Comportamento

Por que você não consegue se amar?

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Uma atitude eficiente é curtir sua própria companhia: saia, dance, vá ao cinema, faça massagem e cozinhe para você Imagem: Getty Images/Thinkstock

GISELA RAO
Colaboração para o UOL

10/11/2010 20h30

Preste atenção nestas cinco perguntas: 1- Você fica deprimida quando vê aquele povo todo feliz numa revista de celebridades? 2- Quando ouve a música “Eu me amo”, do Ultraje a Rigor, tem vontade de sair correndo? 3- Espelho na sua casa tem menos função que uma samambaia de plástico? 4- Se alguém a elogia, você logo pensa que a pessoa é míope? 5- Se você ganha um presente, acha que não merece? É, digamos que um bonequinho de goma está com a autoestima bem melhor que a sua. Mas você não está só: milhões de pessoas no planeta infelizmente também não se amam nem têm ideia de como chegar lá. A boa notícia é: baixa autoestima tem solução.

“A primeira coisa que a pessoa com este problema deve fazer é se perguntar várias vezes: Por que eu não consigo me amar? É por que não sou tão bonita? É por que não realizo meus sonhos? Não tenho namorado? Não aceito minha história, minha família, minha condição social?”, sugere a psicóloga Neiva Bohnenberger. Para ela, é muito difícil se amar em uma sociedade que diz o tempo inteiro que somos e estamos errados, que temos de seguir um padrão e acaba nos incutindo um grande medo de arriscar nossas próprias histórias e desejos. “A pessoa só consegue se amar quando aceita e acredita em si. Ela confia que pode realizar seus propósitos e ousa. Ela aceita que todos os ‘diferentes’ estão sob o mesmo sol. Ela para de dar tanto valor para a aceitação ou não aceitação do outro”, completa Neiva.

Para os humoristas do “Eramos6”, a coisa é mais simples: “As pessoas têm dificuldade de se amar porque não se amam. Pensam que amar a si próprio é ir ao banheiro com a ‘Playboy’ ou ficar na cama com a foto do Reynaldo Gianecchini. Isso não é se amar. Isso tem outro nome. Aí, alguns apelam à máxima cristã: ‘Ame ao próximo como a ti mesmo’. Só que fazem isso da seguinte forma: conhecem alguém hoje, pegam e, no dia seguinte, dizem: o próximo! Assim não dá”, declaram.

Cinco atitudes eficientes para se curtir mais

Confira as dicas do blog "Vigilantes da Autoestima:

1- Pare com essa “Síndrome de Hardy, a hiena-mala”. Ao invés de reclamar da vida, faça alguma coisa útil para você e para o mundo.

2- Fora autodepreciação. Pratique o “hoje eu não vou me depreciar”.

3- Pare de se agarrar às pessoas e às coisas que a fazem sofrer.

4- “Desrejeite-se!” Ou seja: pare de sofrer porque foi rejeitado por algum desgraçado na vida. Você certamente já rejeitou alguém também.

5- Não tem tu, vai “eu” mesmo: pare de sofrer porque você não tem um companheiro. Namore com você mesma gostosamente. Saia, dance, vá ao cinema, faça massagem, cozinhe para você e diga sempre antes de dormir: “Eu vou cuidar de você!”. Melhorando a vibração fica mais fácil atrair alguém legal.

Pessoas que aprenderam a se amar

“Eu resolvi reverter meu quadro de depressão adotando uma gatinha linda. Pude amar e dar amor. Hoje, estou mais feliz ainda porque virei colaboradora da ONG “Adote um Gatinho”. Agora, eu sei que sirvo para cuidar dos animais. Meu vazio existencial passou.” - Cristina Sakuraba, 47 anos, gerente comercial

“Eu tive mãe alcoólatra, fumólatra e ausente, além de pai esquizofrênico com surtos de violência, que prejudicavam a família toda. Apesar de tudo isso, mesmo fazendo um monte de besteiras até a vida adulta, cultivei instintivamente o olhar atento às pessoas que se mostravam sem reservas, que se entregavam, aos filmes que falavam de amor, sensibilidade, pragmatismo. Hoje em dia fotografo e tento mostrar o que de mais único e emocionante consigo ver, tanto em pessoas quanto em animais ou objetos, uma coisa meio Caravaggio. Adoro cozinhar para os outros ou ser hospitaleiro, sem reserva. Confio demais no meu instinto e pulo de olhos fechados do abismo quando se trata de coração ou trabalho. Meus sentimentos são intensos, e adotei e fui adotado pela minha ex-mulher, viramos irmãos, nos escolhemos como família. E muito perdão... Perdoar até onde der.” - Adriano Von Markendorf, 43 anos, designer

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