Decoração de ambientes

Objetos herdados dão sentido à casa e até recuperam tradições de família

Juliana Simon

DO UOL

Para quem guarda algum (ou muitos) objetos herdados de parentes, embelezar a morada é como abrir uma caixinha de fotos antigas: em cada canto, uma lembrança. É assim no lar da gerente de comunicação Amanda Scaff, 33 anos, repleto de móveis e outros itens que pertenceram à avó materna. Amanda afirma que ter as peças por perto traz a real sensação de se sentir em casa: "É uma decoração reconfortante. Já morei em outro lugar, onde tudo era muito planejado para fazer as coisas caberem, e era outro clima".

O apartamento onde ela vive há dois anos "foi acontecendo". Junto com a mobília moderna, os objetos de família ganharam cara nova ao serem reformados pela mãe de Amanda. Um vestido antigo da 'vó' Elza virou um guardanapo, as cadeiras da sala de jantar foram pintadas, assim como os criados-mudos e a mesa, que combina com perfeição com os elementos contemporâneos.

"Desapegada", Amanda diz que sua relação com as coisas é muito diferente da que a sua avó mantinha: "Minha avó tinha esse costume de usar os 'objetos bons' para receber bem os outros, mas não para ela mesma". O pote de balas e bombons, por exemplo, sempre guardava algum docinho para os netos.

A gerente lembra, ainda, que muitas peças circularam entre os parentes durante os anos. Deste rodízio familiar, um pequeno quadro com a figura de dois meninos agora está em seu poder e é seu objeto favorito. "Eu o vejo desde que eu nasci. Dele eu não abro mão", declara.

Bruno Santos/UOL
Os advogados Natália Dozza e André Monteiro decoraram a casa em Mairiporã (SP) com móveis de seus pais e avós Imagem: Bruno Santos/UOL
Quase "sob medida"

A decoração baseada na mobília clássica da 'vó' Gilda foi uma questão de necessidade para Natália Dozza e seu marido, André Monteiro. "Montamos a casa correndo, com o que tínhamos na mão. Mas tudo casou muito bem. Os móveis mais rústicos, escuros, parecem que foram feitos para cá", conta a advogada, que mora em uma espaçosa residência em Mairiporã (SP).

Mãe de dois meninos, Natália acredita que as lembranças espalhadas pelos cômodos são uma maneira de apresentar a bisavó aos pequenos, que não puderam conhecê-la. Segundo ela, outra enorme vantagem é a durabilidade do material: "Só a poltrona foi reformada, todo o resto é original. São conjuntos com mais de 30 anos, que foram bem conservados. Sabemos que vão durar muito ainda e pretendemos levá-los sempre com a gente".

A herança que mobiliou o imóvel acabou revivendo rituais tradicionais da família. "Fizemos a ceia de Natal do ano passado aqui e foi a primeira vez em uma casa tão grande quanto a da minha avó e com as coisas dela", rememora a advogada.

Bruno Santos/UOL
A professora Valéria Pelizzari guarda itens usados por sua mãe, como louças e talheres Imagem: Bruno Santos/UOL
O que é bom é para usar

Se as matriarcas hesitavam em usar as "louças boas" no dia a dia, suas herdeiras acreditam que o que é bom é para ser usado. Valeria Pelizzari, de 49 anos, é professora de educação física e tem tanto carinho pelo acervo de copos, taças, xícaras, pratos e talheres que pertenciam à sua mãe, que encomendou um móvel só para abrigar o conjunto.

Para integrar essas peças à decoração moderna da residência, Valéria não vê qualquer problema: "Aprecio a mistura de estilos e adoro as coisas 'do gosto' da minha mãe”. A educadora conta que Maria Therezinha havia separado esses utensílios para receber os netos, mas não deu tempo, ela faleceu em 2004. 

Os objetos, porém, acabaram aproveitados nesta casa sempre lotada de gente. "Uso todo final de semana e entendo esse gesto como uma maneira de eternizar a figura da minha mãe, que adorava unir toda a família (que conta com mais de 100 pessoas)", diz.

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