Vida no trabalho

Autoestima para dar e vender (mesmo acima do peso)

Divulgação
Simone Fiuza de bem com a vida e seu "plus size" Imagem: Divulgação

RENATA RODE

Colaboração para UOL

17/02/2011 07h00

Cá entre nós: a maioria das mulheres vive preocupada com o ponteiro da balança e, muitas vezes, deixa de aproveitar a vida com tanta cobrança para estar sempre linda e desejável. Mas, felizmente, nem todas são assim. Colocando um basta na ditadura da beleza magra, começa a surgir uma tendência no país que busca identidade e respeito para as mulheres reais, as chamadas plus size. Sim, essa especificação abrange moças que vestem do manequim 44 ao 52. E não são poucas. Dados de agosto do ano passado divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostram que metade da população adulta está acima do peso.

Logo após os principais desfiles de moda terem exibido corpos esguios pelas passarelas de Rio e São Paulo, uma modelo brasileira reconhecida lá fora botou literalmente as mangas de fora. Fluvia Lacerda, 1,72 de altura e dona de um manequim 48 esbravejou: “Enquanto o movimento plus size ganha força no cenário internacional, no Brasil, as mulheres curvilíneas são excluídas dos principais eventos de moda”, reclama a top.

Insegurança x imagem corporal

Para o escritor e psiquiatra Roberto Shinyashiki, a falta de segurança pode afetar a nossa autoimagem. “Tanto para mais quanto para menos, a falta de confiança em si pode alterar não só a imagem corporal, assim como, nossas competências e incompetências”. Ele afirma que o crescimento desse mercado e a busca da mídia por mulheres reais beneficiam a todos, já que as referências passam a ser mais humanas.

A boa forma das celebridades nos atormenta cada dia mais. Um estudo do The Royal College of Midwives, na Inglaterra, revelou que  60% das mulheres pesquisadas se sentem pressionadas quando vêem mães famosas "super magras", poucos dias depois do parto. “Observamos que o desejo de transformar-se numa outra pessoa é quase uma ‘epidemia’ lá fora e, por aqui, a coisa não é diferente”, observa o cirurgião plástico Ruben Penteado, diretor do Centro de Medicina Integrada.

Mercado em crescimento

A expectativa da evolução do segmento plus size é grande e fez com que Mariana Gandolfo Varuzzi abandonasse sua carreira no mercado financeiro e criasse uma nova marca: "La Mafê", depois de assistir uma reportagem sobre as dificuldades das mulheres “reais” ou fora dos “ditos padrões de beleza.

A empresária então encomendou uma pesquisa de mercado e comprovou a carência de opções para figurino a partir do manequim 44. Ela criou uma grade que atende do 42 ao 52. “Lançamos nossa primeira coleção no Fashion Weekend Plus Size do ano passado e o retorno foi muito positivo. Recebemos muitos e-mails elogiando e querendo comprar as nossas roupas. Em menos de um ano, já estamos vendendo para várias lojas multimarcas no Brasil inteiro”, comemora.

Outro exemplo de desenvolvimento é o da marca de lingerie Dilady. A grife investe na produção de peças diferenciadas, que vão do número 40 ao 54, com modelagens arrojadas e costura reforçada para maior sustentação. A surpresa é que a produção GG já corresponde a 30% da confecção anual da marca, que pretende ampliar as linhas ainda mais, para esse tipo de público.

Autoestima em alta

Entrevistamos três grandes mulheres que ensinam e contam como fizeram da autoestima uma aliada, já que são modelos profissionais plus size.

UOL Estilo Comportamento - Você sempre foi gordinha?

Simone - Sempre fui a criança gordinha e graciosa, mas o tempo corre e a sociedade passa a tratar essa criança que até então era lindinha com preconceito.

UOL Estilo Comportamento: - Qual sua receita de autoestima?

Simone - Somos além das medidas, o que tenho de bom a oferecer é mais profundo que as curvas do meu corpo é algo que está dentro do meu coração. A autoaceitação é o melhor caminho para o amor próprio. Se aceitem, gostem, se curtam, amem-se acima de tudo!!!

Simone Fiuza, 25 anos, jornalista e modelo. Altura 1,71, peso 90 kilos, usa o manequim 46/48
 

  • Divulgação

    Andrea Boschim, tem o manequim 48/50

UOL Estilo Comportamento - Você já teve problemas de relacionamento por causa do peso?

Andrea - Nunca. Conheci meu marido na internet, namoramos por 5 anos e estamos casados há dois.

UOL Estilo Comportamento - O que ele acha de você ser plus?

Andrea - Quando nos conhecemos eu estava iniciando minha carreira como modelo. Ele teve que se acostumar ao assédio das pessoas, teve fases muito ciumentas, mas atualmente entende minha profissão e me incentiva muito!

UOL Estilo Comportamento - Já sofreu alguma situação de preconceito?

Andrea - Nos primeiros  anos de carreira, toda vez que chegava num desfile de moda com modelos magras, ficava horas esperando para ser maquiada e penteada, mesmo se eu tivesse sido a primeira a chegar. As pessoas não estavam acostumadas à ver modelos plus size. Mas sempre lido com estas situações com bom humor!

Andrea Boschim, 33 anos, modelo. Altura 1,70, peso 95 kilos


UOL Estilo Comportamento: Quando começou a sentir que seria um mulherão?

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    Amanda Franco, tem o manequim 48

Amanda - Na verdade sempre lutei contra a balança, desde pequena... Na adolescência por incrível que pareça fiquei no meu "peso ideal" (porém nunca fui magra, sempre com muita coxa, peito e bumbum). Aí, na fase adulta voltei a ser um MULHERÃO.

UOL Estilo Comportamento - Qual sua dica de autoestima?

Amanda - Não deixe de ser feliz por que esta acima do peso. Digo: sim: existo dentro do meu corpo e acredito que a DIVA, a toda poderosa esta em mim e existe uma dessa dentro de cada mulher.

Amanda Franco, 24 anos, auxiliar contábil e modelo. Altura 1,65, peso 89 kilos



 

Fashion, sim!

A personal stylist (e ex-gordinha) Milla Mathias dá sugestões para vestir-se bem, mesmo estando acima do peso. Use e abuse de:

- Listras verticais estreitas;

- Estampas geométricas de tamanho médio em fundo escuro;

- Recortes verticais;

- Decotes em V abertos;

- Tecidos leves e fluidos;

- Calças de corte reto e cintura média

- Calças com fit unissex, quando muito gordinha;

- Camisas, blusas, blazers e jaquetas levemente acinturados;

- Saltos que sustentem bem o corpo;

- Bico de sapato arredondado e comprido;

- Tons médios a escuros;

- Looks monocromáticos ou de tons próximos;

- Alças médias a largas;

- Calcinhas altas;

- Acessórios leves e simples (preferência aos geométricos)

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