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"Por que campanha contra assédio poupou Woody Allen?", questiona filha que o acusa de abuso sexual há anos

Reprodução
Filha de Woody Allen e Mia Farrow, Dylan Farrow Imagem: Reprodução

da BBC

18/01/2018 08h52

A filha adotiva do diretor americano Woody Allen, Dylan Farrow, diz que sente "revolta" depois de "anos sendo ignorada, desacredita e deixada de lado". Ela tem acusado o pai adotivo de abuso sexual há anos.

Dylan esteve em um programa matinal da rede americana CBS nesta semana para falar sobre o caso.

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Hoje com 32 anos, Farrow tem dito repetidamente ao longo dos anos que o pai adotivo a molestou quando ela tinha 7 anos — acusação que o diretor sempre negou.

Em sua primeira entrevista à TV ela diz estar "magoada" e "com raiva".

Farrow demonstrou irritação com a sugestão de que ela estaria aproveitando a campanha #MeToo, que visa combater o assédio em Hollywood. "Por que motivo eu não deveria querer derrubá-lo? Por que não deveria estar com raiva? Por que não deveria estar magoada?", disse.

O irmão de Dylan, Ronan Farrow, foi um dos repórteres americanos que deram o furo sobre as acusações sexuais contra o produtor Harvey Weinstein, o que iniciou a campanha.

"Por que eu não deveria sentir algum tipo de revolta... depois de todos esses anos sendo ignorada, desacreditada e deixada de lado?", disse Dylan à CBS.

Farrow havia mencionado novamente o caso em um artigo que escreveu para o jornal L. A. Times em dezembro, onde questionava porque o movimento contra o assédio havia poupado seu pai.

A CBS veiculou um pequeno trecho da entrevista, que deve ir ao ar integralmente na quinta-feira.

A entrevista foi gravada na segunda-feira, na casa de Farrow no estado americano de Connecticut.

Farrow disse que esse momento era ideal para dar uma entrevista à TV depois de tantos anos afirmando que Allen tinha cometido um abuso sexual contra ela.

"Tudo o que posso fazer é falar a verdade e ter esperança de que alguém vai acreditar em mim", diz ela.

Denúncia antiga

Woody Allen chegou a ser investigado por causa de uma denúncia feita em 1992 pela filha adotiva dizendo que ele havia abusado dela na casa da família, mas os promotores não deram prosseguimento ao caso.

O diretor sempre negou as acusações afirmando que elas tinham sido inventadas por sua ex-mulher, Mia Farrow, que adotou Dylan quando ela tinha menos de um mês de vida.

Em 2014, Dylan escreveu uma carta pública dizendo novamente que tinha sido molestada por Allen. Recentemente, em uma série de tweets postados antes do Globo de Ouro, ela voltou a afirmar que Allen era um "predador".

Uma série de atores tem se distanciado de Allen diante do crescimento dos escândalos de assédio sexual em Hollywood.

O ator Timothee Chalamet, que está no próximo filme de Allen, A Rainy Day in NY (Um Dia Chuvoso em NY, em tradução livre), disse que vai doar seu cachê para a caridade porque não quer "lucrar com seu trabalho no filme". A atrizes Rebecca Hall, que atuou com ele no longa, e Ellen Page, que fez Para Roma com Amor, já disseram terem se arrependido da decisão de trabalhar com o diretor acusado de abuso.

Outros artistas o defenderam. Alec Baldwin, que trabalhou nos filmes Simplesmente Alice, Blue Jasmine e Para Roma com Amor, disse que "renegar [Allen] e seu trabalho" era "injusto e triste".

"Woody Allen foi investigado em dois Estados" — Nova York e Connecticut — "e nenhuma denúncia formal foi apresentada à Justiça", postou o ator na terça-feira.

Assédio sexual tem sido o grande tema na indústria do cinema dos EUA desde outubro, quando dezenas de atrizes acusaram publicamente o produtor Harvey Weinstein de assédio e estupro.

Entenda o caso

A acusação de que Woody Allen havia cometido abuso sexual contra a filha foi amplamente divulgada pela primeira vez em 1993, na época em que o ator estava se separando de Mia Farrow.

Cinco anos depois, em 1997, Woody Allen se casou com a outra filha adotiva de Farrow, Soon-Yi Previn, em 1997. Diferentemente de Dylan, Soon-Yi não foi criada por Allen.

Na época da separação de Allen e Farrow — e posteriormente — chegou a ser publicado que as denúncias foram feitas em meio à uma disputa pela custódia dos filhos do casal.

No entanto, segundo Dylan, Allen só entrou com um pedido de custódia dela e de Ronan depois que as investigações sobre abuso sexual já estavam em andamento.

Outro filho de Allen com Mia, Moses, hoje afirma que Dylan "sofreu lavagem cerebral" da mãe.

Na decisão em que Mia Farrow ganhou a guarda dos filhos, o juiz afirma que era preciso tomar medidas para proteger Dylan e que não havia evidências de que ela teria induzido a denúncia da filha.

Em 1993, especialistas do Hospital de Yale-New Haven investigaram o caso e não encontraram evidências de abuso. Dylan afirma que o autor do relatório nunca a entrevistou.

Um promotor disse à época que tinha evidências suficientes para montar um caso contra o diretor, mas uma denúncia formal nunca foi feita.

Dylan posteriormente detalhou o abuso que diz ter sofrido. Ela afirma que quando tinha 7 anos, Woody Allen a levou para o sótão e a molestou. Segundo Dylan, três testemunhas confirmaram o ataque - incluindo uma babá que viu Allen com a cabeça no colo da filha depois de ter tirado sua calcinha.

Ela afirma que o comportamento inapropriado do diretor — colocando o dedo em sua boca, deitando na cama com ela apenas de cueca e a tocando o tempo todo — era conhecido por pessoas próximas.

Woody Allen sempre negou todas as acusações.

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