Casa e decoração

Escolha a torneira certa e evite banhos e chatice (extra) ao lavar a louça

Giovanny Gerolla

Colaboração para o UOL, de São Paulo

27/10/2015 07h01

Você fez aquela reforma na cozinha, mas na hora de escolher a torneira, bateu a dúvida: "qual escolher?". Esse equipamento é sim a “cereja do bolo”, pois deve ser escolhida em função do entorno, mas pensar em sua funcionalidade é essencial. Há casos em que o projeto é extremamente detalhado e traz indicações de qual torneira usar, mas isso não é uma regra ou necessidade.

Assim, baseie-se pelo tamanho e profundidade da cuba, além da área superficial do tampo da bancada. Pense também em seu posicionamento e no estilo do ambiente. Para a arquiteta Tatiana Marques, não existe modelo melhor ou pior, apenas mais adequado. “Bica alta é boa para lavar panelas e outros utensílios grandes, misturadores monocomando são indicados para cubas e bancadas menores. Eu só não recomendo torneiras com bica baixa para cozinhas, pois podem limitar ou dificultar a execução de algumas tarefas”, diz.

Tampo ou parede?

Como é necessário prever onde serão instalados os encanamentos e feitas as furações, defina ainda durante o projeto se o modelo é de parede ou de mesa. Os primeiros são preferidos quando os tampos são estreitos e ajudam a racionalizar a área da bancada, pois poupam o espaço já reduzido. Qualquer que seja a escolha, prefira os equipamentos com miolo cerâmico, pois o material é mais resistente e, portanto, mais durável.

Baixa ou alta?

A altura da bica, de forma geral, se relaciona à profundidade da cuba. Quanto mais rasa ela for, mais alta deve ser a bica, para que a louça seja “encaixada” sob o jato d'água. “O importante é que haja uma distância mínima de 30 cm, entre a saída da bica e o fundo da cuba, ou seja, o equivalente ao diâmetro de um prato raso padrão”, recomenda o engenheiro Roney Honda Margutti.

Por outro lado, se a cuba for muito rasa, e a bica muito alta, é provável que a cozinha fique sempre ensopada por respingos. Assim, quanto mais afinada for a equação das alturas, mais confortável será o trabalho de quem precisa lavar a louça ou higienizar legumes e verduras, por exemplo.

Quente ou fria?

Os misturadores são classificados em mono ou bicomando e servem para instalações hidráulicas que levam, até a pia, tanto a água fria como a quente. Para cozinhas sem encanamento próprio para a condução de água quente, a solução é adaptar pequenos aquecedores sob a bancada. Neste caso, é necessário ter um misturador com dois volantes.

A vantagem deste tipo de instalação é que não há quebra-quebra para incluir a tubulação quente. Uma parte da água fria passa pelo aquecedor, onde é aquecida, e segue até o misturador, explica Margutti. Porém, a solução demanda que o misturador seja um modelo de mesa.

Garantia de qualidade

Comprar torneiras de baixa qualidade e que não atendem às normas técnicas acarreta, muitas vezes, jatos d'água descontrolados, vazamentos, peças espanadas ou dificuldades de uso. O primeiro passo para evitar o pinga-pinga e banhos ao lavar a louça é verificar se o modelo escolhido está bem avaliado pelo Programa Setorial da Qualidade para Metais Sanitários, do Programa Brasileiro da Qualidade e Produtividade do Habitat (PBQP-H), do Ministério das Cidades. Porém esse não é um fator definitivo, pois as fábricas não são obrigadas a inscrever seus produtos.

Em agosto, o Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia (Inmetro) lançou novo programa de certificação para esses produtos. A adesão das fabricantes também não é obrigatória, mas a expectativa é que empresas nacionais busquem estampar o selo em suas peças, a fim de atender melhor às exigências do usuário. A novidade vem na esteira da revisão da antiga norma técnica para torneiras. A ABNT NBR 10.281/2003 – Requisitos e métodos de ensaio, cuja primeira versão era de 1983.

O texto atualizado (ABNT NBR 10.281/2015) é mais abrangente e trata dos requisitos de desempenho para qualquer tipo de mecanismo, seja ele tradicio

al ou cerâmicos, de 1/4 de volta. Para atender à norma, os mecanismos tradicionais (vedação com “borrachinha”) terão de apresentar uma vida útil de pelo menos 30 mil acionamentos (aberturas e fechamentos). No caso dos cerâmicos, que abrem e fecham com 1/2, 1/4, 1/8 de volta ou por simples “clique” (vedação sem “borrachinha”), a durabilidade terá que atingir, ao menos, 200 mil ciclos.

Fontes: Roney Honda Margutti, integrante do Comitê Brasileiro 178 - Componentes de Sistemas Hidráulicos Prediais, da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) e gerente de tecnologia do Siamfesp, Sindicato da Indústria de Artefatos de Metais Não Ferrosos do Estado de São Paulo; e Tatiana Marques, arquiteta.

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