! Casa de praia quebra naturalidade da paisagem ao parecer com contêineres - 19/08/2014 - UOL Estilo de vida

Casas

Casa de praia quebra naturalidade da paisagem ao parecer com contêineres

Giovanny Gerolla

Do UOL, em São Paulo

Uma das formas de se dizer “casulo”, em inglês, é “pod”. E por trás desta pequena palavra está a ideia de uma arquitetura que se constrói de dentro para fora. Nomeada "Pod", esta casa foi desenhada esculturalmente e pensada como um objeto de destaque na paisagem. É um "casulo" de fim de semana que assume uma estética visivelmente produzida pelo homem, aproveitando a praia, mas não se fundindo a ela. Assim, a residência projetada pelo escritório Whiting Architects tornou-se um refúgio alocado na cidade litorânea de Lorne, Austrália. 

Fugindo ao senso comum, “a proposta era obter um design que sublimasse os limites entre o produto imobiliário comercial e a obra de arte”, explica a arquiteta Carole Whiting. Portanto, o passo primordial do conceito arquitetônico foi retirar da casa todos os traços arquetípicos que remetessem aos elementos corriqueiros a uma residência beira mar, com vista aberta para a linha do horizonte. 

 
Do mar para a praia, quem avista a “Pod House” tem dúvidas sobre se aquilo é uma casa ou uma pilha de contêineres depositada sobre o terreno, que acabou de ser descarregada por um navio cargueiro.  
 
Carga ao mar
 
O projeto utilizou-se de luz, sombra, texturas, cores e volumes, quebrando o prédio em três componentes pequenos, como caixas empilhadas (três pavimentos), com total aproveitamento de uma topografia acidentada, para desenvolver residência vertical, com garagem e serviços no térreo, área social e de convivência com terraço no primeiro andar e dormitório no segundo. 
 
Para dar maior amplitude à vista, chegando a uma captação do entorno de mais de 180°, as caixas são sobrepostas (implantadas) a partir de um eixo de rotação, de forma que cada uma de suas imensas janelas de fachada se volte em uma direção. Isso amplia também o aproveitamento sol, em qualquer horário do dia. 
 
Esses “contêineres” são feitos de concreto pré-moldado revestido por chapas de fibrocimento comprimido, que dão ao acabamento aparência tridimensional, com a possibilidade de moldar artesanalmente seus cantos e bordas. A base da casa é de alvenaria estrutural em blocos de concreto e um sistema de vigas metálicas ajuda a sustentar o empilhamento. 
Parece, mas não é
 
A cor neutra e natural do concreto aparente (um cimento queimado espatulado) mescla-se à madeira dos decks e ganha toque especial pelo contraste criado com a implantação de um painel de aço corten (liga de aço, nióbio e cromo) que “aquece” a fachada, a partir de seu aspecto avermelhado “corroído” pela maresia. 
 
A opção pelo uso extensivo do concreto também levou em conta seu desempenho térmico e isolante, uma vez que colabora na moderação das temperaturas internas, em detrimento da grande captação de luz solar e calor por janelas e portas.  
 
Reservado, o espaço promete uso fácil, com pouca manutenção, e um bom lugar para o relaxamento, além do acesso à cidade através de uma curta caminhada através da areia da praia. Um refúgio não tão isolado assim, mas fiel a sua essência. 

Ficha técnica

Pod House, Lorne, Austrália

Projeto de Whiting Architects

Detalhes do projeto
  • Área do Terreno 1.000 m²
  • Conclusão da Obra 2012
  • Projeto Whiting Architects
  • Projeto de Arquitetura Whiting Architects
  • Projeto de Decoração Carole Whiting
  • Projeto Estrutural - Concreto Bruce McCraken
  • Construção Spinefex
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