Casa e decoração

Jovem é nova estrela da decoração, mas diz: "nem todo mundo me leva a sério"

Tony Cenicola/The New York Times
O designer de interiores Sam Allen (esq.), atende uma cliente em Nova York. Allen é considerado uma estrela da decoração, mas ainda vive e trabalha na casa de sua mãe Imagem: Tony Cenicola/The New York Times

STEVEN KURUTZ

The New York Times

31/12/2011 10h00

Westport, Connecticut – Esta rica cidade há muito tem sido associada à Martha Stewart, empresária e apresentadora de TV, que criou seu império doméstico a partir de uma casa de fazenda na rodovia Turkey Hill. Mas, em algum momento do último ano, um novo talento local emergiu: um designer jovenzinho e bonitão chamado Sam Allen, de apenas 19 anos.

Abra o “The Weston Forum”, um jornal local, e lá está ele compartilhando sua “nova obsessão” com os leitores de sua coluna semanal. Ao folhear uma recente edição do Connecticut Cottages & Gardens, é difícil ignorar o volumoso texto de seis páginas sobre um quarto laranja-Hermès criado por Allen para três irmãs em um condomínio de luxo. Em uma loja badalada, a Dovecote, é possível encontrar sobre um diminuto cavalete de metal o cartão de visitas do jovem designer.

“Qualquer um na minha região parece conhecê-lo”, comenta Gerry Bush-Jaffray, que contratou Allen para ajudá-lo na decoração de sua casa, com 650 m2, nas proximidades de Weston.

Mesmo que muitos o considerem uma estrela em ascensão, Allen ainda vive com a mãe em Weston, onde trabalha em um pequeno escritório da casa. E apesar de aconselhar os leitores de sua coluna e ensiná-los a renovar seus cômodos – “É tempo de abandonar a segurança, invistam nas cores”, diz – em seu próprio quarto, pilhas de roupas amassadas se acumulam sobre a cama.

Tudo isso, porque a nova estrela do design é um adolescente.

“Porque eu sou muito jovem, algumas pessoas não me levam à sério”, conta Allen, em uma manhã que dirigia seu Lexus SUV pelos arredores de Westport ouvindo os recados de seus clientes: “Eu digo: - ‘sou designer de interiores’; e pensam que eu folheio o catálogo de uma grande loja de decoração e não, não é isso que estou fazendo”.

E essa tal desconfiança costumava ser ainda pior. O designer conta que, quando tinha 17 anos, conversava com uma cliente sobre a aparência austera da casa e vidro e concreto que seria decorada, quando o marido entrou e disse ceticamente: “eu não quero ser rude, mas quantos anos você tem?”

  • Tony Cenicola/The New York Times

    Sam Allen posa em seu escritório em Westport. Aos 19 anos, designer de interiores é considerado uma nova estrela do mundo da decoração

Meio adulto, meio menino

Tomando uma Coca Diet atrás da outra e falando animadamente sobre estampas do tipo "ikat" (uma espécie de "tie-dye"), Allen confessa que provavelmente deve estar em um reality show produzido pela BravoTV.

No dia desta conversa em particular, ele estava lidando com os desdobramentos de vários dramas. Ele havia voltado tarde de uma reunião com um cliente na noite anterior e, pela manhã, perdeu seu treino físico com um instrutor. ("Eu me desconcerto tanto com isso”, lamenta).

Então, Allen descobriu que um espelho que havia encomendado para um de seus clientes chegou quebrado e que a substituição levaria semanas. E, além de tudo, ele estava correndo para finalizar uma cabana que havia desenhado para um evento de caridade.

Mas longe de ser estressado, Allen parece prosperar acima dos altos e baixos de uma vida de designer.

A inspiração

Seu fascínio pela decoração começou com sua mãe, Leslie, explica o jovem durante seu habitual almoço em um lugar de comida orgânica, onde ele come atum e alface. Designer de interiores, a mãe fez da casa da família um laboratório, constantemente rearranjando e reorganizando os móveis.

