Comportamento

Saiba se seu filho está pronto para viajar sozinho

HELOÍSA NORONHA
Colaboração para o UOL

13/01/2011 07h00

Mudar de ares nas férias é saudável para o desenvolvimento de qualquer criança. Quem não se recorda das brincadeiras com os primos na praia, da farra com a turma na fazenda ou de visitar um parque bacana com a família do melhor amigo na infância? No entanto, as agruras da vida moderna nem sempre permitem que os pais – que não conseguiram uns dias de folga – desfrutem de tais momentos na companhia dos filhos. A alternativa é permitir que a criança encare sozinha a temporada de lazer. Mas será que ela está preparada para viver essa experiência pela primeira vez? Para descobrir a resposta, confira os dez fatores que você precisa levar em consideração antes de começar a preparar a mala.

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    Não é aconselhável que crianças na faixa dos 5 ou 6 anos viajem sozinhas, diz psicóloga

1. CONSIDERE A IDADE CRONOLÓGICA

Segundo a psicopedagoga Teresa Helena Schoen-Ferreira, do Setor de Psicopedagogia do Centro de Atendimento e Apoio ao Adolescente da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), não é aconselhável que crianças na faixa dos 5 ou 6 anos viajem sozinhas. “Crianças muito pequenas não têm a coordenação motora totalmente desenvolvida. Além disso, não possuem uma capacidade ampla para organizar as próprias roupas e objetos, por exemplo, nem para se lembrar de determinadas informações”, diz.

2. AVALIE A MATURIDADE EMOCIONAL

Seu filho se sente independente? Tem facilidade para se comunicar? Quando quer perguntar algo para um estranho, por exemplo, ele mesmo faz a pergunta ou pede para você fazer? É organizado com as próprias coisas? De acordo com a psicóloga Suzy Camacho, de São Paulo, são as questões básicas que devem ser levadas em consideração no momento de avaliar o grau de autonomia da criança. “Por desenvolverem a fala mais rápido, em geral as meninas são mais independentes e apresentam uma maturidade precoce”, comenta Suzy, que é autora do livro “Guia Prático dos Pais” (Ed. Paulinos). Mas é claro que existem muitos meninos novinhos que se viram bem sem a ajuda dos pais.

3. FAÇA EXPERIÊNCIAS ANTES

Segundo a psicóloga Maria Teresa Reginato, de São Paulo, conhecer outros ambientes e hábitos enriquece a vivência com a noção da diversidade da cultura e do comportamento humano. “Melhor que seja a partir do momento em que a criança já se expressa verbalmente com desenvoltura, mas o treino na casa de parentes pode começar mais cedo”, pondera a especialista, que mantém o blog www.facaterapia.blogspopt.com. Para Suzy Camacho, o ideal é começar com uma noite fora, na casa de uma tia ou de algum amiguinho. Se a criança não chorar ou pedir pelos pais, é um bom sinal. A partir daí, pode ir aumentando o período gradativamente, até completar uma semana. É o comportamento da criança nessas experiências que vai indicar se ela já está apta – ou ainda requer mais aprendizado – para curtir uma semana no acampamento ou na casa de praia do amiguinho sem seus pais.

4. OBSERVE O COMPORTAMENTO

Seu filho recebeu um convite para passar uma semana na fazenda do melhor amigo da escola? Ótimo! Se você ainda não conhece o tal amiguinho direito, antes de dar o o.k. final convide-o para passar uma o dia em sua casa. Observe se essa criança é respeitosa, se brinca direito com os brinquedos (sem jogá-los ou quebrá-los, por exemplo), se é alegre, se utiliza um mau linguajar (palavrões) etc. “Observe seu filho com atenção também. Ele muda de comportamento perto do amigo? Faz coisas para agradá-lo? É óbvio que ele vai agir um pouco diferente do que você está acostumada a notar em famílias, mas existem crianças que mudam de personalidade para agradar o coleguinha, e essa é uma situação de alerta”, destaca Suzy Camacho. Isso indica vulnerabilidade e, na adolescência, pode levar a atitudes nocivas como uso de cigarro, álcool ou drogas para se sentir parte de uma turma. No caso de adolescentes que vão viajar sozinhos pela primeira vez com a família de um amigo, a psicóloga orienta observar as mesmas coisas.

