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Latino-americanos estão "atrasados" em relação ao amor, diz pesquisador

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Latino-americanos são mais passionais e nutrem amor mais apegado e menos independente Imagem: iStock Images

24/10/2016 15h40

Os latino-americanos podem ser modernos em muitas coisas, mas estão "atrasados" quando se trata de amor. Essa característica os prejudica na hora de lidar com o término de um relacionamento, o que não acontece em sociedades "pós-modernas", nas quais os sentimentos são assumidos de uma maneira muito mais liberal. Pelo menos essa é a teoria do psicólogo italiano Walter Riso, estudioso sobre o amor, com 30 anos de experiência e cerca de 25 livros publicados sobre o assunto. 

"Os latino-americanos são mais emocionais, passionais, consomem novelas, têm ideias de amor muito mais idealizadas. Na América Latina, em relação ao amor, ainda estamos na modernidade, não estamos na pós-modernidade, o que significa um amor mais livre, mais recíproco, mais autônomo, com menos apego e mais independência", afirmou.

O especialista, que mora em Barcelona, na Espanha, e conhece a fundo a América Latina, acaba de lançar um novo livro com o amor e o desapego como o centro da discussão. "Ya te Dije Adiós, Ahora Cómo te Olvido" ("Já te Disse Adeus, Agora Como eu te Esqueço") é o título da mais recente obra do psicólogo napolitano, que descreve o volume como "um 'vade-mécum' [expressão em latim para livro de uso muito frequente, que o usuário costuma carregar consigo] para superar o fim do amor e das perdas afetivas".   

Baseado em sua vasta experiência, Riso conclui em seu livro que o rompimento em uma relação amorosa não obriga a se esquecer do outro, mas, sim, relembrá-lo com afeto, mas "sem ter o sentimento associado".

"É preciso separar o combate físico do psicológico ou emocional", diz o especialista. "No primeiro, há várias etapas, mas o básico e a diferença mais clara [entre os dois] é que, no combate físico, não se tem a esperança de voltar com pessoa. Já no afetivo, a pessoa ainda 'está viva' e aparece uma variável: a esperança, que nem sempre é boa". 

Riso também afirmou que existem ao menos sete etapas entre o momento do fim de um relacionamento ou de uma separação sentimental e a superação do combate: atordoamento e negação, anseio e esperança, perguntas sem resposta, ira e indignação, culpa, desesperança e depressão e recuperação e aceitação. O italiano afirma que os problemas surgem quando alguém fica preso em um desses momentos e que a ajuda profissional é necessária.   

O autor também afirmou que os estereótipos que ainda são cultivados na América Latina sobre os homens e as mulheres em um nível sentimental são elementos que geram tensão e contribuem para a manutenção de anacronismos.   

"Se uma mulher que não se casa [até] os 28 anos é considerada solteirona, enquanto em outros lugares do mundo, estar solteira não se associa com a ideia de ter má sorte, mas, sim, com uma opção. E um homem solteiro da América Latina aos 40 anos é considerado [algo] estranho", disse Riso.

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