Casa e decoração

Quase um parque particular

16/06/2010 07h30

Um espaço de descompressão, uma válvula de escape para a tensão diária que se vive na cidade grande. Essa é a definição do próprio paisagista, Benedito Abbud, sobre o projeto que desenvolveu para uma casa de campo, em São Roque, a 62 quilômetros da capital.

O verde ocupa a maior parte do terreno – a casa de dois pavimentos tem 300 m² em uma área de 3.000 m². A escolha do terreno foi relativamente fácil: existia uma clareira no meio da mata nativa. “Com isso, priorizei um conceito de paisagismo que fosse o prolongamento desse contexto, favorecendo uma soma de verdes. Como se o jardim fosse a mata e, a mata, um jardim”, explica Abbud. De fato, não há cercas nem muros dividindo áreas e é nítida a sensação de continuidade.

O mais curioso é que para chegar a esse resultado, além das espécies nativas que permaneceram intocadas, algumas foram plantadas e outras foram reaproveitadas dentre o que foi descartado pelos vizinhos. “Montei os jardins com diversas plantas que seriam jogadas fora”, diz Abbud.

O paisagista conta que, quando compram um terreno, as pessoas tendem a considerar que a vegetação existente é “mato” e deve ser substituída por plantas compradas – essas sim de valor. “Mas todo mato é planta, basta ser trabalhado”, argumenta Abbud, que ressalta a importância de se aproveitar a mata nativa, adaptada às condições locais. A região de São Roque, por exemplo, é sujeita a geadas que queimam e matam as plantas numa única noite. Espécies exóticas, que não suportam esse clima, podem por um projeto a perder.

Outro ponto de grande importância: na hora de desenvolver ou solicitar um projeto com paisagem é preciso conhecer o tamanho dos arbustos, a resistência e o desenvolvimento da raiz entre outros fatores. “Só assim é possível plantar as espécies mais altas no fundo, as mais baixas na frente, aquelas com raiz muito volumosa longe da casa, e procurar dosar porções de vegetação com formas interessantes próximas a gramados, para evitar a monotonia”, ensina o paisagista, revelando truques da profissão.

Ambientes integrados

O projeto determinou a criação de cinco jardins, com personalidade e estilo próprios, mas com um objetivo comum: despertar sensações em quem usufrui dos espaços. “O projeto da casa foi desenvolvido a partir dos jardins”, diz Abbud.

  • A planta ilustrada mostra que os diversos jardins que compõem o projeto são todos integrados, livres de cercas e muros. A transição é marcada pela própria vegetação

No jardim da entrada da casa, que dá para a rua, a idéia foi escolher espécies de baixo a médio porte, para permitir a entrada de sol nos quartos, como as palmeiras triângulo (Dypsis Decari), que têm um altura perfeita para dar privacidade à casa e deixar os raios de sol entrarem. “Sol é saudável, evita mofo e umidade e não deixa que o ambiente fique insalubre”, define Abbud.

O jardim dos peixes e pássaros – composto por um mini-lago, um deck e uma “parede” de mata nativa – se liga visualmente à sala da lareira, permitindo uma vista serena para quem está se aquecendo lá dentro. Outra possibilidade é descansar nas espreguiçadeiras do deck ouvindo os sons da natureza ou simplesmente contemplando os lírios d’água que boiam na superfície do lago.

O jardim dos jogos é um imenso gramado rodeado por espécies frutíferas que, além de ser uma opção de alimento para os atletas amadores, ainda produz sombra, amenizando o calor, que é intenso sob o sol. Para complementar a ideia, o paisagista forrou a base dos pés de frutas com singônio (Syngonium).

Na parte de trás da casa, o jardim dos dormitórios é uma extensão da varanda íntima, comum a todos os quartos. O cenário é de filme. Mais altas, as quaresmeiras roxas aparecem imponentes. Um pouco abaixo, o azul singular da Bela Emilia (Plumbago). O contraste das cores fortes das árvores com o verde das cercas vivas de jasmin e camélia, que delimitam o espaço gramado central, formam um conjunto de perfeita harmonia.

Por fim, há o jardim privativo do quarto do casal. O pequeno espaço é aconchegante, com um deck de tijolos rústicos, sofá de madeira, cantinho com seixos e piras para iluminar e aquecer no frio. Entre as espécies que estão em torno do deck, há palmeiras (Phoenix Roebelini), samambaias (Nephrolepis Exaltata) que cresceram nos troncos das palmeiras, e uma cerca de bambu mossô – um toque oriental, apropriado para este ambiente de interiorização.

Para manter as espécies viçosas, todo lixo orgânico é guardado em composteiras e se transforma em adubo usado na nutrição das plantas. Além de eficiente, o sistema é correto do ponto de vista ambiental. A iluminação combina velas e piras, com pouca luz artificial. “Pensei em um efeito aconchegante e quente, já que o lugar é tão frio”, explica o paisagista.

O projeto paisagístico desta residência de lazer no interior paulista se destaca entre os 3.500 projetos executados pelo arquiteto paisagista Benedito Abbud, de São Paulo. Já são 36 anos de profissão e esta casa é uma bela mostra dessa trajetória, que começou em 1974, quando Abbud se formou pela Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo. (Isabela Leal, colaboração para o UOL)

Ficha técnica

Casa de Campo, São Roque (SP)

Projeto de Benedito Abbud

Detalhes do projeto
  • Área do Terreno 2.700 m²
  • Projeto Benedito Abbud
  • Construção Ar Terra Paisagismo
do UOL
do UOL
do UOL
do UOL
do UOL
Blog Casa de Viver
Casa e Decoração
do UOL
Casa e Decoração
do UOL
BBC
do UOL
Blog Casa de Viver
do UOL
do UOL
Blog Casa de Viver
Blog Casa de Viver
do UOL
Blog Casa de Viver
do UOL
Blog Casa de Viver
Folha de S.Paulo
Folha de S.Paulo
do UOL
Blog Casa de Viver
do UOL
do UOL
Blog Casa de Viver
do UOL
UOL Estilo
do UOL
Blog Casa de Viver
do UOL
do UOL
Blog Casa de Viver
do UOL
UOL Estilo
do UOL
Blog Casa de Viver
BBC
UOL Estilo
UOL Estilo
do UOL
Blog Casa de Viver
do UOL
Blog Casa de Viver
do UOL
do UOL
Topo