“Eu amei isto [o design de interiores] instantaneamente”, conta Allen, acrescentando que, às vezes, ele fingia estar doente para poder faltar a escola, ficar em casa e visitar as casas dos clientes em companhia da mãe.

Uma das amigas de sua mãe era Stewart e Allen diz que seu estalo se deu, quando ainda cursava o ensino médio, durante uma visita ao estúdio de TV da colunista. “Os escritórios, as seções de artesanato, o planejamento da cozinha – Eu estava totalmente surpreso”, relembra. “Pensei: ‘quero isto um dia”. Allen e sua mãe participaram do programa, em um quadro que ensinava a preparar peru com pinhas para o Dia de Ação de Graças. Ele voltaria no ano seguinte como convidado de uma edição natalina e, depois, se tornaria estagiário de Stewart.

Os primeiros clientes

Allen conseguiu seu primeiro cliente real dois anos atrás, quando seu pai, Lloyd – que dirige um mercado agrícola em Westport – ouviu uma cliente dizendo que gostaria de transformar um quarto de babá em uma sala de brinquedos para as filhas.

“Eu vou lá, encontro a mulher, ela me diz o que quer e precisa e eu dou a ela minha sugestão”, planejou o designer: “fui contratado no mesmo instante”. Allen transformou a quitenete sem graça da babá em lugar doce com um minirrefrigerador rosa, beliches e um tapete zebrado.

Cobrando bem menos que os demais designers – seu preço inicial era de US$ 20, a hora - e publicando fotos dos projetos no Facebook, o jovem decorador assegurou mais trabalhos. No início, a maioria se referia à decoração de quartos infantis.

Um de seus primeiros "cases" de vulto foi a reorganização de um closet de menina. A cliente se impressionou tanto que pediu-lhe que mexesse em outros cômodos. Como Allen lembra, “a mulher estava me mostrando o resto da casa, dizendo: ‘nesta sala, quero que o sofá fique, mas que o papel de parede suma’. Eu estava adorando, pensava ‘ acho que vou fazer a casa toda’. Foi incrível”.

Assegurado          

Porém, contratar o adolescente não é tão arriscado como parece. A mãe de Allen, que tem seu próprio escritório de design de interiores, frequentemente o aconselha sobre os projetos. E, a despeito de sua pouca idade, Allen se comporta como um veterano, diz Sarah Kaplan, proprietária da loja de decoração Dovecote e ex chefe do rapaz. “Sam realmente faz um bom trabalho ao misturar períodos e estilos", diz Kaplan. “E ele é muito bom com as cores”.

O designer trabalhou extraoficialmente na loja, quando tinha apenas 12 anos, e insistia por um emprego. “Eu não sei se eu mesma o contratei, ele apenas aparecia e aparecia”, diz a lojista.

Finalmente, quando ele completou 15 anos, Kaplan passou a pagar-lhe, mas tinha reservas em colocá-lo como vendedor. “Eu pensava: alguém compraria um lustre de um menino de 15 anos?”. Allen agia com naturalidade e, por duas vezes, ele a acompanhou em viagens de compras a Paris.

Vida dupla

Durante o período escolar, manejar tantos clientes era um desafio. “Eu estava em aula, mas recebia chamadas de eletricistas que estavam instalando um lustre e diziam que a saída ficava no lugar errado. Isto não é algo de que eu poderia me desligar por uma hora”, argumenta.

Estudante atípico, Allen usava seus períodos de folga para se dedicar ao trabalho como designer. “Meus amigos iam para o Starbucks e eu me encontrava com empreiteiros”.

O jovem passou um infeliz semestre estudando design no Fashion Institute Technology, mas descobriu que estava à frente de seus colegas e que o rigoroso curso tornaria seu trabalho impossível. 

Não foi uma decisão fácil, Allen admite, particularmente a partir do momento que a maioria dos seus amigos do colégio começou a ir para a universidade. Mas agora ele pode devotar sua total atenção à decoração. Atualmente, o designer tem seis projetos em vários estágios de andamento, dois deles em Manhattan.

