Comportamento

A rapper afegã que escapou de ser vendida para casar pela própria família

27/11/2015 10h47

Sonita Alizadeh, uma rapper do Afeganistão, inspirou-se a escrever música quando sua família "teve que vendê-la" para "comprar uma noiva" para seu irmão.

"Essas meninas forçadas a se casar precocemente perdem a infância e a esperança", diz Alizadeh.

A rapper, de 19 anos, ganhou projeção internacional em 2014 pelo vídeo da música "Filhas à venda", uma crítica à prática comum no Afeganistão de vender meninas para casamentos.

A jovem cresceu no Irã, para onde a família se mudou fugindo da guerra no Afeganistão. Ela tinha apenas 10 anos quando a família tentou vendê-la para casar. O casamento acabou não se concretizando, mas aos 16 anos ela soube que a família queria casá-la com um desconhecido.

Ela gravou o vídeo em protesto contra o casamento planejado, e atraiu atenção internacional para a causa. Acabou sendo contatada por uma ONG internacional de direitos humanos, que obteve um visto de estudante para ela nos EUA, onde Alizadeh vive hoje.

"Quando me mudei para os EUA eu não conseguia tirar os rostos dos meus amigos da cabeça - todos machucados e feridos por terem enfrentado suas famílias", diz ela.

Sonita Alizadeh terá a vida retratada em um documentário e participa do projeto 100 Women (100 mulheres) da BBC, que apontou as mulheres mais inspiradoras do mundo em 2015.

A lista inclui nomes como o da atriz Hilary Swank e o da modelo sudanesa Alek Wek, além de empreendedoras com menos de 30 anos e mulheres inspiradoras com mais de 80 anos.

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