5. CONHEÇA BEM OS ACOMPANHANTES

No caso de um acampamento de escola, por exemplo, a psicopedagoga Teresa Helena Schoen-Ferreira avisa que já existe um vínculo entre a criança e os professores. Mas em um acampamento “avulso”, porém, é necessário conversar com as pessoas que estarão presentes e tirar todas as dúvidas. Se a criança foi convidada para passar uns dias na casa de praia ou na fazenda do amigo, convide os pais para um café antes a fim de conhecê-los e observá-los. Confie na sua intuição e, se possível, vale a pena ainda verificar as condições do lugar em que a criança vai ficar. “Anote nomes, telefones fixos, celulares e endereços completos. Além de se sentir mais segura, você também vai transmitir essa segurança para o seu filho, que sabe que estará sendo bem cuidado pelos pais, mesmo à distância”, aponta Teresa.

6. DRIBLE A ANSIEDADE DA CRIANÇA

Por mais independente que possa ser a criança, às vezes os filhos nos surpreendem. Esteja preparada para um ataque súbito de saudade – em outras palavras, receber um telefonema com uma vozinha chorosa do outro lado da linha. Em um primeiro momento, não tome nenhuma atitude drástica. Converse com o responsável e peça para tentar distrair seu filho, levando-o para um passeio no shopping ou ao cinema, por exemplo. “Se não surtir efeito, o ideal é mesmo se dispor a ir buscá-lo se a distância permitir. Caso contrário, ele não vai se sentir seguro para enfrentar uma próxima tentativa”, argumenta Suzy. Lembrando que, para uma primeira viagem sem os pais, o aconselhável é que o destino não seja muito longe de casa. Outro ponto a considerar é o de filhos de pais separados que costumam alternar fins de semana na casa de um e de outro. “Se toda vez que a criança está com o pai, por exemplo, precisa ligar para a mãe à noite, ainda não está preparada para viajar sozinha”, alerta Teresa Helena Schoen-Ferreira.

7. DOMINE A SUA ANSIEDADE

Não fique ligando toda hora para saber como a criança está se virando, se está comendo direito, divertindo-se etc. Se ela não telefonou, acredite, é porque está bem. “A falta de notícias é uma boa notícia”, brinca a psicóloga Suzy Camacho. Ligue de manhã e/ou à noite e deixe-a curtir as férias.

8. ORGANIZE SOMENTE O NECESSÁRIO

Calcule a quantidade de roupas que ela vai usar e tente colocar somente o imprescindível na mala. Evite colocar itens muito caros, como relógios ou brinquinhos de ouro. A criança tem que se divertir, e não ficar preocupada em preservar determinadas coisas – ela está de férias, lembra? Quem vai para acampamento não precisa de dinheiro nem de celular. Já as crianças e adolescentes que vão para a praia ou fazenda devem levar o mínimo de dinheiro necessário – o suficiente para comprar lanche ou sorvete, ir ao cinema ou a um passeio específico. Não trate seus filhos como potenciais consumidores mirins.

9. NÃO SE ESQUEÇA DOS DOCUMENTOS

Envie os documentos originais (tire cópias autenticadas antes) e deixe-os com os responsáveis. Deixe com a criança um cartão ou crachá com os dados pessoais (nome, endereço e telefone) dela. Se ela vai até o destino de ônibus ou avião, verifique com antecedência na rodoviária ou aeroporto o tipo de autorização que é preciso levar no dia do embarque.

10. FAÇA ACORDOS ENTRE VOCÊS

Antes da viagem, os pais devem ensinar a criança como buscar informações importantes. “Aconselhe a perguntar sem vergonha ou constrangimento onde é tal lugar, como funciona tal coisa, até que horas se pode brincar etc.”, sugere a psicóloga Maria Teresa Reginato. “Também ensine como observar e ficar alerta quanto aos imprevistos e possíveis perigos.” Se algo der errado, e a criança ou o adolescente quiser voltar antes por algum motivo sério – a família do amigo tem um comportamento estranho, presença de irmãos mais velhos inconvenientes e afins – é importante combinar antes uma palavra ou uma frase do tipo “senha”. “Assim o seu filho pode informar, por telefone, que não está curtindo o passeio sem se sentir constrangido”, comenta Teresa. Você pode combinar de perguntar, por exemplo, se o filho viu algum disco-voador. Se a resposta for sim, você já sabe que as coisas não estão boas e pode ligar, mais tarde, para a família e dizer que houve um imprevisto e que terá de buscá-lo antes.

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