Cerimônia de casamento

Eles casaram de graça: "Meus amigos fizeram e pagaram meu casamento"

Depoimento a Natália Eiras

Do UOL

30/01/2017 04h03

Os mineiros Pri Lobo, 27, e Nathan Maximoff, 30, não são um casal comum. Por isso, decidiram fazer um casamento com a cara deles: em uma casa de shows punk rock e todo financiado pelos amigos. Para isso, fizeram um projeto de financiamento coletivo que juntou cerca de R$ 4,6 mil e pediram ajuda para fotógrafos e outros profissionais conhecidos que estivessem dispostos a trabalhar em vez de dar dinheiro ou presente de casamento.

A decoração da festa, assinada pela própria noiva, foi composta por itens de ferro velho, enquanto o noivo entrou na cerimônia usando tênis All Star. "Foi o casamento mais divertido que já fui: o meu", conta Nathan. Pri Lobo deu um depoimento contando como foi a organização da festa: 

"Casamos em 2015, no dia 06 de setembro. Eu e Nathan, a princípio, não íamos nos casar. Já estávamos morando juntos há um ano, e aí resolvemos conhecer a Disney. Então usamos a viagem de desculpa para casar. Íamos casar só no civil, mas eu fiquei com o maior medo de passar alguns anos e me arrepender de não ter feito pelo menos uma celebraçãozinha. Afinal, eu não pretendo me casar de novo (risos).

Resolvemos então celebrar há três meses da data da viagem. Decidimos que a festa seria antes da viagem porque iríamos utilizá-la de lua de mel. Normalmente as pessoas planejam casamento com quase um ano de antecedência, então foi um desafio organizar tudo no meio de mestrado, trabalhos e demais projetos da rotina profissional.

Não queríamos uma festa grande e tradicional. E também não tínhamos dinheiro para investir no casamento, sem contar que não fazia sentido um casamento tradicional porque eu sou espírita e Nathan é ateu, não íamos casar na igreja e Nathan não queria nenhum fundo religioso. Também não queríamos fazer uma festa para os outros, queríamos nos divertir e celebrar do nosso jeito, em um lugar que tivesse um significado real pra gente, independente do que as pessoas iam achar.

Foi quando decidimos casar no Matriz, uma casa de shows underground de Helo Horizonte (MG). Eu e Nathan já tivemos nossos momentos de estrelato. Já tivemos banda e tocamos no Matriz, que incentivava as bandas independentes nos anos 1990 e 2000. Eu conhecia os donos, e conseguimos fechar a data. Foi um lugar inusitado, mas tinha a nossa cara!

Para concretizar o casamento sem grana, criamos duas estratégias: a primeira foi criar uma vaquinha online. O objetivo era arrecadar os presentes de casamento em forma de dinheiro para ajudar na festa. Recebemos todo tipo de quantia, e isso foi maravilhoso! Toda ajuda foi bem vinda. Não prometemos nenhuma recompensa, mas garantimos que todo o dinheiro arrecadado foi convertido em bebidas alcoólicas e não alcoólicas. Queríamos que o dinheiro das pessoas fosse gasto para a diversão delas.

A segunda foi acionar nossa rede de relacionamento, oferecendo a amigos e familiares a possibilidade de nos presentear com prestação de serviços, ao invés de dinheiro. Designers, fotógrafos, videomakers, músicos, djs, confeiteiros. Então tivemos convite de casamento, fotos, videos, ambientação, bolo, doces, salgados, noite de núpcias, acessório de cabelo.. tudo presente de casamento! Definimos nossos padrinhos e madrinhas com base nessa rede disposta a ajudar nesse casamento coletivo. Então mais do que amigos e familiares queridos, eram profissionais e pessoas dispostas a ajudar antes, durante e depois do casamento.

Meu vestido de casamento foi feito pela minha mãe, que costura. Isso teve um significado indescritível pra mim. Meu buquê foi feito um dia antes por mim e mais duas amigas. Os profissionais que estavam no hotel nos maquiando e preparando cabelo -- sem contar a filmagem e vídeo -- também eram amigos. A sensação durante toca a construção do casamento foi sempre de acolhimento e confiança.

Sou designer de ambientes, já trabalhava com projetos efêmeros, como eventos, por exemplo, que é meu foco de atuação profissional. Mas organizar o próprio casamento deu um frio na barriga! Fiz mil checklists, criei uma pasta do casamento com nomes de parceiros, prestadores de serviços, fiz planilha financeira. Para um evento com caixa financeiro baixo, planejamento e organização é tudo! Também fiquei responsável por planejar a decoração do casamento. Contei com a ajuda de muitos amigos e colegas de profissão.

Defini os materiais: comprei alguns insumos - como papel craft, canetinhas, luzinhas - e consegui consignado num ferro velho da família de uma das madrinhas toda a ferragem que usamos para a ambientação, além de tocos de madeira, potes de vidro, jarras etc. que vieram da minha casa, da casa dos meus pais e de amigos.

No final das contas, o mais caro foram as flores. Não criei um projeto definido, como era um casamento de construção coletiva, achei que a decisão mais decente da minha parte seria dar liberdade para a criação da ambientação, sem exigir um projeto definido -- principalmente porque todos estavam ali por vontade própria, sem receber um centavo, apenas pela amizade. E por serem pessoas de confiança, tinha certeza que o resultado seria lindo. E foi mais que lindo, foi incrível!

Quem celebrou nosso casamento foi um amigo, e foi completamente personalizado! Amamos! Tivemos também depoimentos de amigos maravilhosos, tive um amigo de infância que tocou um piano na nossa cerimônia, e outras amigas que foram minhas mestres de cerimônia, me ajudando a registrar o casamento com fotos, direcionando o pessoal dentro do ambiente, chamando fotógrafo pra registrar o momento do corte do bolo.

Entrei com meu pai e minha mãe, porque ambos são cruciais na minha vida -- e fizeram tudo possível para o casamento acontecer, eles foram demais. Minha mãe sempre esteve presente em minha vida, então não podia de forma alguma não incluí-la nesse momento. Casei de botinha, Nathan de All Star. Só faltou nosso labrador na festa, o Jorge, mas a vigilância sanitária não ia curtir muito. Nathan costuma dizer que foi o casamento mais divertido que ele já foi, mesmo sendo o noivo. E os noivos não costumam se divertir no próprio casamento."
 

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