Casa e decoração

Segunda casa em um só lote diminui custo e entulho e aumenta renda nos EUA

Laure Joliet/ The New York Times
Segunda casa de casal no Oregon, tem quase 45 m² e custou cerca de US$ 60 mil Imagem: Laure Joliet/ The New York Times

Sandy Keenan

The New York Times, Portland, Oregon (EUA)

25/07/2014 07h01

Na maior parte das cidades dos EUA, acrescentar uma segunda casa a um lote familiar único seria ilegal e provocaria uma batalha com os vizinhos que poderia se arrastar por anos, mas não em Portland, Oregon.

Lá, este tipo de habitação – chamada oficialmente de “unidade habitacional acessória”, porém mais conhecida como “flat da vovó”, apartamento de garagem ou casa de viela – está sendo bem-vinda e, até mesmo, encorajada graças às leis de zoneamento amigáveis. Espaços adicionais estão surgindo em todos os lugares, oferecendo moradias populares sem mudar a sensação ou a estrutura de bairros estabelecidos, da maneira como os arranha-céus poderiam fazer.

Na parte sudeste da cidade, Jen Wetland e Brian Scott converteram sua garagem para dois carros em uma casa de 45 m² usando principalmente materiais reaproveitados e a um custo de US$ 60 mil. O casal então se mudou para lá e alugou sua casa de quatro dormitórios. Eles estão felizes em falar sobre como a mudança para um lugar menor é fabuloso e como isso lhes permite trabalhar menos e se divertir mais.

Stephanie e Sam Dyer moram no cobiçado bairro de Boise e construíram uma versão de 32 m² do seu bangalô para que os pais de ambos pudessem ter um lugar para ficar quando viessem visitá-los. No resto do tempo, o casal vem recuperando o investimento de US$ 110 mil, alugando a pequena casa através de sites como Airb'n'b e VRBO.

Por sua vez, Lenore Prato temia ser a primeira de sua grande família italiana incapaz de fornecer um lar para seus pais quando envelhecessem. Então ela e seu marido, Ken Finney, construíram uma casa de 60 m² atrás da residência onde vivem, num terreno de esquina que fica no bairro de Sunnyside. “Eu gosto do fato de estarmos dando o exemplo a nossos filhos. É assim que tratamos nossos pais”, afirma Lenore.

Perto do coração, em dia com o bolso

Além de aproximarem as famílias, esses também são bons exemplos fiscais. Eric Engstrom, urbanista, viu estas pequenas estruturas tornarem-se cada vez mais populares durante seus 16 anos de trabalho para a cidade. “Dada a baixa taxa de espaço vazio, quando estiverem prontas, você pode alugá-las em cerca de uma hora”, afirma. Isso significa também o aumento do valor da propriedade.

As leis de zoneamento em Portland vem mudando aos poucos, desde a década de 1990, para acomodar tais construções. Contudo, foi em 2010 que as maiores mudanças aconteceram, quando a cidade relaxou as normas que limitavam os tamanhos e começou a oferecer o equivalente a um incentivo em dinheiro, renunciando às pesadas taxas usualmente cobradas sobre novo empreendimento. Outras cidades da região noroeste têm seguido nesta direção, mas Portland é a primeira a ofertar um benefício financeiro significativo e uma das poucas que não exige que os proprietários vivam no local, forneçam áreas de estacionamento adicional ou garantam a aprovação dos vizinhos.

Eli Spevak, um construtor local de habitações alternativas que está entre aqueles que fizeram "lobby" pelas políticas em favor das unidades habitacionais acessórias, afirma: “A cidade mudou duas regras e, de repente, passamos de 30 unidades construídas por ano para 200 em 2013” – um número impressionante, considerando que o número total de requisições aprovadas para casas únicas em 2013 foi de 800. “Isso é incrível. O benefício ambiental das construções pequenas é imenso e este é um tipo maravilhosamente flexível de habitação”, conclui.

