Construção e reforma

Cinzas de vulcão serão transformadas em tijolos na Patagônia argentina

Página/12/BBC
Cinzas são misturadas com cimento para fazer material resistente Imagem: Página/12/BBC

Marcia Carmo

De Buenos Aires para a BBC Brasil

24/06/2011 07h50

As cinzas do vulcão chileno Puyehue poderão ser transformadas em tijolos na cidade turística de Villa La Angostura, na Patagônia argentina, disse à BBC Brasil o secretário de Obras Públicas e Serviços Públicos da localidade, Gabriel Fachado.

“Temos material de sobra para fazer tijolos, tubulações, poços de água e asfalto. Acrescentamos às cinzas um pouco de cimento e o resultado é um bloco perfeito para a construção”, afirmou o arquiteto.

Segundo ele, os tijolos serão usados inicialmente para a construção de casas populares, mas também serão úteis para outros modelos de casas e de hotéis.

“Vila La Angostura está construída sobre solo vulcânico, mas jamais tivemos tamanha quantidade deste material e por todos os lados da nossa cidade”, disse.

Para ele, é preciso “aproveitar” o material expelido pelo vulcão que está a quarenta quilômetros da cidade e é frequentada principalmente por turistas de classes altas no verão e no inverno.

De acordo com estimativas da Defesa Civil local, Villa La Angostura acumula cerca de cinco milhões de metros cúbicos de cinzas, o suficiente, disseram, para encher as caçambas de "um milhão de caminhões".

Nesta quinta-feira, as cinzas voltaram a cair na cidade onde tetos, piscinas, lagos, ruas e bosques estão cobertos com os resíduos vulcânicos.

“No início foi uma areia e depois cinza. Nos lagos também flutuam grandes pedras vulcânicas, espécie de blocos inteiros”, afirmaram na Defesa Civil.

Utilidade
O governo local, com apoio do governo da província de Neuquén e da Argentina, contou Fachado, entenderam que este material “deve ser transformado em algo útil para a comunidade”.

Ele afirmou que a ideia é exportar o tijolo de cinzas para outras localidades de Neuquén e depois, “quem sabe”, para outras províncias argentinas.

Fachado disse que trinta e duas famílias já se inscreveram para formar uma cooperativa especializada na fabricação deste material de construção.

“Com estas cinzas, vamos gerar mão de obra para os que estão desempregados”, disse.
O diretor de Meio Ambiente de Villa La Angostura, Daniel Meier, disse que outra proposta que está sendo discutida no local é usar a areia para fazer “praias” em torno dos principais lagos da cidade.

“Não seremos o Rio de Janeiro, mas vamos acrescentar mais uma atração ao nosso turismo, que é realmente a nossa principal fonte de renda”, disse à BBC Brasil.

Ele disse que várias toneladas das cinzas já foram levadas para diferentes galpões na cidade, mas que ainda há “outras milhares de toneladas” acumuladas nas ruas e nos quintais dos moradores.

“Estamos realizando análises permanentes e comprovamos que as cinzas não são tóxicas. Mas temos que usar óculos e máscaras porque é como se estivéssemos respirando pó ou areia da praia o tempo inteiro”, disse.

Transtornos
Villa La Angostura possui quinze mil habitantes e desde que o vulcão entrou em erupção, no dia quatro de junho, muitos ficaram sem luz e água porque o peso das cinzas afetou os fios de alta tensão.

Nesta quinta-feira, segundo a Defesa Civil local, 75% da população já tinham luz, mas as cinzas voltaram a cair e a única certeza, disseram Fachado e Meier, é que a temporada de inverno será afetada.

“Pedras de vulcão também caíram nas estações de esqui e temos medo de uma avalanche. Mas com tijolos e outros projetos com estas cinzas vamos superar esta etapa e ficar prontos para a temporada de verão”, disse Meier.

Antes, disse, é preciso “sair do atual estado de emergência” na qual a localidade oficialmente se encontra.

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