Bichos de estimação

Quer tirar a ração? Equilibre a alimentação de seu cão com comida natureba

Evelson de Freitas/ UOL
Leleca (à esq.) e Zeca comem comida natural. A alimentação mudou depois de uma alergia provocada pela ração Imagem: Evelson de Freitas/ UOL

Patrícia Guimarães

Colaboração para o UOL

09/12/2016 13h39

Foi depois de perceber que sua cachorra andava doente que a arquiteta Marina Carvalho resolveu procurar a alimentação natural como alternativa à ração de seus vira-latas Leleca, 12 anos, e Zeca, 7. "Leleca tinha uma alergia crônica e ficava em 'carne viva'. Fui a muitos veterinários dermatologistas para saber o que era aquilo e como tratar. Mas todos me indicavam medicações e hormônios ou coisas que poderiam fazer mal a ela depois de um tempo".

Marina resolveu pesquisar sobre alimentação natural, porque desconfiou que a causa pudesse ser alimentar. Depois de uma semana de comida natureba, 80% da alergia sumiu. "Aí fiquei com dó de deixar só a Leleca com a dieta e passei a dar para o Zeca também", lembra a arquiteta. Segundo ela, em menos de um mês, os animais estavam desinchados, com pelo mais brilhoso e macio, fezes mais consistentes e em menor quantidade, além de muito mais bem-dispostos. "Faço exames anualmente e vejo que eles estão muito mais resistentes."

Os benefícios relatados por Marina Carvalho foram observados também durante o doutorado da zootecnista Janine França: "Os resultados da pesquisa indicaram que os alimentos naturais testados apresentaram ótimo aproveitamento pelo organismo dos cães, o que significa melhora na qualidade de vida dos bichos".

Evelson de Freitas/ UOL
Marina Carvalho e seus cães: Leleca (à dir.) e Zeca. Os dois comem comida natural Imagem: Evelson de Freitas/ UOL
Um potinho de saúde

Ossos carnudos, carnes, vísceras, ovos, vegetais são a base para uma alimentação balanceada para cachorros. Mas quem pensa que basta reunir os restos de comida está bem enganado: "É comum confundir 'restos da alimentação humana' com dieta caseira natural, o que acarreta deficiências nutricionais. O cardápio deve ser elaborado para a necessidade de cada animal em questão. Com balanceamento entre proteínas, vitaminas, gorduras etc.", afirma França.

Se a pessoa errar nas proporções entre os macronutrientes ou deixar de fazer certos acréscimos, o bicho pode apresentar desde sintomas leves, como queda de pelo acentuada, até coisas mais graves, como fraturas por falta de cálcio, disfunção renal e até convulsões, explica a médica veterinária Sylvia Angélico.

Se não é comida comum, o que é?

A alimentação natural (AN) engloba as dietas balanceadas elaboradas com ingredientes frescos, congelados ou desidratados, que também estão presentes na mesa dos humanos, crus ou cozidos. Um dos sistemas mais consagrados foi desenvolvido pelo cirurgião veterinário australiano Ian Billinghurst e é conhecido como BARF – "Biologically Approprieted Raw Food" (Comida Crua Biologicamente Apropriada, em tradução livre).

Na BARF, produtos de origem animal sem cozimento são oferecidos com vegetais. Essa dieta pode ser chamada também de ancestral e deve ser oferecida ao cachorro de acordo com sua necessidade (por exemplo, duas vezes ao dia). Como os alimentos naturais apresentam alto teor de água, a quantia final dada será maior quando comparada às rações.

Cru ou cozido?

Existem variações da AN como a que só usa alimentos cozidos e a que apresenta itens crus, mas não inclui os ossos. Elas podem ser produzidas em casa (segundo técnicas que incluem o congelamento) ou por empresas especializadas, desde que essas sejam registradas pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento.

Antes de embarcar nessa onda, o ideal é que um profissional elabore o cardápio ideal para o seu cão e indique as formas de preparo, para que as necessidades nutricionais sejam supridas, especialmente em casos de doença. Em algumas situações, a versão crua será mais indicada do que a cozida e vice-versa.

Evelson de Freitas/ UOL
Hora do petisco! Vai uma cenourinha aí? Leleca (à esq.) e Zeca mostram que sim! Imagem: Evelson de Freitas/ UOL
O que é levado em conta

Saúde, porte, raça, idade e particularidades do indivíduo, como alergias e 'paladar', são levados em consideração quando a avaliação do caso é feita. Por exemplo, se o animal é um paciente renal, o teor de proteína (como carne e ovos) e fósforo (iogurte natural) precisa ser melhor dosado. Se o bicho tem problema hepático, o cuidado será com alimentos gordurosos. 

Há situações também em que o cão não aceita bem a alimentação natural crua. Nessa hora, a forma de apresentar o alimento é o que pesa. Vale lembrar que é recomendado um período de transição e adaptação entre a ração e a comida natural: ele consiste na substituição em partes gradativas do alimento antigo pelo novo.

Por que mudar?

A adoção da alimentação natural parece estar cada vez mais relacionada com o estilo de vida dos donos. É bem verdade, no entanto, que um dos estopins para essa busca é o temor sobre os possíveis efeitos nocivos de conservantes e corantes presentes nas rações. "Dois dos conservantes mais empregados nas rações convencionais, BHT e o BHA, são controversos. O BHT é considerado por órgãos internacionais* um irritante de tecidos e o BHA é considerado um potencial cancerígeno por algumas agências norte-americanas", explica a veterinária Sylvia Angélico. Os benefícios relatados pelos proprietários dos animais que passaram pela mudança, no entanto, são os maiores fatores de estímulo.

Fontes: Dra. Janine França, zootecnista, professora da Faculdade de Medicina Veterinária da Universidade Federal de Uberlândia (UFU) e uma das autoras do estudo "Alimentos Convencionais versus Naturais para Cães Adultos"; Sylvia Angélico, médica veterinária especialista em estudos de nutrição animal; clínica em nutrição caseira e criadora do portal Cachorro Verde.

* Um dos exemplos é a European Food Safety Authority.

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