Mais um exemplo

Na esquina da Rua 29 com a Going, no bairro de Alberta Arts, Kyra Routon-Michelinie e James Michelinie passaram uma infinidade de fins de semana no ano passado construindo a pequena casa atrás de seu bangalô de três dormitórios. No momento, o jovem casal aluga residência maior e mora na menor, que foi projetada pelo pai dela, o arquiteto Steven Routon.

A construção de 65 m² custou cerca de US$ 100 mil, sem contar a mão de obra fornecida  pelo casal e pelos pais dela. A cidade também cooperou ao renunciar às taxas de desenvolvimento. Só isso já fez com que eles economizassem US$ 14 mil – dinheiro que não tinham. “Sem isso, talvez nunca tivéssemos iniciado o projeto”, pondera Kyra. Ainda assim, a obtenção de financiamento era um problema, pois a maioria das instituições de crédito não tem muito conhecimento sobre esta tendência. O casal, todavia, planeja se mudar novamente para a casa principal quando tiver filhos e os pais de Kyra, que moram em outra cidade, usarão a casa menor como sua segunda residência.

O máximo e o mínimo

Claro que o desafio com casas assim pequenas, afirma Jack Barnes – arquiteto local com experiência em habitações adicionais – é “descobrir como fazer tudo caber”. É um pouco como projetar o interior de um barco. O tamanho máximo permitido é de 85 m² ou 75% da metragem quadrada da casa principal do terreno – o que for menor.

Apesar da limitação de espaço, os custos podem facilmente chegar a US$ 250 mil, dependendo do projeto e dos acabamentos, embora a média da unidade acessória – de acordo com uma pesquisa patrocinada pelo Departamento Estadual de Qualidade Ambiental para 860 construções em Portland, Ashland e Eugene – seja de cerca de 62 m² e custe pouco mais de US$ 80 mil.

Mas o preço acessível é somente parte do apelo dos "flats da vovó". Jordan Palmeri, engenheiro do Departamento de Qualidade Ambiental de Oregon, afirma ter analisado uma série de dados relacionados à sustentabilidade: “Os benefícios de se reduzir o tamanho da casa eram muito maiores do que os de outros programas que estão sendo incentivados. No Oregon, a média das novas casas é de 200 m², cerca de 20 a 30% dos resíduos de aterro do estado vem do entulho associado às construções, demolições e reformas”.

A unidade acessória oferece uma forma de evitar muito deste lixo. “Há muito poucas pessoas que não gostam dessa abordagem, mas este é um pacotinho tão maravilhoso”, conclui.

Tradutor: Erika Brandão e Melissa Brandão Gubel (tradução) e Daiana Dalfito (edição)

ID: {{comments.info.id}}
URL: {{comments.info.url}}

Ocorreu um erro ao carregar os comentários.

Por favor, tente novamente mais tarde.

{{comments.total}} Comentário

{{comments.total}} Comentários

Seja o primeiro a comentar

{{subtitle}}

Essa discussão está encerrada

Não é possivel enviar novos comentários.

{{ user.alternativeText }}
Avaliar:
 

* Ao comentar você concorda com os termos de uso. Os comentários não representam a opinião do portal, a responsabilidade é do autor da mensagem. Leia os termos de uso

Escolha do editor

{{ user.alternativeText }}
Escolha do editor

do UOL
Blog Casa de Viver
do UOL
do UOL
Blog Casa de Viver
do UOL
UOL Estilo
do UOL
Blog Casa de Viver
do UOL
do UOL
Blog Casa de Viver
do UOL
UOL Estilo
do UOL
Blog Casa de Viver
BBC
UOL Estilo
UOL Estilo
do UOL
Blog Casa de Viver
do UOL
Blog Casa de Viver
do UOL
do UOL
Blog Casa de Viver
do UOL
do UOL
Blog Casa de Viver
do UOL
BBC
do UOL
Casa e Decoração
Blog Casa de Viver
do UOL
do UOL
do UOL
UOL Estilo
do UOL
do UOL
do UOL
Casa e Decoração
do UOL
do UOL
do UOL
do UOL
do UOL
Folha de S.Paulo
Topo