Comportamento

O que fazer quando o homem falha na "hora H"

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De alguma forma é necessário resolver o problema - conversar, chorar para desabafar, desistir do momento ou, o mais indicado, enxergar alguma alternativa mais criativa Imagem: Getty Images

WILSON DELL'ISOLA
Colaboração para o UOL

19/09/2010 08h00

“Não sei o que houve, essa é a primeira vez que isso acontece comigo”, diz ele. “Não fica assim, isso acontece com todo mundo”, responde ela. Sem dúvida esse é um dos diálogos mais detestáveis que se pode ter com o parceiro. Os homens sentem sua masculinidade ameaçada, as mulheres têm uma sensação frustrante. O momento é delicado: ele brochou. A questão que se coloca nos segundos seguintes é o que fazer nessa situação. Mas não existe uma resposta pronta ou uma fórmula mágica que seja capaz de reverter a situação e dar vida à “criatura” que não demonstra sinais vitais.

O fato é que o constrangimento está formado e fisicamente ainda não é possível se “teletransportar” para bem longe, de preferência para a China. De alguma forma é necessário resolver o problema - conversar, chorar para desabafar, desistir do momento ou enxergar alguma alternativa mais criativa. Para Ana Cristina Kuhn Pletsch, coordenadora do curso de psicologia da Universidade Anhembi Morumbi, de São Paulo, a recomendação é manter o bom humor, tentar descontrair e conversar sobre o que aconteceu: “Isso é bom para saber como ambos se sentiram e pode ajudar a lidar imediatamente com a situação”.

Como fica a cabeça?

Uma das principais decorrências de uma brochada para o homem é a experimentação de uma condição psicológica bastante negativa, especialmente quando de fato “é a primeira vez que acontece”. É comum ele ficar mais estressado, deprimido, ansioso, diminuído – e com potencial para intensificar os problemas do relacionamento. Já a mulher costuma se sentir responsável ou culpada pela falha, menos atraente, com a autoestima em risco e, por vezes, até duvidar da fidelidade ou do amor do parceiro.

Para tudo tem um motivo

Não é que o homem deve decorar os motivos e usar isso como uma lista de desculpas, mas há diferentes situações que podem deixá-lo de cabeça baixa. Insatisfação no trabalho, baixa autoestima, juros do cartão de crédito, problemas familiares, excesso de álcool ou de fumo e, acredite, até o time de futebol ter perdido uma partida importante são algumas questões que podem refletir diretamente no desempenho sexual. “Há inúmeras possibilidades que variam de acordo com cada pessoa e com o impacto que aquilo causa na esfera psicológica”, complementa Ana Cristina.

As motivações sexuais são resultado da poderosa combinação dos estímulos com a imaginação. Quando falta uma das duas coisas, as chances de falhar são grandes. Suas causas também podem ter base orgânica. De acordo com a cartilha sobre o tema desenvolvida pela Sociedade Brasileira de Urologia, podem ser: diabetes, colesterol alto, hipertensão arterial, sedentarismo, trauma na medula espinhal, AVC (acidente vascular cerebral) e o uso de certos antidepressivos.

A falta de informação ou a normalíssima dificuldade em admitir sua condição de impotência leva o indivíduo a buscar soluções sem embasamento apropriado. Esse quadro pode aumentar a ansiedade, principalmente nas novas experiências sexuais porventura malsucedidas. Resultado: agravamento do quadro. “Se as falhas se tornarem frequentes, é muito importante procurar um especialista para verificar as causas”, sugere Ana Cristina.

É, acontece...

A veterinária Marina*, de 31 anos, viveu essa desagradável experiência na primeira vez que resolveu ceder aos encantos do rapaz com quem vinha saindo havia dois meses. “O que posso dizer é que simplesmente dá vontade de sentar e chorar. Eu fiz toda uma preparação, fantasiei tudo com a ideia de que seria o máximo e não conseguimos nem fazer as preliminares”, relata. Apesar da frustração, a moça conta que tentou confortá-lo para diminuir o constrangimento que o rapaz demonstrava. “Ele ficou bastante sem graça e eu sem saber o que fazer. Então, sem querer, disse aquelas frases clichês para confortar, até porque eu mesma não ia aguentar um silêncio mortal. Depois disso ele começou a me evitar um pouco, então não forcei. Quando os ânimos se acalmaram e já tínhamos nos conformado que essas coisas acontecem, rolou naturalmente”.

Já no caso do advogado Antônio*, 38 anos, a falha aconteceu com a sua namorada no dia em que ele havia sido demitido do emprego. O segredo, conta ele, foi ter mantido o bom humor para evitar um clima ruim entre os dois. “O que fazer nessa hora? Eu falei que tinha entrado no jogo para ser artilheiro, mas que o jogador havia se lesionado ainda no aquecimento. Ela deu risada e eu consegui evitar que a situação ficasse mais embaraçosa”, revela Antônio, assegurando que as brincadeiras não pararam na frase de efeito: “Depois de um tempinho que a gente conversou, nos beijamos de novo e eu fiz carinhos com os recursos que tinha disponíveis no momento”.

* Os nomes foram trocados a pedido dos entrevistados

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