Comportamento

Sociedade de Pediatria não reconhece conceitos índigo e cristal

Da Redação

25/09/2010 08h00

A Sociedade de Pediatria de São Paulo não reconhece a existência de crianças denominadas índigo ou cristal. A entidade prefere aguardar comprovação de evidências científicas antes de se posicionar sobre o assunto. Leia abaixo a íntegra da declaração:

“Por se tratar de um tema polêmico, fora da área médica-científica, o assunto não é de domínio de vários dos membros da entidade. Realizamos um levantamento em vários sites e, inclusive no Pub Med, e não encontramos evidências científicas ou estudos validados que confirmem a existência de crianças com tais denominações 'índigo' e 'cristal'. O que observamos da pesquisa realizada na internet (Google) é que existe uma crença por parte de grupos esotéricos e alguns grupos de espíritas e espiritualistas que: ‘Crianças com características especiais estariam nascendo em nosso planeta com a finalidade de provocarem uma mudança de paradigma na Terra’. Seriam espíritos diferenciados, com alta capacidade e qualidade humana que escolheram reencarnar, nos diversos países do planeta, nas diversas classes sociais, e que devido ao seu comportamento conseguiriam em longo prazo transformar a Terra em um planeta melhor. Referem que este fenômeno vem ocorrendo desde os anos 1980, no caso dos ‘índigos’ e a partir do ano 2000 no caso dos ‘cristais’.

No que concerne ao comportamento descrito destas crianças, observamos que o quadro é muito semelhante ao observado nos casos de transtorno do déficit de atenção com ou sem hiperatividade, os quais possuem critérios rígidos e específicos para que se faça um diagnóstico correto. Devemos evitar a banalização deste diagnóstico (TDAH), bem como a medicação excessiva, ambos observados ultimamente em nosso meio.

Quanto à Sociedade de Pediatria de São Paulo, que representa a comunidade médica voltada a crianças e adolescentes no Estado de São Paulo, por desenvolver atividade científica e respeitar as diversas formas de manifestação religiosa, cabe aguardar a realização de estudos científicos que comprovem tais fatos, e evidências científicas seriam bem-vindas antes de nos posicionarmos diante de tais crenças.”

Dra. Miriam Ribeiro de Faria Silveira
Presidente do Departamento Científico de Saúde Mental
Sociedade de Pediatria de São Paulo

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