Comportamento

'Fui uma das 11 esposas de um milionário saudita', diz empresária americana

Jill Dodd
Jill Dodd tinha apenas 20 anos quando conheceu o bilionário saudita Imagem: Jill Dodd

23/07/2017 14h15

Hoje empresária e dona da marca internacional de roupas esportivas Roxy, a ex-modelo americana Jill Dodd viveu nos anos 80 uma estranha experiência quando conheceu um magnata Arábia Saudita em uma das muitas festas para as quais foi convidada quando trabalhava como modelo na Europa.

Ela tinha apenas 20 anos quando sua empresária a chamou para comparecer a uma festa em Montecarlo.

O lugar era a boate Le Pirate, e a festa contava até com uma fogueira de seis metros de altura.

"Tudo era muito selvagem e decadente. Queria dançar e vi um homem sentado a uma mesa que parecia inofensivo. Na verdade, lembrava o pai de uma amiga. Começamos a dançar em volta da fogueira", conta Dodd à BBC.

Enquanto dançavam, a empresária se aproximou e lhe contou que ela estava dançando com Adnan Khashoggi.

"Eu não entendi coisa alguma".

Khashoggi era um milionário saudita, comerciante de armas e conhecido por sua participação em um dos mais famosos escândalos dos anos 80 - o Irã-Contras, em que o governo americano vendeu secretamente armas para o Irã e financiou guerrilhas na Nicarágua, ignorando uma proibição do Congresso.

Khashoggi foi um dos principais intermediários nas operações.

Jill Dodd
Khashoggi era 24 mais velho que a americana Imagem: Jill Dodd

Pacto de sangue

"Quando sentamos, ele escreveu "Te amo" em meu braço, com letras grandes e vermelhas", conta Dodd.

"Não me dei conta no começo, mas depois vi que ele tinha usado sangue. Ao final da noite, ele me convidou para tomar café da manhã em seu barco. Eu disse que queria dormir. Ele me mostrou seu barco. Parecia um transatlântico".

Jill combinou, então de jantar com o magnata no dia seguinte.

"Adnan parecia querer saber quem eu era e meus interesses. Conversamos por horas, mas ele me contou depois que já sabia tudo sobre mim, porque precisava investigar por razões se segurança".

"Ele me deixou uma boa impressão porque não tentou me beijar. Isso me fez pensar mais nele".

E a relação continuou assim por um bom tempo, sem nada físico.

Jill Dodd
Jill Dodd ganhava a vida como modelo em Paris Imagem: Jill Dodd

"Esposa de prazer"

"Uma vez estávamos na Espanha e ele que convidou para um banho de espuma. Tentei beijá-lo, mas ele disse que eu só poderia fazer isso se aceitasse um contrato. E me explicou que homens poderosos na Arábia Saudita podiam ter três esposas legais e onze 'esposas' de prazer".

Certas interpretações do Corão permitem a poligamia para muçulmanos.

"'Ele me ofereceu um contrato de cinco anos e disse que cuidaria de mim. Mandaria um avião me buscar quando quisesse vê-lo e que eu poderia sair com outros homens".

Com um beijo, o contrato verbal foi selado. E, sempre que estava com Khashoggi, Dodd desfrutava de seu estilo de vida: vivia em seus palacetes e de presentes.

"Mas não larguei tudo para viver com ele. Continuava pagando aluguel, morava sozinha e trabalhava.

Armas

A americana só não sabia que o "marido" era comerciante de armas.

"Nem sequer sabia seu sobrenome. Não havia internet, como encontrar essa informação? Ele me interessava e queria passar mais tempo com ele".

"Em uma viagem para a Las Vegas, ele explicou do que se tratava. Disse para ele que armas eram máquinas de guerra, mas ele respondeu dizendo que os países tinham direito de se defender".

As "outras"

"Conhecia as outras esposas em jantares e reuniões. Tratávamo-nos com respeito, mas ficávamos distantes uma das outras. Eu sentia que era especial para ele. Mas uma noite ele me trouxe uma joia que era para outra pessoa. Disse que tinha entrado em meu quarto por engano, mas que eu podia ficar com o presente".

"Fiquei arrasada.

Separação

"Comecei a estudar e não tinha tampo tempo quanto. Dei-me conta de que ele estava procurando outra mulher. Foi horrível: Andan e eu estávamos em seu quarto quando um homem entrou, trazendo uma pasta preta com fotos de modelos".

"Quando questionei o que estava fazendo, os dois começaram a rir".

Fim

Dodd foi embora, mas permaneceu em contato com Khashoggi por vários anos.

"Ele ligou várias vezes pedindo para eu voltar. Teria considerado se alguma vez ele tivesse dito que me amava o que queria estar só comigo", lembra a americana.

Em junho deste ano, Dodd publicou um livro de memórias, A Moeda do Amor. No mesmo dia do lançamento, Khashoggi morreu.

"A morte dele foi um choque. Tenho memórias boas dele. Por mais que pareça louco, foi uma das relações mais sãs que já tive com um homem".

"Ele nunca foi agressivo comigo. Tenho 57 anos e estou casada há 20, mas me lembro de tudo como uma bela amizade".

Ainda assim, Dodd não quer que nenhuma de suas duas filhas entre em uma relação deste tipo.

"Ficaria horrorizada", afirma.

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