Comportamento

"Ser mãe é superproteger", diz Luiza Tomé; faça o teste e saiba se você é como ela

RENATA RODE

Colaboração para o UOL

31/03/2011 07h00

“Eu tive uma mãe superprotetora e, quando pensei em ter filhos, decidi que não seria assim", conta a atriz Luiza Tomé, que, em seguida, admite que isso não passou da teoria. "Na prática, é outra coisa. Ser mãe é superproteger, não tem jeito. É instinto, é animal. Até hoje, minha mãe às vezes me trata como uma adolescente, perguntando se estou agindo certo em relação a isso ou aquilo”, brinca ela.

Educar é uma tarefa complicada. E não exagerar na proteção também. “É difícil uma mãe reconhecer que é superprotetora, já que não percebe o exagero de seus cuidados em relação ao filho: os atribui sempre a alguma causa externa, em um pretexto para continuar cuidando de seu filho como se ele fosse muito indefeso ou imaturo para a idade”, explica Maria Irene Maluf, especialista em psicopedagogia e educação especial.

  • Regina de Grammont/UOL

    A atriz Luiza Tomé, que gosta de estar por dentro de tudo o que se passa com os filhos


Mãe de Bruno, de 13 anos, e dos gêmeos Luidi e Adriana, de 7 anos, Luiza confessa que superproteger, muitas vezes, é ruim, já que inibe o crescimento das crianças. “Procuro estar presente, sou muito carinhosa e quero saber tudo da vida deles. Onde estão, com quem, até por conta da violência. O correto é dar a varinha para que eles aprendam a pescar... Mas quando a gente é mãe quer sempre dar o peixe frito e temperadinho na boca”, diverte-se.

Maria Irene diz que, geralmente, a mãe acaba percebendo que é ou foi superprotetora da forma mais desastrosa, quando o filho passa a ser alvo de brincadeiras maliciosas dos colegas, por exemplo. Com isso, ele se distancia dos amigos da mesma idade, não apenas porque a mãe o impede de sair com eles, mas porque, ao longo dos anos, torna-se muito diferente de seus pares. Segundo ela, o filho pode acabar sendo mais despreparado, inseguro, antissocial, mandão ou agressivo, por exemplo.

Antes que isso ocorra, reflita se o carinho e a proteção que você dispensa aos filhos não está além daquela que eles precisam. “Experimentar o erro, o fracasso, as perdas e aprender a superá-las, com orientação dos pais, é essencial. Isso é importante para que se fortaleçam e se preparem para serem autônomos, independentes e fortes. Aprender a viver exige alguns tombos”, ensina a terapeuta.


A empresária paulistana Adriana Brunelli sentiu na pele a diferença entre ser ou não ser superprotetora. Mãe de dois filhos, Bruno, de 13 anos, e Pietra, de um, ela diz que mudou sua conduta, depois que percebeu alguns sinais da personalidade do menino. “Tive o Bruno aos 23 anos. Como queria fazer tudo certo, li todos os livros, falei com terapeutas e fiquei muito em cima", relembra a mãe. Ela conta que percebeu que isso refletiu de forma negativa no garoto.

 

  • Regina de Grammont/UOL

    Adriana Brunelli, com seus filhos Bruno, de 13 anos, e Pietra, de 1

"Apesar de ser bem responsável para a idade que tem, ele não relaxa. Até hoje, quando vai fazer coisas simples, percebo que ele olha para mim procurando aprovação...", relata. Com Pietra, a filha mais nova, Adriana conta preferiu não exagerar. "Aprendi que não adianta enlouquecer, colocar a criança em cursos de inglês com um ano e na natação com poucos meses. Isso tudo é besteira. As coisas vão acontecendo conforme eles vão crescendo. Tento curtir mais ao invés de ser tão preocupada ou sufocar as crianças”, conta.

Para a psicopedagoga Irene, com o objetivo de tentar equilibrar a situação, o melhor é conversar com outras mães, de crianças e jovens da mesma idade e até mais velhos, para falar de seus receios. “Desta forma você vai perceber que todas elas têm um medo enorme de que algo aconteça aos filhos, mas, justamente por amor e respeito à vida que lhe deram, e sabendo que não estarão eternamente presentes, os deixam que saiam de casa sem casaco por uma manhã e sintam frio. Com isso, aprendem a lição e nunca mais esquecerão o agasalho”, exemplifica a especialista.

Todas as crianças correm alguns riscos durante seu crescimento e superá-los as torna competentes e fortes. “Analisar esses riscos com objetividade significa reconhecer a capacidade mental e emocional do filho, perante a sociedade e a família. A autoestima da criança precisa ser alimentada pelo olhar confiante da mãe. Só assim ela se sentirá capaz de tornar-se, gradativamente, independente”. Faça o teste abaixo e depois veja as dicas da especialista para não exagerar nos cuidados.
 

ESPECIALISTA DÁ QUATRO RAZÕES PARA NÃO EXAGERAR

1. Se o filho não tiver oportunidade de fazer algo sozinho, não aprenderá por falta de motivação, de treino ou mesmo por perceber que seu crescimento não agrada à mãe, que prefere vê-lo imaturo e dependente
2. Se algo parece muito difícil para uma criança e sua mãe o incentivar, ela começará a aprender como fazer para superar essa dificuldade. Se a mãe resolve tudo em seu lugar, o filho não aprenderá nada que seus amiguinhos já sabem (ou saberão fazer em breve) e ficará para trás
3. A dependência dos filhos não os faz amar mais ou menos os pais. E eles também não se sentirão mais amados se forem superprotegidos. Serão, apenas, mais dependentes
4. As dificuldades de aprendizado estão entre as consequências imediatas do excesso de zelo materno. Essas crianças demoram para se adaptar à escola e, em casos mais graves, não conseguem estabelecer relações sociais. Aprender exige esforço próprio, resistência à frustração e motivação, atitudes impossíveis para uma criança excessivamente protegida

 

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