Estilo de vida

Rabiscando as paredes, artista dá personalidade ao espaço

Trevor Tondro/ The New York Times
No quarto composto por móveis presenteados, os desenhos nas paredes chamam a atenção imagem: Trevor Tondro/ The New York Times

Liz Arnold

Do The New York Times, em Nova York (EUA)

“No começo não pensava em fazer o quarto inteiro”, diz Shantell Martin, contemplando os desenhos feitos à mão livre e que cobrem todas as quatro paredes e o teto do cômodo que ela aluga no Brooklyn, em Nova York. 

Inicialmente, conta, tinha planejado se limitar à parte de uma parede logo abaixo da ardósia preta onde deve ter existido uma lareira algum dia: era ideal, porque era como uma moldura. “Pensei que talvez fosse o bastante”, afirma Martin, 31. “Mas nunca é o suficiente”, conclui.
A artista nascida em Londres - cujos desenhos criados como fluxo de consciência adornam paredes de casas e empresas  - é também conhecida por suas performances ao vivo, nas quais faz desenhos que são digitalmente projetados e combinados com luz e música. Tais eventos, aliás, já foram realizados em vários locais, do MoMA (Museum of Modern Art de NY) a nightclubs em Tóquio.  
 
“Rabiscar” incessante 
 
“Ela desenha em cima de tudo”, conta a amiga Sarah Strauss, fundadora da empresa de design Bigprototype. “Em um jantar, rabisca o guardanapo, depois a mesa, depois a própria mão”, completa.
 
Então quando Strauss, 35, e sua sócia, Holly Hobart, 34, convidaram Martin a se mudar para o último andar da casa dos anos 1890 que possuem, em Bedford-Stuyvesant, ficou subentendido que ela iria desenhar nas paredes. “Parecia natural deixarmos que ela tivesse esta imensa tela no último andar para fazer o que sabe fazer”, avalia Strauss. Fizeram só um pedido, esclarece a artista: “Não toque no corredor”.
 
Martin, que viveu três anos em Nova York, pulando de uma sublocação para outra, mudou-se em 2011. Ela paga US$ 800 por mês pelo andar, que inclui uma área de estar, lavanderia,  escritório, banheiro e um quarto de 15 m² mobiliado quase completamente por coisas que ganhou de amigos. 

Clique e veja o projeto

  • Trevor Tondro/ The New York Times

    Com peças garimpadas, casal cria
    boas ambientações em Nova York

 
Enquanto seus traços saem do quarto em direção às paredes da lavanderia e sobre largas tábuas de madeira e folhas de pergaminho no escritório, a artista vem cumprindo a palavra: a única evidência de seu trabalho no corredor é um aglomerado de “post-its” coloridos com as palavras “why” (por quê)  e “here” (aqui) escritas de baixo para cima ou de trás para a frente.   
 
Arte e identidade
 
A gênese dos desenhos na parede de Martin pode ser determinada pelo moleskine que ela ganhou logo após completar seus estudos em design gráfico na Central Saint Martin, a escola de artes de Londres. 
 
As folhas do caderno são sanfonadas e, se esticadas, podem chegar a 2,10 m. Com uma caneta de ponta porosa, Martin começou a desenhar um ou dois painéis ao mesmo tempo. Depois ela se viu passeando pelo todo, curtindo o desafio de preencher os espaços com desenhos em menor escala.   
 
Oito anos e 24 moleskines sanfonados depois, a artista olhou para a primeira parte da parede do seu quarto em Bedford-Stuyvesant e percebeu que não parecia finalizada.  Então, continuou desenhando acima da suposta lareira. E depois aquela parte parecia incompleta, precisando  de que os desenhos se espalhassem pelo lado direito. 
 
Finalmente, com uma caneta Staedtler Lumocolor preta de traço médio em mãos, ela espontaneamente fez a volta no ambiente de uma vez, traçando uma linha contínua ao longo de três paredes. 
 
“Então foi como o caderno sanfonado”, ela explica. “Pensei: ‘Agora eu terminei’”. 
 
Os desenhos feitos até o momento, Martin calcula, consumiram cerca de 25 canetas e umas duas semanas, distribuídas ao longo do ano passado. 
 
Muito do seu trabalho envolve um elemento de impermanência, então este projeto representa uma mudança, que é muito bem vinda. “Este é o primeiro lugar onde me sinto acomodada,” afirma, “em todos os outros lugares, me sentia só alugando o ambiente”. E acrescentou: “Agora posso criar meu próprio espaço.”
 

Tradutor: Erika Brandão e Daiana Dalfito (edição)

ID: {{comments.info.id}}
URL: {{comments.info.url}}

Ocorreu um erro ao carregar os comentários.

Por favor, tente novamente mais tarde.

{{comments.title}}

{{comments.total}} Comentários

Seja o primeiro a comentar

{{subtitle}}

Essa discussão está encerrada

Não é possivel enviar novos comentários.

{{ user.alternativeText }}
Avaliar:
 

* Ao comentar você concorda com os termos de uso. Os comentários não representam a opinião do portal, a responsabilidade é do autor da mensagem. Leia os termos de uso

Escolha do editor

{{ user.alternativeText }}
Escolha do editor

BBC
BBC
Redação
Projetos
do UOL
BBC
Glamurama
Redação
do UOL
do UOL
do UOL
Redação
do UOL
UOL Estilo
Redação
do UOL
Moda
UOL Estilo
do UOL
do UOL
do UOL
UOL Estilo
do UOL
Redação
do UOL
do UOL
do UOL
Redação
Redação
do UOL
UOL Mulher - Moda
Redação
Beleza
do UOL
do UOL
Redação
Redação
Redação
Redação
Redação
Moda
do UOL
Redação
do UOL
Redação
do UOL
do UOL
Redação
do UOL
do UOL
Topo