Comportamento

Meu filho faz perguntas sobre homossexualidade. Tem algo de errado com ele?

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Menino dúvida sexualidade Imagem: Getty Images
Flavio Voight*

Opiniões

O UOL Estilo abre espaço para pessoas de diferentes áreas de atuação escreverem sobre comportamento, questões de relacionamento, sexo e outros pontos da vida cotidiana. Os textos de cada um dos autores não refletem, necessariamente, a opinião do UOL.

Colaboração para o UOL

21/11/2017 04h00

Recebi numa rede social a seguinte pergunta de uma mãe, que vou manter anônima:

"Meu filho tem 12 anos e tem me feito muita perguntas sobre homossexualidade, transexualidade, coisas que ele vê na TV. Eu não concordo com essas coisas, mas tenho medo que tenha algo de errado com ele. Não sei como falar sobre essas coisas com meu filho."

Querida mãe, eu sei que as coisas já foram mais simples. Pouco tempo atrás, ninguém esperava que um pai ou uma mãe explicassem ao filho nada além de onde vem os bebês. Aliás, até essa conversa era considerada complicada e muitos pais evitavam tê-la de uma forma mais direta.

Não está fácil para nenhum pai ou mãe. É mais complicado falar com uma criança sobre sexo no mundo de hoje, em que tantas facetas da sexualidade tem sido discutidas e ganhado visibilidade. Assim como a vida, as conversas vão ficando mais complexas.

O crescimento de uma criança é uma série de curiosidades e complexidades que aumentam conforme o tempo passa. Ao passo que uma criança se desenvolve, ela vai podendo aprender sobre a vida de uma maneira cada vez mais complexa. Os pais estão crescendo também, quando vêem como é o mundo pelos olhos dos filhos e ganham a compreensão de como as coisas são diferentes do quando eram eles as crianças da vez.

Melhor ir direto ao assunto

Então, como falar com uma criança sobre um assunto tão complicado e cheio de tabus? É importante passar por cima do desconforto e conversar diretamente sobre cada tema, sem tantas metáforas. Pode ser desconfortável, mas ainda não inventaram nada melhor do que ir direto ao ponto.

Então, a dica é seguir sem medo. Na hora de explicar o que é sexo, simplesmente informe que existem pessoas que gostam do sexo oposto, mas que também existem pessoas que gostam do mesmo sexo - ou dos dois! Que existem pessoas que nascem se identificando com um gênero enquanto tem o corpo de outro. Que discuta prevenção de DSTs, métodos anticoncepcionais e masturbação.

Ninguém está pedindo para dar detalhes pornográficos, educação sexual não tem nada a ver com isso, mas uma criança merece ser informada sobre essa parte tão importante da experiência humana sem sentir que tem pendências na compreensão do assunto.

Acredite, uma criança percebe quando tem algo sendo escondido dela.

Se informar bem é primordial. Sabendo da importância dessa conversa, por que não aproveitar e informar-se um pouco mais também? Temos fontes infinitas na internet com informações sobre o que é transexualidade, o que é gênero, sobre pontos de vista diferentes sobre o aborto. Não estou pedindo para que você concorde com tudo o que lê, mas permita-se conhecer.

O conhecimento traz responsabilidades, mas nunca é perigoso. Quanto mais se souber sobre esses assuntos, mais será possível orientar um filho sobre as curiosidades que ele manifesta.

As estatísticas provam que, onde há programas de educação sexual mais avançados, diminuem as gravidezes na adolescência, os abortos e a idade média para início da vida sexual é mais alta! Ou seja, a ignorância é a verdadeira responsável pelo que as pessoas que lutam contra conversas amplas sobre educação sexual querem evitar.

Não é uma questão de ensinar algo como certo ou errado. 

Essa parte depende inteiramente dos pais, das suas visões e do que acreditam ser melhor para a criança --, é uma questão de permitir aos filhos que eles saibam o que existe no mundo.

É importante que os pais confiem que a educação moral e o suporte emocional que dão aos seus filhos são suficientes para que, com a informação que eles recebem, tomem decisões saudáveis sobre si mesmos.

Isso é educar: dar a oportunidade de conhecer o máximo de realidades que uma criança possa suportar e estar lá para orientá-los com o que fazer com essa informação.

Fora isso, não há do que sentir muito medo. Preocupar-se com a educação sexual do filho e escutar suas dúvidas mesmo sem se sentir confortável com o tema já é um ótimo sinal de que o pai ou mãe está fazendo um bom trabalho.

*Flávio Voight é psicólogo

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