“Ser capaz de ter meus próprios clientes e compor uma sala, esta é a grande escola para mim”, garante Allen.

O quarto, o escritório

De volta a Weston, onde sua mãe tem uma pequena casa branca em uma vizinhança de madeira, semelhante às modestas construções do local, a irmã de Allen, Phoebe, 17, está em seu quarto fazendo seu dever de casa. Do outro lado do corredor, o quarto do designer está cheio de recordações de sua infância, como uma coleção de livros de Zane Grey, que ganhou do pai, e um poster de um rancho.

“Eu gostaria de ter crescido no oeste”, ele justifica.

Colocando de lado uma pilha de roupas e sentando-se na cama, Allen aponta algumas modificações que fez recentemente no quarto, como a instalação de uma cortina de bambu. Ao segurar um travesseiro Hermès, Allen diz: “estou reunindo coisas para meu primeiro apartamento”. Ele planeja se mudar em agosto, mas não decidiu ainda se permanece no condado de Fairfield ou se muda para Manhattan.

No final do corredor, o escritório que Allen ocupa é recheado com documentos de clientes e amostras de tecido armazenadas em arquivos laranja-Hermès. “Sou obcecado pela Hermès”, revela.

  • Tony Cenicola/The New York Times

    Quarto do designer de interiores Sam Allen, que vive com a mãe em Westport, Connecticut

Há uma batida na porta, a mãe de Allen avisa que o estagiário do filho, seis anos mais velho que ele, está a caminho com os desenhos atualizados do projeto da cabana para a festa beneficente.

Leslie Allen conta que seu filho sempre teve opiniões fortes sobre design: “quando Sam tinha 11 ou 12 anos, se eu pusesse algo sobre a mesa, ele movia e dizia ‘está muito melhor aqui’”. Agora ele é um designer profissional e tornou-se ainda mais opinativo.

Realmente, ao caminhar pela casa de sua mãe, Allen lança um olhar crítico para a sala, como se desejasse redecorá-la. “Estampa floral não é muito comigo. E eu gosto de antiguidades, mas não teria tantas nesta sala”, avalia.

Dicas de um decorador adolescente

Use flores: “nunca subestime a beleza e a transformação que as flores frescas podem trazer a um ambiente", Sam Allen diz. “Se você está dando um jantar, um pequeno arranjo em seu lavabo traz charme”. Se houver dúvida sobre a mistura de variedades, Allen sugere apostar em apenas uma cor ou espécie. E não economize! “Quanto mais, melhor”, sentencia.

Alto-brilho: “uma de minhas assinaturas são os quadros emoldurados em alto-brilho. Eu amo essa estética porque ela é luminosa e fresca e dá vida ao ambiente sem que seja necessário gastar muito”. Assim, um acabamento liso para as paredes é adequado, porque as molduras alto-brilho fazem qualquer coisa “pop”.

Compre, mas use menos: “se você amou um tecido, mas vai deixar de comprá-lo porque é caro demais, tente usá-lo de uma forma que seja necessário menos material”. Por exemplo, ao forrar uma almofada com um tecido caro, aplique na parte de baixo uma outra fazenda, mais barata, de cor sólida.

Arandelas, arandelas, arandelas: “em bronze ou cobre, arandelas podem aquecer o ambiente”, afirma Allen. “Esse tipo de luminária cria atmosfera de maneira mais eficiente que se empregada apenas a iluminação direta".

Saiba quando esbanjar: "esbanje em coisas que ganham destaque no ambiente, como lustres, armários, mesas de café. E faça concessões sobre os outros elementos", ensina. Para um escritório, Allen escolheu uma simples mesa laqueada "Parsons", da West Elm, por cerca de US$ 300. "Algumas coisas não podem ser substituídas", diz ele. "Mas para outras existem substitutos".

* Tradução: Daiana Dalfito

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