que no domingo (29) representa o país no Miss Universo, quebrou, em 2016, o jejum de 30 anos sem uma miss negra no Brasil. Antes dela, lá na segunda metade da década de 80, assumira a coroa Deise Nunes, a primeira a vencer o famoso concurso de beleza --e a única competidora afro entre as mulheres brancas naquele ano. Entre tantas conquistas, uma coisa Deise pontua como piora: a exposição em tempos de redes sociais.

Reprodução
Deise Nunes com a coroa e a faixa no Miss Brasil em 1986 Imagem: Reprodução
Entre os conselhos que afirma ter dado a Raissa, os dois principais são: não carregar o peso da obrigatoriedade do título e filtrar o que lê na internet. O preconceito racial continua uma realidade como lamentavelmente sempre foi. A diferença, segundo Deise, está na evolução das plataformas digitais que intensificam ainda mais as agressões. “Antigamente, algumas coisas eram cobertas. Só havia jornais e revistas. O filtro era maior. Hoje em dia as pessoas escrevem barbaridades em posts de personalidades e veículos de comunicação. Ninguém nem se preocupa com a possibilidade de ser processado em um primeiro momento”, afirma, em entrevista ao UOL.

Aos 49 anos, Deise conta que só foi notar a importância de ser uma Miss Brasil negra quatro dias depois de ter vestido a faixa e a coroa pela primeira vez. “Esse título representou muito porque foi uma oportunidade para o negro ter orgulho de si, se ver bonito, ser capaz”, afirma. “Ninguém acreditava que eu era gaúcha porque era negra. Achavam que eu pertencia ao Norte ou ao Nordeste do país. Pela colonização alemã e italiana no sul, as pessoas pensavam que dali só podia vir loira de olhos claros.”

Folhapress
Deise Nunes no Troféu Raça Negra em 2015 Imagem: Folhapress

Apesar da diferença de três décadas, o número de candidatas afrodescendentes só aumentou no ano passado, com seis negras de diferentes estados competindo. “O maior número de negras no concurso no ano passado se deve ao empoderamento”, explica. “E todas com cabelo black power, valorizando sua negritude. Isso foi maravilhoso.”

Também é preciso grana
Ela ainda aponta o aspecto financeiro como outro argumento importante para a pouca presença de mulheres negras nas competições de beleza. “Existem muitas meninas que querem participar, mas que acabam ficando de fora porque é um investimento muito grande, precisa ter dinheiro para bancar tudo.”

Quando a grana não é assim tão fácil, bons contatos também acabam ajudando, como foi o caso da própria Deise. À parte do apoio psicológico da família e dos amigos, ela já atuava como modelo em Porto Alegre há quatro anos quando resolveu competir. Possuía boas relações com marcas de roupas e amigos figurinistas para montar looks, colegas maquiadores, amigas esteticistas. “Tive muita sorte porque além de tudo isso há investimento em oratória, passarela... Eu já sabia desfilar, então acabei me dando bem. Mas se você coloca na ponta do lápis, é muito caro. Não é simplesmente decidir e desfilar. Muitas meninas acabam não tendo a oportunidade [porque envolve questões sócio-econômicas dos negros no país].”

Parceria entre musas
Deise vive em Porto Alegre e gerencia uma escola de modelos na cidade, preparando meninas e meninos para o mercado de trabalho. Como acompanha todos os concursos, teve olhos atentos na trajetória de Raíssa e pontua a atual Miss Brasil como forte candidata a ser campeã mundial. “Ela tem mobilizado muita gente na internet, coisa que não lembro de ter visto com tanta força nas edições anteriores”, diz. “Há anos falo da necessidade de termos uma negra nos representando, pois o Brasil é essa mistura maravilhosa. Vivemos um momento importante.”

 

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