Pode isso?

Técnica que cobre as olheiras com tatuagem ganha adeptas. Pode isso?

Vivian Ortiz

Do UOL, em São Paulo

03/05/2017 13h26

Olheiras escuras e profundas são difíceis de serem disfarçadas com maquiagem e muita gente recorre a lasers, peelings e outros tratamentos estéticos para amenizá-las. Nenhum desses procedimentos, entretanto, é tão radical quanto a técnica criada pelo tatuador Rodolpho Torres. Em seu estúdio, localizado em São Paulo (SP), ele recebe clientes dispostas a cobrir as olheiras com uma tatuagem no tom da pele. 

Segundo Torres, a tinta permanente é aplicada sobre as olheiras como se fosse uma base corretiva. O tatuador teve a ideia de criar o método a partir das reclamações de mulheres que frequentavam seu estúdio. "Muitas delas se queixavam que estavam com estrias e manchas", conta.

"Percebi que não existiam tatuadores que fizessem procedimentos para cobrir essas imperfeições na pele com estria e criei o método, que fez bastante sucesso", ressalta. A clientela de Torres, especialmente as mulheres, começou a gostar do tratamento e questionar se funcionaria para cobrir as olheiras. "Iniciei os testes nessa área e obtive bons resultados", lembra.

Pomada anestésica

Uma das maiores questões para quem se interessa pelo método é: será que dói? De acordo com o tatuador, a pele sob os olhos é mais frágil com relação à dor do que aquela que cobre as estrias, mas não quanto a aplicação da tinta. Para evitar qualquer tipo de sofrimento, a cliente já chega ao estúdio com a indicação de comprar uma pomada anestésica com lidocaína na fórmula, que é aplicada de 20 a 30 minutos antes da tatuagem.

O tatuador afirma que tudo que utiliza em seu trabalho-- como pigmentos, agulhas e máquina --é aprovado pela Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) e que sua tinta não muda de cor, mas sim desbota "em um processo que leva até 18 anos e vai fazer o procedimento durar mais que uma prótese de silicone ou o coração transplantado". Ou seja: a tatuagem nessa área também é definitiva que vai precisar de retoque em algum momento.

Quem fez

Reprodução/TV UOL/Facebook
Imagem: Reprodução/TV UOL/Facebook

A ex-panicat Babi Muniz é uma das garotas-propaganda da técnica criada por Rodolpho. Em entrevista ao UOL, ela explica que passou pelo procedimento há 25 dias e que, como o prometido pelo tatuador, realmente não sentiu dor alguma. De acordo com Torres, tudo leva de 30 a 40 minutos para ficar pronto.

"Quando faço alguma tatuagem artística, normalmente choro de dor, mas foi tranquilo por conta da pomadinha que ele passou antes do procedimento", ressalta a ex-panicat, antes de lembrar que a aparência ficou "ridícula" logo após o processo, "pois a pele estava muito inchada e feia".

"Foram duas semanas sofrendo um pouco, sendo bem ruim de passar maquiagem, mas depois começou a cair a casquinha e estou amando", diz a modelo, antes de ressaltar que o resultado final demora cerca de um mês e meio para ser conquistado.

Ela conta que antes passava bastante corretivo e base para disfarçar a "cara de cansada" e sair na rua, mas que agora está com coragem de ir sem maquiagem. "Por enquanto, estou gostando bastante o resultado e até a minha dermatologista achou bacana a ideia e se empolgou, dizendo que vai querer ver o resultado final", diz.

Pode isso?

Três dermatologistas procurados pela reportagem se mostraram enfaticamente contra o procedimento. O dermatologista Abdo Salomão, por exemplo, desaconselha totalmente a opção. "A região abaixo dos olhos possui uma pele extremamente fina. Corre o risco do tatuador colocar o pigmento ali e estourar um vasinho, que vai derramar o sangue e tatuar com outro pigmento, chamado ferrero, tornando a região ainda mais escura, definitivamente", explica.

Além disso, lembra o especialista, a chance da tinta bater exatamente com a cor da pele é mínima, pois temos diferentes tonalidades, dependendo da região do corpo.

Segundo Salomão, existem opções de tratamento muito mais seguras que, ao invés de esconderem, tratam essas olheiras. "Lembrando que esconder pode ser pior. Na minha clínica mesmo, já fizemos vários tratamentos para retirar maquiagem definitiva, ou esse tipo de camuflagem, em pacientes que mudaram de ideia", conta.

A dermatologista Ana Carolina Sumam concorda e diz que não indicaria uma técnica de tatuagem para uma área tão nobre quanto a face. "Atualmente dispomos de tratamentos mais efetivos para a área, como preenchimento com ácido hialurônico, lasers, entre outros, que estão efetivamente tratando e não apenas 'mascarando'", ressalta.

Ela ressalta pensar o mesmo em relação às estrias, exatamente por preferir um tratamento que vai estimular a produção de colágeno no local a uma tatuagem. "Acho que seria indicado para casos bem selecionados, que não tivessem tido resposta a tratamentos já estudados e consagrados, e com profissional extremamente capacitado", avalia.

Quando escurecer ou clarear?

A dermatologista e cirurgiã plástica Flávia Diniz é outra que não concorda com a técnica, justamente pelas olheiras mudarem de tonalidade de acordo com outros fatores, como falta de sono e estresse. "Como a pessoa vai avaliar o quanto deve escurecer ou clarear?", questiona.

Com relação as estrias, quando a pessoa não está bronzeada e pigmenta, sem problemas. Mas quando você bronzear, aonde está mais pigmentado vai ficar mais escuro, agravando uma situação que a pessoa gostaria de esconder", argumenta.

Durante a entrevista, o tatuador ressaltou que um possível bronzeamento no futuro não seria um grande problema, pois a tatuagem não tem o poder de bloquear sol e nem de manter aquela pele sem bronzear. "Se fosse o caso, a tatuagem seria ótima para evitar câncer de pele, mas não tem esse poder", argumenta.

"Caso a pessoa tome sol nas olheiras e fique com o rosto bronzeado, automaticamente você vai ver a tatuagem embaixo de uma pele bronzeada. Logo, fica tudo normal. A tatuagem não muda de cor quando vai o sol e também não bloqueia o sol. Então, a pele superficial de cima, que pega o bronze, faz com que a tatuagem escureça junto. Aquele bronzeado saiu? O desenho volta aparecer normalmente", alega.

Diz ter aceitação no meio clínico

Reprodução/Facebook
Tatuador mostra antes e depois do procedimento nas estrias Imagem: Reprodução/Facebook

Ainda na visão de Rodopho Torres, seu procedimento possui uma aceitação "muito grande" por parte da área médica e de estética.

Segundo ele, em workshops que dá no Brasil e no mundo, os próprios médicos, cirurgiões plásticos e dermatologistas querem aprender o procedimento para "resolver o problema que eles mesmos não podiam antigamente".

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